Gleisi Hoffmann dá o tom do governo diante do Supremo

Pedro do Coutto

Numa entrevista às repórteres Natuza Nery e Estelita Hass Carrazai, Folha de São Paulo de 29, ministra Gleisi Hoffmann, chefa da Casa Civil, afirmou que o PT tem que respeitar o Supremo Tribunal Federal e, mesmo discordando de suas decisões, deve acaitá-las. Por uma coincidência, na mesma página a FSP publicou declarações do presidente nacional do Partido dos Trabalhadores criticando exatamente a Corte Suprema.

A ministra celebrava a vitória de Gustavo Fruet em Curitiba a quem apoiou. Senadora pela legenda do PT, surge como possível candidata ao governo do Paraná em 2014. Mas esta é outra questão. Gleisi, claro, referia-se ao processo do mensalão e, exatamente por isso, deu o tom do governo quanto aos acontecimentos. Claro que não poderia ser outro o comportamento do governo. Porém acentuar a posição política é sempre importante. Sobretudo no momento em que o STF prepara-se para fixar as penas àqueles a quem condenou.

As palavras da titular da Casa Civil soaram assim como uma forma de tornar do conhecimento público o posicionamento da presidente Dilma Rousseff em relação ao caso e suas consequências. Assim como quem interpreta o panorama surgido em consequência os votos nas urnas populares e os pronunciados através da toga dos magistrados.

O Palácio do Planalto, pode-se entender, num momento extremamente propício de fortalecimento democrático, aproveitou para se colocar distante de qualquer manifestação contra o Supremo. A mensagem não terá certamente sido mera coincidência. O governo deixou claro como interpreta todo o episódio.

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ABSTENÇÃO NO 2º TURNO

Matéria de Cristiane Bonfanti, O Globo também de 29, reproduz afirmações da ministra Carmen Lúcia, presidente do TSE, afirmando-se preocupada com o índice de abstenção de 19% registrado no segundo turno, quando no primeiro foi de 16,4%. O fenômeno tem explicações lógicas, não há motivo para alarme. O primeiro turno reúne sempre maior número de candidatos – claro – do que o segundo, este limitado a dois. Há, portanto, maiores opções à disposição dos eleitores.

Mas não é só isso. Grande número de eleições municipais foi decidido no primeiro turno. Inclusive nos municípios de menor população e portanto eleitorado, qualquer vitória é decidida em um turno só. Não termina aí, no entanto, as razões.

No Brasil o voto é obrigatório para os maiores de 18 e para os que não tem 70 anos de idade. Provavelmente para uma boa parte dos eleitores, o voto dado no primeiro turno os desobriga de comparecer novamente à votação. Fator de desconhecimento. Daí porque de uma abstenção geral média de 16,4% passou-se em três semanas para outra de 19 pontos. Propaganda e apelo não faltaram. Espaço na televisão, nos jornais e emissoras de rádio também não. A abstenção poderia ter sido menor. Mas em parte também tem que se levar em conta a idade do eleitorado.

Hoje há uma população  de 70 anos maior do que havia até poucos anos atrás. Além-de todo esse conjunto de hipóteses, existe ainda as condições do tempo, se houver fortes chuvas em determinadas áreas ou não. Pois o mau tempo influi no índice de comparecimento. Seja lá como for, eleição é, no fundo, uma afirmação democrática. Coletiva. Inultrapassável como manifestação social. É quando o povo tem vez e voz. Que seja sempre assim.

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