Governo da Bahia desmente vídeo divulgado por Flávio Bolsonaro sobre suposto corpo de miliciano morto

Clã Bolsonoro acusa governo baiano de encomendar morte 

Paulo Roberto Netto
Estadão

O secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, rebateu o vídeo e as acusações proferidas pelo senador Flávio Bolsonaro pelas redes sociais. Nesta terça-feira, dia 18, o filho do Presidente publicou vídeo de suposto corpo do ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em operação policial na cidade de Esmeralda, a 170 quilômetros de Salvador.

Segundo Barbosa, o vídeo divulgado pelo senador não teve a autenticidade reconhecida pela perícia da Bahia e nem pela perícia do Rio de Janeiro. A reportagem buscou o Departamento de Polícia Técnica do Rio, que informou que o vídeo não havia ter sido gravado no local.

DÚVIDAS – “As imagens não foram feitas nas instalações oficiais do Instituto Médico-Legal. Então nós temos a clara convicção de que isso é para trazer algum tipo de dúvida, de questionamento, a um trabalho que ainda não foi concluído”, disse Barbosa. Segundo o secretário, o governo foi ‘instado’ a comentar o resultado de uma perícia, divulgada na semana passada, e que há outros exames a serem realizados.

A única perícia oficial do corpo do miliciano aponta que ele foi morto por dois tiros de fuzil, disparados a, no mínimo, um metro e meio de distância. São mencionados “seis fraturas nas costelas”, “dois pulmões destruídos” e o “coração dilacerado”.

CONTRADIÇÕES – Diferentemente do que alegou Flávio, não há menção à coronhada ou à queimadura. Os ferimentos, segundo os peritos, seriam compatíveis com o impacto no corpo causado por tiros de fuzil, em razão da alta energia cinética dos projéteis.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirma que o diretor do Instituto Médico Legal (IML) da Bahia, Mário Câmara, informou que não é possível confirmar onde o vídeo foi gravado e se o corpo é realmente do capitão Adriano da Nóbrega.

“Não sabemos se foi adulterado, onde foi feito, não sabemos se o corpo é realmente do senhor Adriano. Então não faremos comentários sobre o vídeo”, afirma.

VÍDEO – Flávio Bolsonaro publicou um vídeo de 21 segundos, sem áudio e com imagens fortes, no qual é exibido um corpo etiquetado com o nome de Adriano Magalhães.

“Perícia da Bahia (governo PT), diz não ser possível afirmar se Adriano foi torturado. Foram 7 costelas quebradas, coronhada na cabeça, queimadura com ferro quente no peito, dois tiros a queima-roupa (um na garganta de baixo p/cima e outro no tórax, que perfurou coração e pulmões”, afirmou Flávio Bolsonaro.

INVESTIGADO –  Além de ser acusado de integrar o Escritório do Crime, milícia envolvida no assassinato da vereadora Marielle Franco, Adriano da Nóbrega era investigado pelo Ministério Público do Rio por participação em suposto esquema de rachadinha conduzido no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O filho do Presidente empregou a ex-esposa e a mãe de Adriano da Nóbrega. Ao deflagrar operação contra endereços ligados ao ex-assessor Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro em novembro do ano passado, o Ministério Público detalhou conversas entre Nóbrega e sua ex-esposa, Danielle, que era funcionária de Flávio.

Após reportagem do ‘Estado’ revelar movimentações atípicas de Queiroz, Danielle foi exonerada do cargo e cobrou explicações do miliciano em mensagens obtidas pela promotoria. Nelas, a ex-esposa de Adriano da Nóbrega afirma que ele também se beneficiava do suposto esquema de ‘rachadinhas’.

10 thoughts on “Governo da Bahia desmente vídeo divulgado por Flávio Bolsonaro sobre suposto corpo de miliciano morto

  1. Mais uma tentativa de sequestrar a narrativa.
    Os desesperados estão APENAS afirmando que o vídeo não foi feito no IML de Alagoinhas (sabiam que a perícia foi feita nesta mínima cidade?).
    O diretor do IML da Bahia disse (em pânico) que APENAS não é possível confirmar aonde o vídeo foi gravado.
    O secretário Barbosa do PT do Rui está confuso pois disse “que não teve a autenticidade reconhecida pela perícia da Bahia e nem pela perícia do Rio de Janeiro”. Mas fizeram perícia no Rio de Janeiro???? kkkkkkkkkk pânico no olodum!
    Título fakenews! Deletem.
    Próximo.

  2. Alguém vai ter que responder pela morte do Adriano. Quanto mais o Governador da Bahia e seus subordinados tentam explicar, mais se enrolam e deixam as nádegas de fora. Eles(PTs) vivem atirando no próprio pé, só que agora se associaram ao Governador do Rio, que já declarou oposição e inimizade ao Presidente Bolsonaro. Fica o registro.

  3. É fácil saber quem está envolvido (se é Bolsonaro ou o PT, PSOL, etc). É só colocar no Jornal Nacional; se o Bolsonaro tiver envolvimento no crime, o booner fara uma reportagem de 10 minutos; mas, se o Bolsonaro não estiver envolvido, ai ele dá uma “embromada” rápida (falando de rachadinha e condecoração); é capaz até de ele tirar umas férias, e colocar um outro jornalista para fazer o papel (ão).

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