Gilberto Carvalho critica Dilma por não dialogar com ninguém

João Fellet
BBC Brasil

Chefe da Secretaria-Geral da Presidência, responsável pela ponte entre o Palácio do Planalto e os movimentos sociais, o ministro Gilberto Carvalho afirma que a presidente Dilma Rousseff se afastou dos “principais atores na economia e na política” nos últimos quatro anos.

“O governo da presidenta Dilma deixou de fazer da maneira tão intensa, como era feito no tempo do (ex-presidente) Lula, esse diálogo de chamar os atores antes de tomar decisões. De ouvir com cuidado e ouvir muitos diferentes, para produzir sínteses que contemplassem os interesses diversos”, afirma Carvalho.

Em entrevista à BBC Brasil, na qual fez um balanço dos últimos quatro anos de governo, o ministro admite ainda que a atual gestão “avançou pouco” em demandas de movimentos sociais, sobretudo nas reformas agrária e urbana e na demarcação de terras indígenas.

Ele defendeu, no entanto, o envio da Força Nacional de Segurança para reprimir protestos de indígenas contra a construção da usina de Belo Monte e disse que, se necessário, a mesma postura será adotada no rio Tapajós, no Pará, onde há planos de erguer mais hidrelétricas nos próximos anos.

BBC Brasil – Em seu primeiro discurso após ser reeleita, a presidente prometeu ampliar o diálogo com a sociedade. Foi um reconhecimento de que o governo falhou nessa área?

Gilberto Carvalho – A fala da presidenta estava voltada para a necessidade de reunificação do país, porque uma campanha eleitoral deixa sequelas. Mas houve deficiências, é verdade. O governo praticou o diálogo nesses anos, mas, para o padrão da sociedade brasileira hoje, há muito que fazer.

Em que pontos?

Sobretudo no diálogo com os principais atores na economia e na política. O governo da presidenta Dilma deixou de fazer da maneira tão intensa, como era feito no tempo do Lula, esse diálogo de chamar os atores antes de tomar decisão – de ouvir com cuidado, e ouvir muitos diferentes, para produzir sínteses que contemplassem os interesses diversos. Há uma disposição explícita da presidenta em alterar essa prática.

Não faltou diálogo com os movimentos sociais, o que faltou foi o atendimento das demandas. A reforma agrária e a questão indígena avançaram pouco. A reforma urbana também decepcionou.

Movimentos sociais também se queixam da falta de diálogo.

Não faltou diálogo, o que faltou no caso dos movimentos sociais foi o atendimento das demandas. A reforma agrária e a questão indígena avançaram pouco. A reforma urbana – as estruturas de funcionamento das cidades, a mobilidade urbana – também não foi o que os movimentos esperavam.

Como avançar nesses temas?

Uma parte compete à presidenta. É ela que deve receber no gabinete as forças dos diversos setores da sociedade. Se o presidente pratica mais diálogo, induz o conjunto do governo a praticar.

Para o atendimento das demandas, tem de fortalecer alguns órgãos de governo. No caso da reforma agrária, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). No caso da política indigenista, a Funai (Fundação Nacional do Índio). Isso implica aumentar o orçamento, fazer concurso, comprar terrenos, indenizar quem está em terra indígena.

A Funai está sem presidente efetivo desde junho de 2013, e o governo paralisou todas as demarcações de terras indígenas. Por que crer que nos próximos quatro anos a política indigenista mudará?

No final do governo, fizemos uma avaliação com a presidenta e ela própria expressou que temos que avançar. Para ela são duas preocupações: a reformulação da saúde indígena e a demarcação, mudando a lei e colocando no orçamento recursos para indenizar famílias que estão em terras indígenas.

Nosso foco é sobretudo os guarani kaiowá e os terenas no Mato Grosso do Sul, onde a stuação é de miséria absoluta, morte, suicídio.

Agora não se pode deixar de reconhecer que cresceu muito, e infelizmente só tende a crescer mais, uma resistência ideológica e econômica fortíssima à questão indígena, que se representa fortemente no Congresso.

O governo não colaborou para fortalecer essa resistência quando a Advocacia Geral da União (AGU) publicou a portaria 303, ampliando as restrições ao reconhecimento de áreas indígenas, ou quando a Casa Civil anunciou que outros órgãos, como a Embrapa, passariam a atuar nas demarcações? Foram tiros no pé?

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como Gilberto Carvalho só faz o que Lula manda, nota-se claramente que a crise no PT é grave. Dilma, decididamente, não está agradando nem a seu próprio partido. Ninguém acredita nela, ninguém confia nela. E la nave va… (C.N.)

10 thoughts on “Gilberto Carvalho critica Dilma por não dialogar com ninguém

  1. Autoridades dos Estados Unidos estão investigando o envolvimento da Petrobras e de seus funcionários em um suposto esquema de pagamento de propinas, segundo reportagem publicada neste domingo pelo “Financial Times” em sua página na internet. Conforme o jornal, fontes familiarizadas com o assunto contaram que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal sobre a empresa, que tem ADRs (do inglês American Depositary Receipt) listados em Nova York, enquanto a Securities and Exchange Commission (SEC), que regula o mercado de capitais americano, está buscando um inquérito civil.

    . A reportagem lembra que a estatal, a maior empresa brasileira, é alvo de investigações pela Polícia Federal e pelo Ministério Público que podem culminar na revelação de “um dos maiores casos de corrupção da história do país”. O jornal também destaca que muitos dos problemas apontados na Petrobras teriam ocorrido quando a presidente reeleita Dilma Rousseff estava à frente do conselho de administração da empresa.

    . “As autoridades dos Estados Unidos estão investigando se a Petrobras ou seus funcionários, intermediários ou prestadores de serviços violaram a Lei de Práticas Corruptas no Exterior [tradução livre de Foreign Corrupt Practices Act], uma lei anticorrupção que torna ilegal subornar funcionários estrangeiros para ganhar ou manter negócios”, indica a reportagem, citando as mesmas fontes como origem da informação.

    No Brasil, segue o texto, promotores alegam que a estatal e seus fornecedores superfaturaram custos de projetos e aquisições em “centenas de milhares de dólares e repassaram parte dos recursos para políticos da coalizão governista liderada pelo Partido dos Trabalhadores”. Segundo o Financial Times, o Departamento de Justiça e a SEC declinaram de comentar o assunto e a Petrobras não respondeu o pedido de entrevista.

  2. Eleita foi graças ao prestigio do Lula e de seu governo de 8 anos sob céu de brigadeiro. Reeleita foi a duras penas contra um pangaré repudiado até em seu próprio estado. Se não retificar rapidinho seus métodos, pode vir a ter sérios problemas de governabilidade. E depois dar uma de um de seus predecessores tarde demais com a famosa frase GENTE, NÃO ME ABANDONEM.

  3. A melhor solução para o PT é um expurgo total, excluindo de seus quadros todos ricos e classe média alta, a saber: Lula, Dilma, Mercadante, Marilena Chaui, Marta, Zé Dirceu, Diretores da CUT e mais uns 60/70 mil, para poder voltar as origens ou seja, um verdadeiro Partido dos Trabalhadores e, não mais apenas de ricos e classe média alta.

  4. A melhor solução para o PT é fazer um bom governo em Minas, para que o Fernando Pimentel seja o próximo presidente do Brasil, e, assim, os 20 anos de PT se consolidará. Pimentel 2018 !

  5. e quando é que o BARBA-DELATOR-DEDODURO e o seu sacrista, esse aí, o anacronizado, vão processar o Delegado Tuma Júnior? O Brasil inteiro, ansioso, quer ver o Júnior, sem delação premiada, nas barras dos tribunais.

    e a Rosemary dos vôos ardentes, a Rosemary do bebarrão, cadê-la?

      • Esta notícia me surpreendeu.
        O STJ aceitou o mandato de segurança autorizando o acesso aos dados do cartão da Rosemary Noronha “com as discriminações de tipo, data, valor das transações e CNPJ/razão social”.
        Vamos ver se é para valer e nenhum ministro do STF se mete no meio aceitando alguma liminar bolivariana censurando este acesso.
        Aguardemos.

  6. Sei não…

    Gilbertinho, porteiro e segurança da caverna do Ali Barba falando em ética, reunificação e “agora, a coisa vai pra frente”, parece script de programa humorístico, mas não é..
    A situação está mais para o comentado no rodapé, pelo Moderador. Permita-me:

    “NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como Gilberto Carvalho só faz o que Lula manda, nota-se claramente que a crise no PT é grave. Dilma, decididamente, não está agradando nem a seu próprio partido. Ninguém acredita nela, ninguém confia nela. E la nave va… (C.N.)”

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