Fux diz que não estigmatiza a escolha de militares “com expertise” para ministérios

Manifestação foi dita Defesa acionar a Lei de Segurança Nacional

Paulo Roberto Netto
Estadão

O ministro Luiz Fux, próximo presidente do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta quarta-feira, dia 15, que não ‘estigmatiza’ a presença de militares em determinados ministérios. A fala foi dita em evento da XP Investimentos e na esteira de atritos entre a Corte e as Forças Armadas após críticas do ministro Gilmar Mendes ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

“Se o governo escolhe dentro de determinado segmento, profissionais gabaritados, como por exemplo, os senhores ouvirão o ministro Tarcísio (Gomes de Freitas, da Infraestrutura), que me parece um homem de altíssima capacidade nessa área de planejamento, mas que coincidentemente é militar, eu não vejo nenhuma heterodoxia nesse quadro tendo em vista a habilidade que uma equipe deve ter com o governo central”, afirmou Fux.

WEINTRAUB –  O ministro destacou que, ‘a bem da verdade’, o Brasil assistiu a ‘um ministro que não foi escolhido na carreira e que foi efetivamente uma lástima num campo tão importante do Brasil, que é o campo da Educação’, se referindo a Abraham Weintraub, que deixou o MEC no mês passado após atacar a Corte. “A maior miséria do Brasil não é a miséria de dinheiro, é a miséria intelectual. Então, eu não estigmatizo o fato de que militares com expertise tenham sido escolhidos para determinados ministérios”, afirmou.

A manifestação de Fux, que assume a Presidência do STF em setembro, foi dita um dia depois do Ministério da Defesa acionar a Lei de Segurança Nacional contra o colega de Corte, ministro Gilmar Mendes, que associou as Forças Armadas a um ‘genocídio’ ao comentar a gestão do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus, agradava pela ausência de um titular no comando do Ministério da Saúde.

DECLARAÇÃO – “Não podemos mais tolerar essa situação que se passa no Ministério da Saúde. Não é aceitável que se tenha esse vazio. Pode até se dizer: a estratégia é tirar o protagonismo do governo federal, é atribuir a responsabilidade a estados e municípios. Se for essa a intenção é preciso se fazer alguma coisa”, afirmou Gilmar. “Isso é péssimo para a imagem das Forças Armadas. É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável. É preciso pôr fim a isso”, prosseguiu.

Segundo o Estadão apurou, o dispositivo citado pela Defesa é o Artigo 23, que prevê como crime a prática de incitar ‘à animosidade entre as Forças Armadas ou entre estas e as classes sociais ou as instituições civis’. A pena é de um a quatro anos de prisão. Também são mencionados artigos do Código Penal sobre crime contra a honra e outro do Código Penal Militar.

REPERCUSSÃO – A declaração provocou forte repercussão na ala militar do governo. O vice-presidente, Hamilton Mourão, declarou que Gilmar ‘forçou a barra e ultrapassou o limite da crítica’. Nesta terça, afirmou que se Gilmar Mendes tiver ‘grandeza moral’, deveria se retratar. Segundo Mourão, que é general da reserva, a troca de chefia na Saúde depende do presidente Jair Bolsonaro.

Após a repercussão, Gilmar Mendes divulgou nota ‘reafirmando o respeito’ aos militares e indicando que ‘nenhum analista atento da situação atual do Brasil teria como deixar de se preocupar com o rumo das políticas públicas de saúde’ do País. “Em um contexto como esse (de crise aguda no número de mortes por Covid-19), a substituição de técnicos por militares nos postos-chave do Ministério da Saúde deixa de ser um apelo à excepcionalidade e extrapola a missão institucional das Forças Armadas”, afirmou.

13 thoughts on “Fux diz que não estigmatiza a escolha de militares “com expertise” para ministérios

  1. O que aconteceu, que a Boneca trocou o verde e amarelo pelo azul, será que tb aderiu à Democracia Direta com Meritocracia ? Quando guri, certa feita, meu pai me perguntou e me respondeu: a vida é dura, né, mas ela é dura só pra quem é mole, viu. E continuou, o que vc quer ser na vida, um coitadinho que vive de esmolas, ou alguém que diante das dificuldades se reinventa sempre que necessário com as suas próprias características, faz o seu próprio caminho, vai à luta e chega lá pelos seus próprios méritos ? Foi nesse momento que entendi, claramente, que tinha que ser solução e não mais problemas na vida dos meus pais, da minha família, da minha comunidade, do meu país e do mundo. Pedi a Deus saúde, Ele me deu. Pedi um pouquinho de inteligência, força de vontade e sorte, Ele me deu. O resto foi caminhada, aprendizado e reinvenção, reinvenção, aprendizado e caminhada. Daí, o meu olhar para a Europa e para a China, reinventadas, cabresteando os EUA. A China conforme as suas própria peculiaridades, com o capitalismo enquadrado pelo comunismo, e a serviço deste, como instrumento do sucesso do bem comum do povo chinês, proibindo o capitalismo (bicho que não pode ser criado solto) de dar pitacos na política, sob pena de expulsão do país, e assim crescendo a olhos vistos há décadas, conseguindo sustentar a contento cerca de 1,5 bilhão de bocas, conseguindo enquadrar até mesmo o famigerado coronavírus, à moda comigo não violão, aqui tem cerne, sustância, alicerce forte, aqui o bicho é o carcará, pega, mata e come, até vírus mortais. E não é à toa que o ex-todo-poderoso Tio Sam caga de medo da China, que o está devorando pelas beiradas, valendo-se das suas próprias armas. Daí a gente olha para o nosso Brasil, a nossa pátria amada, de volta ao Jurassic Park dos Dinossauros, etapa que o saudoso Dr. Ulysses Guimarães acreditou que tivesse vencido, agora pedindo esmolas explícitas, de joelhos e batendo continência para Tio Sam, fazendo de tudo para ser colônia e fundo de quintal do mesmo, que por sua vez pede esmolas à China que a qualquer momento pode penhorá-lo por inteiro, ao invés de se reinventar, nos dá uma terrível e desanimadora sensação de que somos uma civilização merda n’água, incapaz de se reinventar para enfrentar as gigantescas demandas nacionais e internacionais impostas pelo tempo e a marcha da história que são implacáveis. Sensação essa de impotência quase que total que se agrava ainda, ao ver o nosso país sendo conduzido em direção à Brazuela e talvez até ao Haitibras. Daí, a minha preocupação mais que vintenária, e a minha ousadia que seria até quixotesca mesmo não fosse a terrível realidade que nos cerca, ao elaborar a RPL-PNBC-DD-ME, o projeto novo e alternativo de política e de nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, com Democracia Direta e Meritocracia, milhas adiante da China, EUA e Europa-mãe, que, a meu ver, é exatamente a nossa eureka possível, a reinvenção possível para o Brasil no sentido de apronta-lo e torná-lo capaz de matar no peito os gigantescos desafios e demandas nacionais e mundiais, conforme as nossas próprias peculiaridades, para os próximos 100 anos, o novo milagre da multiplicação dos pães, dos peixes e das oportunidades, à moda genuinamente brasileira, que será a grande diferença no mundo civilizado, com certeza. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/07/pib-da-china-retoma-folego-apos-reabertura-e-cresce-32-no-2o-trimestre.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb&fbclid=IwAR3o2aeBZ3mQMTGtdSetkbf9aNIuTryEmF1y6v7YXUl7Bgnq7glL78z6znA

  2. O ministro Fux está certo. O homem deve ser julgado por seu caráter e comportamento social.

    Aliás, com relação ao comportamento social de Gilmar Mendes, o íntegro e corajoso jornalista Augusto Nunes o qualificou de “valente de live”, explicando que só é valente quando está longe das pessoas a quem agride.

    Foi nomeado para o STF por FHC.

    • O homem dever ser julgado pelo seu carácter e comportamento social? Richard Wagner foi uma pessoa de dificil convivência, mas um ótimo compositor; Steve Jobs era outro de quem muitos amavam estar distantes; o próprio Elon Musk não é tido como fácil. Mas todos contribuem ou contribruiram muito para
      a humanidade.
      Meu take nesse aspecto é de que ao procurarmos um expert, devemos escolhe-lo pela sua expertise.

  3. Qual a expertise dos militares indicados? Qual a formação?

    Colocar paraquedista com formação ao nível de tecnólogo nos 1º, 2º e 3º escalões do Ministério da Saúde, Ciência e Tecnologia, Orçamento e Gestão, assim como estatais, parece mais um projeto criminoso de Governo – citando o que Celso de Mello antes falou no mensalão e que melhor cabe aqui, eis que com uma pitada de chavismo que comprou os militares daquele país para, mais tarde, ter o apoio deles, juntamente com as milícias civis.

    • Nesse ponto estou com o senhor, Mr Mountain Lion. O exército pode ter gente boa, sem dúvida – mas para o exército! Se um general é tido como ótimo epidemiologista, algo deve estar errado. Ah, diria o Coisa: “o curriculum do general é ótimo: ele é um profissional em logística com bastante experiência, e muito disciplinado e trabalhador.” E eu diria em resposta: parabéns, mas que seja bem aproveitado no quartel.

  4. Quem defende uma ideia deveria sempre assumir a responsabilidade por ela, confessando que a defende por interesse próprio. Quando usa os outros para avalizar sua próprias opiniões, neste caso, está apenas agindo como um covarde.
    Todo discurso coletivista é assim. Quem o profere, como não tem coragem de confessar que o que deseja mesmo é que todo mundo seja controlado e perca suas liberdades, usa o bem comum como refúgio para sua sanha autoritária. Diz defender os outros, mas está defendendo mesmo é o seu próprio impulso despótico.
    Para isso, a sociedade, a humanidade, os pobres, as famílias da vítimas, os mortos, os doentes – ou seja, todo tipo de abstração de referência coletiva – são instrumentalizados em favor dos anseios ditatoriais daqueles que se apresentam como seus defensores.
    Com essa postura, o portador do discurso coletivista protege-se de qualquer ataque. A partir do momento que diz falar em favor do bem comum, qualquer ato seu está justificado. Ele não assume responsabilidade alguma. E se algo der errado, pode defender-se dizendo que foi apenas um porta-voz da vontade geral.
    No fundo, falar em nome da coletividade é apenas uma forma de impor os próprios desejos e convicções, sem o risco de ser culpabilizado por eles. Mais ainda, é uma maneira eficaz de fazer com que os discordantes fiquem constrangidos, por se colocarem contra aquilo que seria o melhor para todos.
    Quer ver como isso funciona? Então, levante sua voz contra o discurso coletivista e experimente toda a fúria daqueles que se dizem cheios de amor pelo mundo. No fundo Gilmar Mendes quer livrar o STF do gravíssimo erro que cometeu de autorizar os Governadores e Prefeitos a não obedecerem o governo federal e administrarem a pandemia por conta própria. Fracasso total. Corrupção generalizada. Muitas mortes poderiam ter sido evitado. Agora esse crápula quer livrar, melhor, lavar as mãos sujas de sangue o STF e botar a culpa no Bolsonaro.
    O tiro foi no próprio pé desse sujeito. O povo jamais perdoará essa corte podre.

  5. Militares são tão gente boa que teve um General que disse:
    “A Amazônia tinha que ser ocupada por 20 milhões”. (Tráfico de pessoas?)
    “Transformada numa nova Serra Pelada”. (Crime ambiental?)
    Dos quais 4 milhões
    se organizam na proteção territorial (formação de milícia?)

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