Gabeira é lançado com entusiasmo, mas esquece Marina

Pedro do Coutto

O deputado Fernando Gabeira, candidato da coligação PV-PSDB-DEM-PPS ao governo do Estado do Rio de janeiro, foi lançado com entusiasmo pela pré-convenção do Partido Verde, conseguiu finalmente o importante apoio eleitoral do prefeito de Caxias, Camilo Zito, mas contraditoriamente esqueceu de se referir à candidatura de Marina Silva à presidência  da República.

O ato, que era do PV, assim transformou-se em manifestação do PSDB, DEM e PPS. Os repórteres Rafael Galdo, O Globo, Luciana Nunes Leal, O Estado de São Paulo, e Sérgio Torres, Folha, focalizaram  com destaque tanto a manifestação quanto a lacuna. Acentuaram que, à última hora as faixas que se referiam a Marina Silva foram retiradas da sede do América Futebol Clube ou então cobertas por faixas e fotos do próprio Gabeira.

O que chocou os observadores foi o fato de que, numa manifestação do PV, e sendo Gabeira do partido, tenha ele omitido o nome da candidata verde à presidência da República. Ressaltando o conflito nítido entre o candidato e a legenda, Alfredo Sirkis e Aspásia Camargo não compareceram ao ato e não estão aparecendo na campanha. Sirkis, inclusive, afirma-se rompido com Gabeira. Aspásia foi retirada da chapa de candidatos ao Senado, composta por Cesar Maia (DEM) e Marcelo Cerqueira (PPS). Gabeira, frisaram os repórteres, referiu-se por uma vez a José Serra, candidato do PSDB à presidência. Nenhuma a Marina.

A meu ver Gabeira cometeu um erro: em primeiro lugar, sendo ele do PV, não podia deixar de citar Marina e muito menos concordado com a retirada de suas faixas ou da substituição de suas fotos por outras. Foi uma agressão à própria legenda e principalmente à senadora pelo Acre. Ao longo da campanha, vai refletir negativamente para ele. Praticou um gesto de menosprezo. Errou.

Pena que tenha enveredado por esse caminho, o da auto-suficiência, e se manifestado unicamente por Serra, quando no fundo sabe que dificilmente poderá manter sua dualidade de propósitos, ou seja, apoiar simultaneamente duas candidaturas à Presidência da república. Não tem cabimento, tampouco precedentes na história política brasileira. É impossível apoiar-se um candidato num dia e, ao mesmo tempo, outra candidata no outro. Parte do eleitorado ficará confusa com tal posicionamento.

Fernando Gabeira, entretanto, deu provas de que está forte junto as correntes de classe média da cidade do Rio, liderando na Zona Sul, Tijuca e Grajaú. À medida que a renda do eleitorado desce, cai também sua penetração. O que ocorre também no interior do Estado. Na Baixada Fluminense, sua força não deve ser das mais expressivas. A Baixada geralmente vota com o subúrbio do Rio.

Porém o problema de Gabeira não é ultrapassar Sergio Cabral no primeiro turno. É chegar à frente de Garotinho para se classificar ao desfecho final. Exatamente a mesma questão envolve o ex-governador: chegar à frente de Gabeira, no sentido de ir para o segundo turno com o atual governador. Garotinho e Gabeira  empenham-se por esta classificação, pois sabem muito bem – como a pesquisa recente do Sensus demonstrou – que não podem superar Sérgio Cabral na primeira etapa do confronto nas urnas.

O segundo turno é possível que aconteça, já que Cabral está com 41 pontos, Gabeira com 19, Garotinho  com 18. O segundo e o terceiro somam 37%. Os 4 pontos de diferença podem ser superados ao longo dos debates e da campanha eleitoral. Num quadro assim, Gabeira vai precisar muito dos verdes na reta final. Não foi uma boa seu comportamento domingo omitindo Marina.

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