Gastos pblicos e eleies

Luiz Tito

As ltimas semanas tm trazido com destaque a encruzilhada em que se acha o governo Dilma e a preocupao dos setores mais representativos da economia em relao aos frustrantes resultados que se desenham do dficit fiscal em 2013. O governo federal abriu descontroladamente a torneira das benesses, sem o necessrio cuidado com a gerao de recursos para prov-los, e agora se v oprimido para decidir no que cortar, sem os riscos que ameacem o apoio popular que busca nas prximas eleies. Na realidade, no h mais o que se oferecer sem grave repercusso e comprometimento dos j escassos recursos de caixa e o que est feito no se mostra suficiente para viabilizar sem dvidas a reeleio da presidente Dilma e de sua base de sustentao.

O ministro Mantega, um tcnico que nunca demonstrou fora poltica suficiente para conter o festival de ofertas da agenda eleitoral dos partidos da base de apoio, colocou na mesa os meios de que dispe: imediato endurecimento dos critrios de pagamento do seguro desemprego e do abono salarial e programas que custaro neste ano fiscal o valor de R$ 45 bilhes, quase 16% superior ao do ano de 2012.

A reviso do programa de renncia fiscal certamente afetar as vendas da indstria automotiva e dos produtos da linha branca. H uma unanimidade no entendimento de que necessria a reviso e endurecimento do programa de seguro desemprego, especialmente para se conter a fraude comum no seu recebimento. Milhares so os que simulam a situao prpria para embols-lo e so esses que o programa quer brecar.

Alm dessas medidas, Mantega quer tambm que o governo dificulte a ampliao dos custos da folha de salrios, cujo crescimento no corresponde melhoria dos servios e presena do prprio Estado onde sua atividade genuna e gritantemente reclamada pela populao.

MAIS MDICOS

O programa Mais Mdicos, tirado da cartola para responder aos protestos das ruas que tumultuaram o pas desde junho, contabiliza uma grande decepo, especialmente porque se importou de Cuba e de outros pases uma produo, quando no de profissionais de baixa qualidade, que padece de longa e demorada adaptao para atendimento das demandas brasileiras. Mais mdicos e mais problemas, quando nossas carncias vo muito alm: est mais reafirmado que precisamos de recursos bem aplicados e de rigorosa gesto dos mesmos.

O mesmo resultado est na educao e na segurana, demandas pouco afetadas com a engorda da folha de salrios. Continuamos com o mesmo nvel de carncias e desateno por parte das polticas pblicas. No se fala em se conter o desperdcio, em se coibir e punir a corrupo descarada, a perda de tempo e a ineficincia.

Nosso improviso e a falta de planejamento esto claramente demonstrados pela preocupao do ministro Mantega que s agora, no penltimo ms do exerccio fiscal, manifesta-se incomodado com o descontrole das contas pblicas. No Brasil nunca se conseguiu construir caminhos diferentes para fazer conviverem o rigor da gesto pblica e a batalha eleitoral. De comeo, banir a reeleio certamente j seria uma boa meta. (transcrito de O Tempo)

5 thoughts on “Gastos pblicos e eleies

  1. Se a presidenta DILMA ROUSSEFF, PT+TODOS-5, atuasse agora com muita fora para melhorar o deficit Fiscal, arriscaria perder as Eleies em Out/Nov/2014 e deixar um Brasil para a Oposio, com as Contas Pblicas bem melhor do que o atual. Melhor esperar poucas Reformas at as Eleies, pouca Descompresso dos Preos Administrados, especialmente Gasolina, e se preparar para o forte “Tranco” que vir a partir 01 Jan 2015, ( aumento de Impostos e reduo relativa dos gastos do Governo).

  2. Concordo em banir a reeleio. Da maneira como est o sistema atende aos anseios do governo petista que sobrepe o seu projeto de poder ao projeto de pas.

    Na verdade o PT no jamais teve algum projeto de pas. Concluso a que chegamos pelas metas imediatistas e a falta de diretrizes com resultados de mdio a longo prazos.

    O governo que a est no atende aos enseios da populao no que tange ao futuro do pas, mas, apenas aos seus prprios anseios de perpetuao no poder.

    No enxergar isto constitui-se grave falta.

    Quanto renncia fiscal, programa de estmulo tosco economia (setorial) adotado pelo governo imediatista e populista, que o adotou ao invs de conduzir um pacto federativo em torno de uma reforma tributria ampla e geral, gostaria de lembrar ao autor do texto que a renncia, at outubro, representou uma perda de arrecadao da ordem de R$64,350 bilhes, segundo a Receita Federal.

    Para se ter uma ideia do que isto representa, se juntssemos esse valor que deixou de ser arrecadado, at agora – faltam novembro e dezembro a serem computados – com o supervit de R$73 bilhes esperados para o Governo Central, teramos R$137,35 bilhes. Aproximadamente 3% de supervit primrio. O suficiente para cobrir os juros nominais da dvida pblica e obter supervit nominal.

    A irresponsabilidade do governo petista na conduo da economia com o fim de obter baixa taxa de desocupao e ganhar popularidade vai custar uma fortuna para todos os brasileiros, sem contar que jamais foi poltica sustentvel. E que l na frente iremos pagar caro esta conta que se avoluma.

    Eis a o perigo para aqueles que enxergam e tambm para aqueles que no enxergam a forma de conduo da poltica econmica do governo petista.

  3. O QUE O GOVERNO PETISTA DESEJA MARGEM PARA GASTAR O MXIMO POSSVEL EM PROL DE SUA CAMPANHA POPULISTA ELEITORAL SEM SE PREOCUPAR COM OS RESULTADOS PSTUMOS DA SUA IRRESPONSABILIDADE.

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    Dilma quer mudar regra para supervit primrio

    Em reunio com senadores, presidente pediu que seja votado projeto que desobriga a Unio de cobrir metas frustradas de Estados e municpios

    BRASLIA – Depois de propor um pacto nacional pela estabilidade fiscal, a presidente Dilma Rousseff defendeu nesta segunda-feira, em reunio com lderes de partidos no Senado, a flexibilizao das regras para a economia feita pelo setor pblico anualmente voltada ao pagamento de juros da dvida pblica – o chamado supervit primrio.

    At o ano passado, a Unio precisava compensar os valores sob responsabilidade de Estados e municpios, caso estes no o fizessem. Nesta segunda, Dilma e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmaram que o governo no teria mais como compensar o esforo frustrado das demais unidades da federao.

    “O ministro Mantega falou que estamos vivendo a poca das vacas magras”, relatou ao Broadcast Poltico o lder do PTB, senador Gim Argello (DF). “A presidente Dilma disse que no tem mais por que fazer isso”, disse o lder do PP no Senado, Benedito de Lira (AL).

    No encontro no Palcio do Planalto, Dilma Rousseff pediu aos lderes que votassem, hoje, um projeto de lei do Congresso Nacional que desobriga a Unio a cobrir as metas no alcanadas de Estados e municpios. Mas os parlamentares responderam presidente que a matria dificilmente seria aprovada e que no h clima no Parlamento para vot-la neste momento, segundo relatos.

    “A presidente disse que, para a Unio cumprir as suas metas, preciso ter cada nvel de governo cuidando das suas metas”, complementou o lder do PT no Senado, Wellington Dias (PI). Na reunio, a presidente lembrou que quando Estados e municpios estouram suas contas, a Unio arca com as despesas.

    O governo federal enfrenta fortes crticas sobre o descumprimento da meta fiscal. A Unio argumenta que isso se deve queda da arrecadao de impostos, que foi alimentada pelos cortes de tributos feitos para estimular a economia, e gastos excepcionais, como o funcionamento das usinas trmicas. Para atingir o supervit deste ano, o governo contou com receitas extraordinrias, como o bnus de assinatura do campo de Libra, e programas de refinanciamento de dvidas.

    Apelo. Nesta segunda-feira, a presidente voltou a fazer um apelo para que o Congresso no aprove propostas com impacto fiscal sem a previso de receita, tambm por conta do rombo que pode ser causado para Estados e municpios. Preocupa o Planalto proposies que criam pisos nacionais para categorias profissionais, como policiais federais e bombeiros e agentes de sade e endemias.

    Para a presidente, se o governo atender o pleito de algumas profisses, como agentes comunitrios, poder abrir a porta para a demanda de outras carreiras, o que vai onerar ainda mais os cofres da Unio

    (Transcrito do Estado)

  4. Senhores,ser que existe no mundo algum idiota que vai acertar tudo e perder a eleio, claro que no.O governo sabe que se mantiver a inflao sob controle ,o emprego num bom patamar, ningum tira a reeleio do” poste”.O povo parece idiota, mais no vai mudar aquilo que esta dando certo. A populao tem conscincia que todos aqueles que querem galgar o poder so todos farinha do mesmo saco. A nica coisa que a populao deve mudar comprar uma televiso para ver melhor a Copa do mundo, o resto conversa para boi dormir.Felizmente a histria pra ser contada ,hoje esto ressuscitando Jango,parabns,porm foi a pior fase da minha vida com faltas de produtos,leite e po s na ,madrugada,carne nem pensar,trens com atrasos de horas,enfim o que posso fazer sou democrata.

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