Governadores que em alguns casos, nem se elegeram, por vontade deles mesmos passam a receber a vida inteira pelo que não fizeram mas eternizaram.

Helio Fernandes

Se forem fazer levantamento a respeito do que esses cidadãos acumularam em matéria de salários e outras vantagens, o estarrecimento será total. Aposentadoria pelo resto da vida, para cidadãos que foram eleitos (desculpem, mas eles se chamam assim) para determinados cargos, inacreditável.

E não apenas para governadores que ficaram quatro anos no Poder, saíam, iam para o Senado, conseguiam novo mandato. A partir de 1998 não precisaram sair para voltar, “ficavam”, como dizem os bem jovens, numa transa imoral entre o dinheiro usurpado do Poder e a remuneração dupla. A que recebiam no exercício do cargo. E a que “delegaram” a eles mesmos, para todo o sempre.

Alguns têm vários mandatos de governadores, receberão por um mandato exercido (?) ou por todos? Depois da inconsitucionalíssima emenda da reeeleição, então a balburdia passou a ser completa e não apenas financeira.

Modificaram a Constituição para satisfazer a ânsia e a ambição de Poder de FHC e dos que vieram a seguir, mas violentaram o direito, o bom senso, o princípio estabelecido de que “quem pode o mais, pode o menos”. Mais óbvio, impossível.

Vejam estes dois exemplos presidenciais, mas que servem para todos os governadores. FHC foi eleito em 1994. Mandato de quatro anos. Em 1998, aprovou a imoralíssima reeleição, que feriu uma das cláusulas pétreas desde a República. Para se reeeleger, bastava se lançar e ter mais votos do que os adversários, ganhava (?) mais quatros anos.

Para ser novamente presidente, não precisava deixar o cargo, disputava e ficava. Mas se por qualquer motivo (que nem precisa de explicação), resolvesse, digamos, concorrer a qualquer outro cargo, teria que deixar o governo seis meses antes da eleição.

Como é a teoria do absurdo que eles mesmos implantaram, só isto: se FHC em vez de se reeleger presidente decidisse ser apenas VICE, teria que se desincompatibilizar. Ha! Ha! Ha.

Para não usar muito espaço, podem repetir tudo com o também presidente Lula. (Aqui, não quero hostilizar FHC ou Lula, e sim ressaltar, registrar e ressalvar que chancelaram, que palavra, tudo o que foi feito e aproveitado por deles).

Encerrado o capítulo constitucional e financeiro, sobra apenas o ético, moral, exemplar. Presidentes e governadores devem ou deveriam servir de comparação para os cidadãos. E o que sobra? Estão ganhando mensalmente, pelo que receberam de governos que exerceram (?) e que pretendem se transforme em eternidade.

***

PS – Ninguém pode receber duas vezes pelo mesmo serviço. Principalmente no caso de governadores. E o fato é tão estapafúrdio, que vou tranquilizá-los, com informação antecipada, exclusiva e moralizadora.

PS2 – Já entraram no Supremo com liminar para continuarem recebendo (governadores, lógico). O Supremo liquidou a liminar pedida, que é ao mesmo tempo DECISÃO IRREVERSÍVEL. O próprio Supremo julgará o MÉRITO da liminar, derrubando-a.

PS3 – Com isso estará encerrada a imoralidade. Aí, para que não “aprovem” leis estaduais sobre o assunto, qualquer decisão já estará completamente ultrapassada.

PS4 – Desaposentados pelo Supremo, desapontados pelo fim da mordomia financeira, e desgovernados pela desesperança que consideravam um direito, terão que viver como 190 milhões.

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