Gilmar Mendes concede mais 60 dias para a PF concluir investigação de Aécio

O ministro do STF Gilmar Mendes durante sessão do tribunal (Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo)

Gilmar não teve como recusar o pedido da PF

Por G1, Brasília

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu mais 60 dias para a Polícia Federal (PF) concluir as investigações sobre o envolvimento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) em supostas irregularidades cometidas em Furnas, subsidiária da Eletrobras em Minas Gerais que gera energia elétrica. A investigação sobre o parlamentar tucano é um desdobramento da Operação Lava Jato. Aécio é suspeito de ter recebido propinas, por intermédio do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo a partir de dinheiro desviado em contratos com empresas terceirizadas.

Em sua delação premiada, o senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MS) contou ao Ministério Público que Aécio foi beneficiário de um “grande esquema de corrupção” na estatal Furnas.

VÍNCULO FORTE – Esse esquema, segundo Delcício, era operacionalizado por Dimas Toledo, ex-diretor de Engenharia da empresa que teria “vínculo muito forte” com Aécio.

A Polícia Federal apura a suposta prática de corrupção e lavagem de dinheiro a partir de desvios da estatal mineira, uma das maiores subsidiárias na Eletrobras na produção de energia.

No despacho em que autorizou a prorrogação do inquérito, Gilmar Mendes afirmou que o regimento interno do STF permite que os ministros da Corte concedam mais prazo aos investigadores quando solicitado e devidamente fundamentado pela autoridade policial ou pelo procurador-geral da República desde que apontadas as diligências que faltam ser concluídas.

DINHEIRO DESVIADO – Segundo o Ministério Público Federal, o dinheiro desviado de Furnas era destinado ao financiamento de campanhas políticas e ao enriquecimento de agentes públicos, políticos, empresários e lobistas. As investigações apontam que o crime teria sido cometido entre 2000 e 2008.

Em um dos trechos de sua delação premiada, Delcídio do Amaral relatou que, durante uma viagem com Luiz Inácio Lula da Silva em 2005, o ex-presidente da República questionou a ele quem era Toledo. O então senador apresentou o ex-dirigente de Furnas como “um companheiro do setor elétrico, muito competente”.

Ainda de acordo com Delcídio, Lula contou nesta mesma conversa que, no ano em que ele assumiu o comando do Palácio do Planalto, Aécio, o PT e o ex-deputado José Janene (PP-PR) – que morreu em 2010 – pediram que Toledo permanecesse no cargo.

AÉCIO NEGA TUDO – Em maio, ao depor ao MPF, Aécio alegou que “não indicou nenhum nome para participar do Ministério de Minas e Energia e nem de nenhuma empresa ou estatal do setor elétrico”.

O tucano disse aos procuradores da República que conheceu Dimas Toledo na segunda metade da década de 1990, quando ele já era diretor de Engenharia de Furnas. À época, conforme Aécio, se discutia compensações da estatal para os municípios mineiros afetados pelo lago de Furnas.

Aécio relatou, ainda, que não realizou nenhum tipo de pedido ou gestão, seja ao ex-presidente Lula, seja “a qualquer integrante de seu governo”, para que Dimas Toledo permanecesse a frente da diretoria.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A situação é igualzinha ao slogan famoso da Rede Globo – Aécio Neves e Furnas, tudo a ver. Era uma relação mais do que conhecida, porém jamais comprovada. Agora, as investigações enfim estão chegando lá. (C.N.)

2 thoughts on “Gilmar Mendes concede mais 60 dias para a PF concluir investigação de Aécio

  1. Isto que estão fazendo, é uma tática muito comum no futebol. Embolar o meio de campo, e ninguém faz gol em lado nenhum.
    Estão puxando todos o políticos de expressão para o “rolo”, com um único objetivo, livrar a cara de todos.
    Tem gente sendo acusada, sem qualquer investigação anterior, só na base do ouvi dizer.
    O Aécio ainda não aparece uma só situação de comprovação explícita e no entanto já prenderam a irmã dele e até o tiraram do Senado.
    A acusação não pode ser mais cretina possível, pedir dinheiro a um vagabundo e dizer alguns palavrões.
    Imagina se forem enquadrados por falta de decoro, todos os políticos que fazem do mandato uma pornografia política com os contribuintes.

  2. “E LA NAVE VA”. O surrealismo de então, criado por Fellini, pode ser sentido por aqui, nestes momentos escabrosos da vida nacional. Quem sabe o grotesco surrealismo de Dali pudesse se juntar nessa correlação. Só que ambos os surrealismos, o de Fellini e o de Dali, são grotestos belos, da arte, que contribuem para a estruturação cultural, enquanto o nosso surrealismo social-governamental-político está levando o nosso Brasil ao desmanche dos fundamentos que formam uma Nação.

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