Governador Agnelo Queiroz respira aliviado, mas seu mapa astral indica que o pesadelo ainda não acabou.

Carlos Newton

O governador petista Agnelo Queiroz teve ontem momentos de grande alívio. Alvo de uma saraivada de denúncias, que começam quando era diretor da Anvisa (Vigilância Sanitária), passam por sua gestão no Ministério do Esporte e deságuam no governo do Distrito Federal, Queiroz subitamente ganhou um alento com a notícia de que a quadrilha de Carlinhos Cachoeira tencionava chantageá-lo.

Reportagem de Lilian Tahan e Ana Maria Campos, no Correio Braziliense, mostram que conversas interceptadas pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Monte Carlo indicam que o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), apontado como o braço parlamentar do esquema liderado por Cachoeira, atacou o governador Agnelo Queiroz dentro de uma estratégia para pressioná-lo a atender os interesses da Delta Construções.

Em trechos gravados desde dezembro de 2010, há demonstrações de que a quadrilha de Cachoeira queria indicar uma pessoa de confiança da organização na presidência do Serviço de Limpeza Urbana, órgão que controla os contratos de lixo no DF.

Em meio a uma crise provocada pelas denúncias de irregularidades no Ministério do Esporte e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agnelo Queiros tornou-se motivo de conversas em que o araponga Idalberto Matias, conhecido como Dadá, discute com Cachoeira qual o melhor momento para desgastar o governador.

Diz Dadá ao bicheiro: “Primeiro tem que conversar com Cláudio e Fernando porque eles querem que bata”.

Considerado um dos mais frequentes interlocutores do Cachoeira e lobista da Delta, Dadá avalia com Cachoeira a participação de Demóstenes no processo de desconstrução da imagem de Queiroz. O diálogo sugere que Dadá se referia a Cláudio Abreu (o representante da Delta no Centro-Oeste) e a Fernando Cavendish (o dono da construtora).

Na conversa, eles chegam à conclusão de que, em vez de usar dossiês de opositores, deveriam aguardar uma suposta denúncia contra Agnelo que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, estaria prestes a apresentar.

Com a divulgação dessa trama, Agnelo Queiroz ficou aliviado, mas só momentaneamente. Muita água ainda vai passar pela ponte da CPI do Cachoeira, e o governador não conseguirá escapar incólume. Oriundo do PCdoB, ele é considerado um estranho no ninho do PT, que não pretende se desgastar defendendo Queiroz  na CPI.

As trapalhadas dele no governo chegaram a tal ponto que o próprio Planalto teve de intervir, obrigando Agnelo Queiroz a nomear para a Casa Civil um ex-assessor da presidente Dilma Rousseff, para conduzir a administração do Distrito Federal, que é considerada caótica.

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