Gigantes do petróleo são alvo da “Sem Limites”, nova Operação da Lava Jato

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Executivos das empresas são presos pelos agentes federais

Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt
Estadão

A Operação Sem Limites, 57ª fase da Lava Jato deflagrada nesta quarta-feira, 5, investiga empresas do mercado internacional por suspeita de pagar milhões em propinas a funcionários da Petrobrás em troca de vantagens na aquisição de derivados do petróleo. Na mira, segundo o Ministério Público Federal, estão as gigantes Vitol, Trafigura e Glencore, com faturamento superior ao da estatal.

A Lava Jato suspeita que, entre 2011 e 2014, as três empresas efetuaram pagamentos de propinas para intermediários e funcionários da Petrobrás nos montantes, respectivamente, de US$ 5,1 milhões, US$ 6,1 milhões e US$ 4,1 milhões, relacionadas a mais de 160 operações de compra e venda de derivados de petróleo e aluguel de tanques para estocagem. Além dessas empresas, outras trading companies ainda continuam sendo investigadas por suspeitas de pagamento de propinas para funcionários da Petrobras.

PRISÕES PREVENTIVAS – A Sem Limites apura o pagamento total de pelo menos US$ 31 milhões em propinas para funcionários da Petrobrás, entre 2009 e 2014. A Polícia Federal cumpre 11 mandados de prisão preventiva, 27 de busca e apreensão e 1 de intimação, expedidos pelo Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba.

“As provas apontam que havia um esquema em que empresas investigadas pagavam propinas a funcionários da Petrobrás para obter facilidades, conseguir preços mais vantajosos e realizar contratos com maior frequência”, informa a Procuradoria da República em nota.

“Esses negócios diziam respeito à compra e venda (trading) no mercado internacional de óleos combustíveis (produtos utilizados para geração de energia térmica em fornos e caldeiras), gasóleo de vácuo (produto intermediário utilizado na produção de gasolina e diesel), bunker (combustível utilizado nos motores de navio) e asfalto.”

SETOR DE ABASTECIMENTO – Segundo a Lava Jato, os subornos beneficiavam funcionários da gerência executiva de Marketing e Comercialização, subordinada à diretoria de Abastecimento. As operações de trading e de locação que subsidiaram os esquemas de corrupção foram conduzidas pelo escritório da Petrobras em Houston, no estado do Texas, EUA, e pelo centro de operações no Rio de Janeiro.

Os investigadores relatam que alguns funcionários da Petrobrás corrompidos se referiam à diferença entre o preço de mercado de compra ou venda do petróleo ou derivados e o preço mais vantajoso concedido às tradings mediante pagamento de propina como “delta”. Trata-se de alusão à quarta letra do alfabeto grego “Δ” que, na matemática, é utilizada para representar a diferença entre duas variáveis.

VALOR DA FRAUDE – O “delta”, segundo a Lava Jato, correspondia ao valor da vantagem indevida obtida pela trading, que era dividido entre os beneficiários do esquema, o que incluía os operadores e os funcionários da Petrobras corrompidos. Alguns investigados chegavam a se referir a esse esquema de corrupção como “delta business”, ou negócio gerador de “delta”, em tradução livre.

Esta fase da Lava Jato é resultado do aprofundamento das investigações decorrentes da 44ª fase da operação. Trata-se de nova vertente de apuração em franca expansão.

“As trading companies comercializam de modo maciço e recorrente com a estatal brasileira no mercado internacional. Somente a Trafigura, entre 2004 e 2015, realizou cerca de 966 operações comerciais com a Petrobrás, as quais totalizaram o valor de aproximado de US$ 8,7 bilhões”, aponta a Procuradoria.

FOCO DE CORRUPÇÃO – Para a procuradora da República Jerusa Burmann Viecili, integrante da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal em Curitiba, ‘as operações da área comercial da Petrobrás no mercado internacional constituem um ambiente propício para o surgimento e pulverização de esquemas de corrupção’.

“O volume negociado é muito grande e poucos centavos a mais, nas negociações diárias, podem render milhões de dólares ao final do mês em propina”, afirma.

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa ressalta que ‘trata-se de esquema criminoso praticado ao longo de anos, com envolvimento de empresas gigantes de atuação internacional, parte delas com faturamento maior que o da própria Petrobrás’.

HAVERÁ DELAÇÃO – “Foram corrompidos funcionários da estatal, com evidências de que ao menos dois ainda estão em exercício, para que as operações de a compra e venda de derivados de petróleo favorecessem estas empresas. Os ilícitos estão sujeitos a punições no Brasil e no exterior”, declara.

“É do interesse da sociedade conhecer o esquema em toda a sua extensão e recuperar o dinheiro desviado, o que, como no começo da Lava Jato, abre oportunidades para a colaboração de réus e empresas que primeiro se apresentarem. Já há perspectivas reais, aliás, de colaboração, mas não há espaço para todos, sejam corruptos ou corruptores.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAgora a Lava jato chegou realmente ao grande foco de corrupção na Petrobras, que existia desde o regime militar, quando o Brasil era grande exportador. Quando a Petrobras estiver realmente limpa, se tornará uma das maiores petroleiras do mundo, podem apostar. (C.N.) 

9 thoughts on “Gigantes do petróleo são alvo da “Sem Limites”, nova Operação da Lava Jato

  1. Petroleira em mau estado é prova de incompetência, infelizmente a nossa estatal do petróleo estava nas mãos de ladrões, corruptos e incompetentes. Vamos ver se daqui para frente vamos somente ter competentes na administração da nossa estatal. E torná-la tão capaz e eficiente como já foi no passado.

  2. E a grade compra da Passadena já está liquidada?
    PETROBRÁS HOJE
    Podem “caducar” as ações judiciais?
    Será que estão esperando que morram os principais atores?

    PETROBRÁS ONTEM
    Quando ouço cobrança de roubos no período militar, duas coisinhas me saltam aos olhos:
    1. a maioria dos que mandavam já morreram e, portanto, não poderão ser punidos e/ou cobrados:
    2. será jogo de cena ou cortina de fumaça para diminuir ou fazer sumir os roubos praticados nas duas últimas décadas?

    Em tempo:
    Apenas para o grande e impoluto ministro Ricardo Lewandoski.
    “”…a maioria dos que mandavam já morreram e, portanto, não poderão ser punidos E/OU cobrados:” O “e/ou”, em nossa língua significa e+ou e não apenas “e ou “ou”.

    Gosto de repassar os ensinamentos recebidos.

    Fallavena

  3. Enquanto estiver nas mãos do Estado os pagamentos indevidos serão tentados pelos gestores pois acham que nunca serão pegos.
    O melhor é privatizar tudo e já.
    Grandes países do Ocidente não são donos de petroleiras.
    Petrobrás é um enorme cabidão de empregos em que o eleitor contribuinte paga a conta como otários.

  4. O que me causa estranhamento (é, esta palavra existe), são alguns comentaristas só verem o erro de um partido, ou não sabem ou fingem que não sabem que na era do partido do coração deles a Petrobras sofreu malfeitos também e ficam escrevendo sobre Pasadena. Ainda tem gente bem viva ainda que também praticou malfeitos e os processos rolam, rolam e rolam até prescreverem.

    https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2016/06/presidentes-da-petrobras-e-do-bndes-sao-reus-em-acao-por-rombo-bilionario-9872.html

    Por que não comenta nada na matéria que tem a foto do Japonês da Petrobras?

  5. quem do regime militar teria se beneficiado? indica os nomes ou é calunia? eu sou filho de oficial gneral da epoca e agora quero saber que historia é essa ou tu estas querendo incriminar pra ingles ver? vamos lá, como advogado eu quero saber quem do regime se beneficiou….

    • Quem se beneficiou – e todos sabem – foi Shigeaki Ueki, que foi presidente da Petrobras e ministro de Minas e Energia. É considerou um dos homens mais ricos do Texas, onde ganha dinheiro como criador de gado e extração de petróleo. Isso é fato público e notório. Ninguém te contou?

      CN

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