Gerson a O Globo: uma viagem ao futebol através do tempo

Pedro do Coutto

Excelente – apenas excelente – a entrevista que o repórter Maurício Fonseca fez com o tricampeão do mundo Gerson viajando ao mundo mágico do futebol através do tempo. Foi publicada no caderno de esportes de O Globo de domingo, 23, e deve ser lida porque, sobretudo, é uma bela viagem.

Gerson, Canhotinha de Ouro, como é chamado, é comentarista da Rádio Globo e da Rede Bandeirantes de Televisão. O texto foi uma peça da história oral do esporte focalizando exemplos de técnica, tática, empenho ao longo dessa aventura emocionante chamada futebol. A paixão, não raras vezes, divide os gramados e as arquibancadas do mundo. Uma final de Copa, por exemplo, reúne em torno de 2 bilhões de pessoas, talvez até mais, do outro lado das telas de TV. Qual espetáculo reune um público universal assim? Há de existir uma razão explicando o fenômeno. Eu falei em aventura. Pois é. Na aventura dos times e dos craques e supercraques, todos nós entramos em campo e vivemos também a nossa aventura. As linhas do gramado dividem o mundo de OZ da vida real. Vamos com Gerson e Mauricio Fonseca na bela viagem.

Jogador é bom em qualquer época, assinalou Gerson, que no entanto faz ressalvas quanto aos estilos de atuar. Sente-se pelo texto da matéria que Didi é sua maior inspiração. Não só porque jogaram na mesma posição, como também pelos lançamentos à distância que ambos faziam com perfeição. Gerson recuou um pouco mais e encontrou Zizinho e Jair da Rosa Pinto, outros supercraques, mas estes já consagrados na década de 40. Didi despontaria em 49, aos 19 anos, num jogo Fluminense 2 X 1 Madureira, em Álvaro Chaves. Naquela tarde de domingo, saia de Conselheiro Galvão e chegaria meses depois à seleção carioca de novos.

No início de 50, (Gerson veio depois), pontificavam Domingos da Guia, o maior zagueiro central do futebol. Leônidas da Silva, Heleno de Freitas, Ademir Menezes, homens de frente, todos da seleção brasileira, centro-avantes, como se dizia à época. Claro  que ninguém pode ser testemunha de tudo. Gerson está, claro, neste caso. Mas suas declarações não apenas iluminaram o espaço verde do futebol, como também induzem a que, finalmente se faça uma pesquisa mais profunda sobre o esporte ao longo das décadas,comparando estilos e táticas.

Gerson destacou Romário, tanto por sua habilidade quanto pelo senso de colocação. Estava sempre no lugar certo para decidir um lance, uma partida, um campeonato. Aliás como fez em 94 nos EUA. Sem ele não teríamo9s vencido. Glória eterna a ele, a Gerson, Didi, Pelé, Garrincha, Nilton Santos, bicampeão 58/62 e único sobrevivente da seleção de 50. Não jogou, mas era reserva de Augusto na lateral direita, embora no Botafogo atuasse pela lateral esquerda.

Relativamente à parte técnica pode-se incluir Rivelino que aliás substituiu Gerson, machucado, na partida histórica de 70, um a zero contra a Inglaterra, gol de Jairzinho. O comentarista de hoje atribuiu a verdadeira importância a Tostão. Quanto à esfera tática, deveria ter lembrado Zito, do Santos, um dos grandes conhecedores do espaço a ser ocupado tanto nas ações defensivas, quanto mas ações ofensivas.

Enfim, penso que a entrevista de Gerson a Maurício Fonseca, a a partir de domingo, quando foi publicada, incorporou-se à própria história do futebol. Outros depoimentos virão depois do depoimento dele. Didi não poderá falar, pois já viajou para a eternidade. Pelo mesmo motivo, Jair da Rosa Pinto e Vavá,da mesma forma que Ademir Menezes, também não. Mas Luis Mendes felizmente está entre nós, Sérgio Noronha, Achiles Chirol. É importante que falem e juntem-se a Gerson no vôo da história que sempre leva à nostalgia, mas também ilumina e constrói o presente.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *