Gestão de Levy no BNDES foi marcada por atritos com governo e com funcionários

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Charge do Genildo (Arquivo Google)

Vinicius Neder
Estadão

Os seis meses de gestão de Joaquim Levy à frente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foram marcados por atritos tanto com o governo federal quanto com os funcionários da instituição de fomento. Desde que Levy foi indicado para o cargo, em novembro do ano passado, ainda na transição de governo, estava sinalizado que sua missão seria reduzir ainda mais o tamanho do banco. Diante da pressão nos dois lados, o banco ficou em compasso de espera, sinalizando que daria prioridade para infraestrutura, mas com o anúncio de poucas medidas concretas.

Embora o presidente Jair Bolsonaro tenha elevado o tom no sábado, declarando que já estava “por aqui” com Levy e ameaçando o presidente do BNDES com a demissão, o principal atrito com o governo era mesmo com a equipe econômica.

DEVOLUÇÃO – A tensão veio à tona no início de março, quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou explicitamente, em entrevista ao Estado, que o BNDES teria que devolver R$ 126 bilhões dos recursos tomados com o Tesouro Nacional e disse, sobre Levy: “Não sei se ele quer, mas vai ter de devolver”.

Com a declaração, Guedes trazia a público o atrito que já vinha de antes, sempre em torno da questão das devoluções do BNDES ao Tesouro. De 2008 a 2014, o BNDES recebeu R$ 416 bilhões em aportes do Tesouro Nacional. Inicialmente, os aportes foram parte da ação “contracíclica” do governo Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar a crise internacional de 2008, mas acabaram como estratégia do governo Dilma Rousseff para turbinar o crescimento econômico.

A medida sempre esteve entre as mais criticadas, especialmente por economistas de perfil mais liberal, no cardápio da política econômica dos governos do PT.

UMA FREADA – Quando o próprio Levy assumiu como ministro da Fazenda, no segundo governo Dilma, determinou uma freada na instituição de fomento. O último aporte, autorizado no fim de 2014, ainda na gestão de Guido Mantega no ministério, seria devolvido ainda em 2015. Com a chegada de Michel Temer ao Planalto, em maio de 2016, após o afastamento de Dilma, as devoluções seriam aceleradas. Ainda naquele ano, a então presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, devolveria R$ 100 bilhões a pedido do ministro Henrique Meirelles.

As devoluções seguiram no governo Temer. De 2015 a 2018, o banco já devolveu R$ 309 bilhões ao Tesouro Nacional. Em julho do ano passado, Fazenda e BNDES firmaram uma reestruturação da dívida com a União, antecipando o prazo final para devolução dos aportes de 2060 para 2040 e estabelecendo um cronograma anual de devoluções – entre 2019 e 2022, a devolução média era de R$ 25 bilhões ao ano. Para 2019, estavam previstos R$ 26,6 bilhões.

RITMO LENTO – Ainda na transição, a equipe de Guedes vinha sinalizando que achava o ritmo lento. Antes mesmo da indicação de Levy, o então diretor financeiro do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas, hoje conselheiro do banco, estimava que seria possível devolver mais R$ 40 bilhões este ano, além dos R$ 26,6 bilhões já previstos na reestruturação. Em dezembro, o Estado revelou que a equipe de transição de Guedes queria pelo menos R$ 100 bilhões este ano.

Para a ala mais liberal dos “Chicago oldies” de Guedes, o BNDES poderia se dedicar apenas às privatizações de estatais e estruturação de projetos de concessões de infraestrutura. Vendidas as estatais e concedidos os principais projetos de infraestrutura em carteira, o BNDES poderia até mesmo ser extinto.

EXATO VALOR – Levy participou dessas discussões no período de transição, mas assumiu o BNDES em janeiro sinalizando que as devoluções ao Tesouro poderiam não ser tão aceleradas assim. Na primeira entrevista coletiva, após cerimônia de transmissão de cargo no Rio, na primeira semana de janeiro, Levy evitou responder quando foi perguntado quanto o banco poderia devolver este ano: “O exato valor da devolução vai ser função tanto de perspectivas de retomada da economia quanto do melhor uso do nosso balanço”, afirmou Levy na ocasião.

Dias após a entrevista de Guedes ao Estado em março, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, assinou ofício pedindo mais R$ 100 bilhões, além dos R$ 26,6 bilhões já acordados. Ainda em março, em entrevista ao Estadão/Broadcast, Levy disse que o ritmo de devoluções dependeria do ritmo de retorno de crédito dos empréstimos já feitos pelo banco. Em maio, o BNDES devolveu R$ 30 bilhões do pedido adicional.

CAIXA PRETA – Apesar das suspeitas de Guedes, o principal atrito de Levy com a burocracia do banco não girava em torno da questão das devoluções, embora passasse por isso. O problema estava na tal “caixa preta” que, conforme promessa de campanha de Bolsonaro, teria que ser aberta logo no início do governo.

Para os funcionários, não há “caixa preta”, e Levy era pouco enfático na defesa pública do trabalho técnico do BNDES.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – As justificativas são as mesmas: 1) nomeação de diretores petistas; 2) resistência de abrir a “caixa-preta”; 3) valor da devolução de dinheiro ao governo. Mas há algumas outras coisas por trás disso, que a Tribuna da Internet vai explicar nesta segunda-feira. (C.N.)

4 thoughts on “Gestão de Levy no BNDES foi marcada por atritos com governo e com funcionários

  1. Aonde estamos nós? Um vagabundo dentro do nosso país cria inventa uma farsa para desestabilizar um governo eleito democraticamente. Esse fuleragem tem que ser enquadrado tem que responder pelos erros tem que ser preso.
    Vagabundo, vai pra Cuba vai Venezuela. Me desculpem mas não aguento não. Esse país não existe. Em qualquer republiqueta latrina americana esse vagabundo já estaria preso.

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