Governo Dilma precisa dar respostas e sair da defensiva

http://www.cartapolis.com.br/wp-content/uploads/2014/11/dilma-seria.jpgPedro do Coutto

Ontem, terça-feira, foi um dia politicamente muito ruim para o governo Dilma Rousseff. Na primeira página de O Globo acumularam-se notícias negativas em série, que estão exigindo respostas do Planalto, no sentido de fazer a presidente sair de uma posição defensiva e abrir o debate com a opinião pública por testemunha. Petrobrás é processada nos Estados Unidos por escritório de advocacia americano por dano nos acionistas. Técnicos do Tribunal Superior Eleitoral propõem rejeição da prestação de contas da campanha eleitoral da candidata reeleita. Ministro Jorge Hage deixa o governo e aponta falta de controle das contas das empresas estatais. Empresas citadas na Operaçao Lava-Jato fizeram doações a sete parlamentares que integram a CPMI do Congresso que investiga as denúncias envolvendo a Petrobrás. A dose de pontos negativos é muito grande.

A presidente da República tem que surgir à frente do palco e fornecer as explicações que a sociedade brasileira espera receber. O confronto, que começou no embate das urnas e deveria ter acabado com o resultado final, ao contrário, prolonga-se no intervalo entre o primeiro e segundo ciclo dos mandatos. Permanecer na defensiva é perigoso, na medida em que transmite a ideia de faltar ao poder espaço adequado para movimentar-se diante do próprio país.

Torna-se necessário, então, uma postura diferente, mais à frente dos fatos e versões que estão ocupando a mídia, para nela o governo colocar sua visão e interpretação dos acontecimentos e das providências que, daqui para frente, projeta adotar. O problema mais sensível, pelo seu aspecto internacional, e sua repercussão tanto externa quanto interna, sem dúvida refere-se ao processo contra a Petrobrás. Principalmente pelo reflexo que acarretará para o próprio país no mercado econômico-financeiro.

PETROBRAS E BRASIL

Impossível, a luz do Direito, distinguir ou separar a principal estatal do país do governo e da nação, como um todo. O problema aberto com o mar de corrupção que invadiu a empresa transformou-se numa grave questão de Estado, sobretudo em face de acusados já terem se prontificado a devolver , no conjunto, mais de 120 milhões de dólares obtidos criminosamente através de um elenco enorme de negócios ilegais, sob todos os aspectos.

Multiplicação de preços de obras e de compra de equipamentos, termos aditivos em contratos, reajustes alucinados de valor como no caso da construção da refinaria Abreu e Lima. Enfim, tudo que já é do conhecimento público e focalizado repetitivamente pelos jornais, revistas, redes de televisão. O problema policial está nitidamente colocado, síntese da atuação da Polícia e da Justiça Federal do Paraná, representada pelo juiz Sérgio Moro. Porém, agora houve o transbordamento das matérias das páginas onde os crimes são expostos, para a área essencialmente política.

A multiplicação de fatos negativos, se não respondida à altura pelo governo, vai abalar inevitavelmente a posiçao da presidente Dilma, justamente no momento mais sensível, que marca a passagem de um mandato para outro. A presidente necessita, com urgência, restabelecer aa autoridade democrática na qual exerce seu cargo. Para isso, só existe um caminho: o da verdade e o da iniciativa. Caso contrário, arrisca-se a perder a batalha da opinião pública.

MÉDIA DO INSS

Se alguém tivesse dúvida quanto ao nível das aposentadorias e pensões pagas pelo INSS, ela se dissiparia com a leitura do Diário Oficial de 5 de dezembro, página 41: a média das aposentadoria e pensões é de apenas 926 reais por mês.

9 thoughts on “Governo Dilma precisa dar respostas e sair da defensiva

  1. Caro jornalista, Sr. Pedro do Coutto.

    O valor médio pago pelo INSS em aposentadorias e pensões foi, em outubro do ano corrente, de R$931,71.

    R$1.046,99 em média para os beneficiários do setor urbano e R$646,72 em média para os beneficiários do setor rural.

    São 22.811.422 de beneficiários do setor urbano e 9.226.916 de beneficiários do setor rural, totalizando 32.038.338 de beneficiários.

    Não precisa se esmerar na leitura do Diário Oficial da União. A informação estatística primária se encontra aqui na página 22. Por favor, acesse: http://www.previdencia.gov.br/wp-content/uploads/2014/12/Beps102014_final.pdf

    Sempre que precisar do levantamento de informações estatísticas do INSS acesse essa planilha que é atualizada mensalmente. Anote aí, por favor!

  2. O articulista tem razão.

    Porém, o que poderá fazer Dilma com os “malfeitos” consumados quando ela membro do Conselho da Petrobras ?

    E se for condenada por esses “malfeitos” nos Estados Unidos ?

    A Justiça americana NÃO É a Justiça brasileira. Lá não tem bobó meu pai nem xixi minha nega. Não tem “aparelhamento”.

  3. A mãe dos pobres, a justiceira, a demagoga, assim como o pai dos pobres, eles sempre tem que fazer bosta, tem que ser uma no cravo e outra na ferradura.
    Coisa linda a lei trabalhista.
    Em 1952 foi iniciada as obras privadas da refinaria de Capuava, em 1954 já estava em produção, daí veio a luz, vamos estatizaaa,…, virou mesmo uma “privada” coisa feia.
    Aplicado o fator fhc, a média de aposentadorias e pensões fica em torno de 926 reais, e como são muitas merrecas nada mais justo que paguem 45% de indiretos especialmente na compra de remédios. Essa equidade será permanente graças a bruxa do sul, aos Presidentes, legisladores e justiceiros que emporcalham os três poderes.
    Ps. Desculpem, ultrapassou as 3 linhas. 🙁

  4. mas a mulhé quer o Anthony William Matheus de Oliveira, vulgo garotão, numa vice-presidência do já sofrido BB (o valor da ação caiu na Bovespa).

    o levy, o salvador da pátria, foi consultado ou é um levy chute-na-bunda?

  5. Dar respostas, Pedro? Como assim, se ele já deu através de Gilberto Carvalho (“O momento de hoje é de felicidade, a gente celebra essa junção fecunda, adequada entre a sociedade e o governo que tem essa orientação. E é isso, gente, que esteve em disputa agora nas eleições. Eu morria de medo de o playboyzinho ganhar a eleição porque eu tinha clareza que ia acabar essa energia que está aqui nesta sala. Isso não tinha condição de continuar porque não está nesse projeto. O que está em jogo agora não é esse negócio de corrupção que sempre teve no país e que nós estamos tendo a coragem de combater. Tudo isso que eles estão denunciando agora é o medo que eles têm de perder a hegemonia do Estado brasileiro. O resto é propaganda, o resto é conversa e maledicência. Porque nunca eles tiveram coragem de pôr o dedo na ferida como nós estamos pondo agora cortando na própria carne como se verifica na questão da corrupção.”).

    Será que isso não lhe satisfaz?

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