Geopolítica – os fatos portadores do futuro, como o gás de xisto nos EUA

Gelio Fregapani

A possibilidade de autossuficiência energética dos EUA com o gás de xisto, se confirmada, mudará os cenários previsíveis antes desse fato. Se antes a forte dependência dos combustíveis fósseis conduzia os EUA a uma política agressiva no Oriente Médio, visando garantir seu abastecimento, a autossuficiência lhes permitirá desligar-se daquela região, quer de seus aliados, quer de seus desafetos.

Jazidas mundias de xisto (AIE)

Com isto os EUA firmarão sua supremacia sobre os demais países e se tornarão mais ricos, mais fortes e menos vulneráveis. A China e a União Européia também serão beneficiados pela maior oferta de petróleo, mas os produtores verão reduzidos seus lucros. Mesmo com o novo alento da economia estadunidense, os dólares fora do território norte- americano terão que perder o valor, mesmo que signifique um calote internacional, pois senão tudo que houver nos EUA poderá ser comprado.

Os países prejudicados nada poderão fazer, pois os EUA, além de serem os mais fortes, praticamente não dependerão de ninguém mais. Entretanto, se confirmadas as expectativas de serem as reservas dos EUA maiores do que as da Arábia e a tecnologia tornar sua extração competitiva, os EUA passarão a ser um grande fornecedor, mudando mais uma vez o cenário.

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COMERCIO EXTERIOR

Com o tempo tudo se ajeitaria, mas o mundo não será igual ao que já foi. Os EUA, mesmo auto-suficientes em energia, não poderão competir com a China em comércio exterior. Terão que se contentar com o seu mercado interno. De uma forma ou de outra todos tenderão a se tornar protecionistas para proteger suas indústrias, e a China sentirá o impacto do protecionismo dos importadores.

Mesmo nesses cenários previsíveis, nosso País tem tudo para se tornar a nação mais privilegiada devido a seus incomparáveis recursos naturais, mas precisará manter uma união interna, ora sob ameaça. Terá também que nacionalizar sua tecnologia e seus meios de produção (nacionalizar não significa estatizar). Enquanto as indústrias aqui instaladas forem estrangeiras, enquanto a pesquisa e as tecnologias só evoluírem lá fora, o fruto dos bens aqui produzidos se esvairão pelos royalties e remessas de lucros como o sangue se esvai por veias abertas.

Um produto feito no Brasil é melhor para a economia do que o mesmo produto importado e significa um desenvolvimento em relação ao seu similar importado, mas não significa independência. É apenas Know How, não Know Why.

Traduzindo: A independência e o verdadeiro desenvolvimento são proporcionados pelos produtos feitos pelo Brasil (Made by Brazil), não somente os feitos no Brasil (Made in Brazil) Pense nisto antes da próxima compra.

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PETRÓLEO NO PARAGUAI

O presidente do Paraguai anunciou a descoberta de grande quantidade de petróleo na região do Chaco, na fronteira com o Brasil, Argentina e a Bolívia, dizendo que o Paraguai espera ser incluído na relação dos produtores de petróleo até junho de 2013. As empresas responsáveis pela exploração do produto são Crescent Global Oil, cuja sede fica no Texas, nos Estados Unidos, e Pirity Hidrocarbonetos. As perfurações ocorrerão a partir de dezembro deste ano.

Com dinheiro entrando, muita coisa mudará. Esperamos que as boas notícias se confirmem e desejamos boa sorte ao país vizinho, e que isto não o torne mais um enclave dos Estados Unidos na América do Sul.

 

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