General advertia contra infiltração de militares estrangeiros nos cursos brasileiros de guerrilha na selva

Prezados,

O artigo abaixo é da autoria de meu pai, o General-de-Exército Paulo Campos Paiva (falecido em 2005), ex-combatente da “FEB” no 1º RI – REGIMENTO SAMPAIO e ministro chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (antigo EMFA). Foi publicado na “Revista do Clube Militar” em 2002, mas ainda é inteiramente pertinente para o tempo de incertezas e de baixa estima que estamos vivendo hoje. Liberdade de ação para o repasse. Quem quiser republicá-lo, que o faça, com o cuidado e a recomendação para que faça INDICAR a origem-REVISTA DO CLUBE MILITAR- no documento.

O meu abraço forte,

 Paiva CEL INF E EM

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Paulo Campos Paiva, general reformado

O Noticiário do Exército nº 9.988, publicou foto com a seguinte manchete: “Manaus – solenidade de abertura dos Cursos de Operações na Selva, categorias B (oficiais) e C (sargentos), no Centro de Instrução de Guerra na Selva. Foram matriculados nos referidos cursos 78 alunos, sendo 9 de nações amigas”.

Ensinando guerrilha na selva…

Destas nove nações amigas, com certeza, aí estão todas cujos governos, em algumas oportunidades, contestaram a soberania brasileira na Amazônia. Se ainda o reverso da medalha fosse viável pela presença de técnicos brasileiros nas instalações nucleares destes países, com direito a absorção de tecnologia correspondente. Mas isso não ocorre. Este segredo deve pertencer apenas a alguns privilegiados que não desejam repartir seu poder de barganha de maior peso na “diplomacia” internacional. E nós como ficamos?

Fica a pergunta: -“Por que não transformarmos a arte da guerra na selva , com suas técnicas sui-generis de combate, em tabu para esses noveis “templários do hemisfério norte”? Para esses, travestidos de “sagrados justiceiros da raça humana”, seria um segredinho apenas, modesto, simplório que fosse, porém, que grande valor teria para o Estado brasileiro resgatar, que seja, um resquício de altivez, apenas um pouquinho de amor próprio e do orgulho de sermos brasileiros,

Complementando esta linha-de-ação, de forma a prevenir qualquer desdobramento inconveniente, sem deixar de resguardar a valorização da opção pela estratégia da resistência, por que não transferir esse curso para as matas da Serra da Mantiqueira? Será que nossa soberania já é tão limitada que não se pode mais decidir onde, quando e como ministrar cursos/estágios para militares estrangeiros?

A Seção de Instrução Especial da AMAN. pelo que se sabe, aplica o Estágio de Vida na Selva e Técnicas Especiais na Área de Instrução Especial Capitão Lacerda e na região da Represa do Funil. Um estágio que comporta instruções de: obtenção de alimentos de origem animal e vegetal, obtenção de água e fogo, construção de abrigos, armadilha para caça e pesca e anti-pessoal, ofidismo, prática de sobrevivência, realização de tiro rápido, orientação em área de selva, técnicas aeromóveis, orientação e navegação fluviais etc.

O fato concreto, o paradoxo, a vulnerabilidade admitida são tão gritantes que, não importando o nível de conhecimentos repassados ou, mesmo, o tipo de atividade com que são entretidos, clama o questionamento: -“Por que adestrá-los justo na Amazônia, na sede do comando militar de área, principal responsável pelo planejamento e preparo da estratégia da resistência?

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