Gabeira sai de cena: Sergio vence sozinho

Pedro do Coutto

O deputado Fernando Gabeira cometeu, sem pensar as palavras, um terrível erro na campanha pelo governo do Rio de Janeiro, na tarde de segunda-feira durante encontro que manteve com gestores de saúde. O repórter Rafael Galdo focalizou nitidamente a contradição do candidato, destacando o ataque que desfechou contra os partidos que o apóiam: PV, PSDB, PPS e DEM – disse – estão me apoiando muito mal. Meu compromisso não é com eles, conto com a sociedade. Em caso de vitória, fico mais à vontade para reduzir as funções de confiança.

Na realidade Gabeira rompeu com sua própria estrutura partidária e se descompromissou com as legendas. Afirmou exatamente aquilo que aqueles que as dirigem não queriam ouvir. Em outras palavras: Gabeira renunciou à disputa. O governador Sérgio Cabral, assim, pode vencer sozinho.

Ficou sem competidor, a menos que Anthony Garotinho reveja sua decisão de disputar um mandato de deputado federal e resolva concorrer ao  Palácio Guanabara. A atitude do candidato verde,  que balança entre Marina Silva e José Serra ao mesmo tempo, uma contradição pode ter usado sua insatisfação para sinalizar a renúncia. Está muito mal nas pesquisas. O IBOPE, há poucos dias, apontou 58 para o atual governador contra 14 pontos dele, Gabeira. Este quadro parece irreversível. Fernando Gabeira, adeus – seria uma boa frase para o epílogo da peça política que se ensaia no Rio.

Um outro assunto. Na mesma edição de O Globo a que me refiro, portanto 2 de agosto, foi publicada uma reportagem conjunta de Leila Suwan, Silvia Amorim e Sergio Roxo, focalizando os orçamentos financeiros apresentados pelos candidatos a presidente da República. A matéria é acompanhada de belo quadro gráfico a cores. Refere-se às previsões orçamentárias e acentua as doações percebidas por eles até agora. Uma brincadeira. Claro os repórteres não têm culpa – os comitês centrais lhes passaram os números. Aliás, vale frisar, absurdos. Dilma Rousseff elaborou um orçamento de 157 milhões de reais. José Serra apresentou 180 milhões estimados. Marina Silva 90 milhões de reais. Dos três, orçamento realista só o de Marina Silva. Isso porque ela não possui a menor possibilidade de êxito como demonstram todas as pesquisas. Os dois outros são exercícios franciscanos. Podem iludir jovens jornalistas. Não os mais velhos, como eu, por exemplo.

Ora, se há campanhas de deputado federal no RJ que saem por 10 milhões, às vezes até mais, não vão ser campanhas pela presidência da República, realizadas em todo o país, que vão custar 157 ou 180 milhões. Podem os leitores, calculando-se modestamente, estimar tais custos em vinte vezes mais. É só comparar as dimensões e sentir a diferença entre um plano e outro. Os horários na televisão e rádio são gratuitos (para os candidatos), mas as produções não. É só lembrar  que o próprio Duda Mendonça anunciou o montante que recebeu por seu trabalho de perfil e marketing da campanha de Lula em 2002. Diante da CPI do Mensalão, disse ter recebido (no exterior) 10 milhões de dólares. Isso uma pessoa só. Imaginem estruturas completas. Por quanto saem suas montagens? Não pode ser o que Roussef e Serra afirmam. Dos orçamentos previstos, Dilma já recebeu doações de 11,6 milhões; Serra 3,6 e Marina 4 milhões e 600 mil.

Os doadores, empresas e empresários, têm muita sensibilidade para projetos de poder e perspectivas  contribuições. É natural e humano que seja assim. Por isso, inclusive, a Procuradora Eleitoral Sandra Cureau tem toda razão no que disse ao repórter Roberto Maltchik: é impossível comprovar o caixa 2. Não há como.

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