Governadores estão certos: sem reajuste salarial, funcionários não podem enfrentar os preços

Charge do Rodrigo (expresso.pt)

Pedro do Coutto

Vinte e dois governadores estaduais anunciaram reajuste aos funcionários públicos a partir de janeiro deste ano. Antes, portanto, do prazo máximo para qualquer aumento nominal que se esgota no mês de abril, seis meses antes das eleições.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, se encontra entre os governadores que concedem o reajuste. O governador de São Paulo, João Doria, ao contrário, e também o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

SEM REPOSIÇÃO – A decisão é lógica. Os funcionários encontram-se desde 2017 sem uma reposição inflacionária. Enquanto isso os preços sobem sem parar. Chega a um ponto, como estamos muito próximos, de uma impossibilidade de saldar os compromissos obrigatórios, como é o caso da alimentação, da energia elétrica, das tarifas de transporte, do gás e das despesas com as escolas dos filhos, incluindo cadernos e livros.

Esses dados já bastam para destacar bem nitidamente a impossibilidade de os salários congelados poderem enfrentar a escala incessante dos preços. No O Globo, Marlen Couto e Bernardo Melo, numa excelente reportagem, focalizam o problema e apresentam a relação dos governadores, dividindo-os entre os que estão dispostos a reajustar o funcionalismo e os que sustentam não ter condições.

POSIÇÃO DE DORIA  – Compreensível, em consequência das inundações que atingiram o seu estado e desabrigaram mais de 600 mil pessoas, o governador Rui Costa da Bahia. A posição do governador João Doria vai deixá-lo muito mal junto ao eleitorado paulista, tanto em seu voo para Brasília, quanto em relação ao seu apoio ao vice-governador.

Enquanto isso, Geralda Doca e Eliana Oliveira, também O Globo de ontem, destacam declarações do ministro Paulo Guedes de que vai continuar lutando pela sua agenda, mesmo neste ano eleitoral que altera o ambiente político do país. Reconhece que está enfrentando dificuldades, inclusive em seu projeto de privatizações de empresas estatais.

PIB FRACO –  Na manhã de ontem, a GloboNews divulgou declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, prevendo inflação de apenas 5% no ano que começa. Disse também que o Produto Interno Bruto deve crescer apenas 0,36%. Um desastre, pois a população cresce 1% a cada 12 meses e o PIB não pode perder a corrida contra a taxa demográfica, pois neste caso cai a renda per capita brasileira.

Na edição de ontem, Folha de S.Paulo, Larissa Garcia, em reportagem de grande destaque, assinala que Roberto Campo Neto vai divulgar o sexto documento de sua administração para tentar justificar o índice inflacionário fora da meta. Ele, conforme assinalei, prevê 5%. Mas é a antiga questão, 5% sobre o quê? Sobre os 10,7% do ano passado? Ou 5% sobre a situação anterior a 2021? Sim, pois são situações diversas.

7 thoughts on “Governadores estão certos: sem reajuste salarial, funcionários não podem enfrentar os preços

  1. Estamos revivendo o período FHC. Nada de aumento para a inflação não disparar.
    Em dez 2002 a inflação foi de 12,5%. Lembram?
    Quem quebrou o Brasil?

  2. Diferentemente dos 22 governadores e alguns prefeitos o mito só quer reajustar os salários de só uma categoria profissional, perdeu os votos dos que não receberam reajuste. E serão muitos milhões de votos.

    • Esses estão numa penúria… nem consigo me colocando no lugar deles. Mas certamente, me colocando, talvez seria a pindaíba que passava nos tempos de estagiário, e ainda com mulher e filhos. Ou seja, numa miséria só, possivelmente morando numa comunidade e longe do trabalho.

  3. Desde 2017 não todos. No meu desde 2015 o último.
    Cancelei várias coisas para reduzir os gastos e ainda estou quase tendo que mudar por força do aluguel.
    Quero meu reajuste inflacionário retroativo.

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