Genoino, emocionado, recebe a Medalha da Vitória, numa cerimônia que manchou a memória dos pracinhas que morreram na Itália

Carlos Newton

No último Dia das Mães, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, deu um presente homoafetivo a seu assessor José Genoino, ao condecorá-lo como a Medalha da Vitória, exclusiva a “ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira  e civis que tenham prestado serviços relevantes ou apoiado o Ministério da Defesa no cumprimento de suas missões constitucionais”.

Por favor, não entendam mal. Quando se usa a expressão “homoafetivo”, é sem conotação sexual, mostrando apenas a afetividade que hoje (sem interesse de parte a parte) existe entre o maior representante das Forças Armadas e o antigo guerrilheiro que tanto lutou, de armas na mão, para tirar os militares do poder.

“Olha, tem acontecido tanta coisa na minha vida e na história do Brasil que a gente só tem que acreditar no Brasil e no futuro, porque muita coisa surpreendente vem acontecendo positivamente”, desabafou Genoino, com os olhos marejados de emoção, comemorando a soma de seu salário de assessor com a aposentadoria que recebe da Câmara Federal, superior a R$ 20 mil por mês. Só faltou dizer, fazendo rima: “O ministro Jobim é uma mãe para mim”.

Já o titular da pasta da Defesa aproveitou a cerimônia para passar ao ataque. Fez questão de ele próprio condecorar Genoino, e declarou solenemente: “O que o Brasil deseja fazer é um grande ajuste de contas com seu futuro. O Brasil não quer retaliar seu passado”. E deu um comovido abraço em seu protegido.

Emocionante, se não fosse uma ofensa à cidadania, um escárnio aos cidadãos de bem, uma bofetada na face de quem trabalha honestamente para se manter, ao invés de abrir os bolsos para a corrupção e sair colocando dólares até na cueca, como aconteceu com o assessor do irmão de Genoino, na época do Mensalão.

Assim como todo cidadão é inocente até prova em contrário, todo cidadão denunciado à Justiça só é inocentado quando sua absolvição transita em julgado. Como se pode conceder a mais honrosa condecoração militar a quem está respondendo a processo no Supremo Tribunal Federal por corrupção e formação de quadrilha? Esse tipo de comportamento, sem dúvida, deveria significar a demissão do ministro, antes mesmo de concretizar o ato. Mas quem se interessa por isso?

Podíamos então indagar, mais uma vez: Que país é esse, Francelino Pereira? E ele responderia: “Pergunte ao Renato Russo, que era de Brasília”.

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