Governo esconde que número de miseráveis aumentou

Deu na Folha

Um diretor do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) decidiu se afastar do cargo após a cúpula do órgão impedir a publicação, no período eleitoral, de um estudo inédito sobre a evolução no número de miseráveis no governo Dilma Rousseff. Herton Araújo, titular da diretoria de Estudos e Políticas Sociais, colocou seu cargo à disposição por não concordar com a decisão da cúpula.

Conforme a Folha de S.Paulo revelou no último dia 11, o instituto, ligado à Presidência da República, não publicará até o final do segundo turno sua tradicional avaliação dos microdados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2013. Ele argumenta que a publicação fere a lei eleitoral.

Essa avaliação mostraria se o número de pobres e miseráveis subiu ou diminuiu no ano passado. O estudo ganha especial importância pois erradicar a miséria foi uma das principais promessas da administração Dilma Rousseff.

Usando a mesma base de dados, pesquisadores independentes chegaram à conclusão que, pela primeira vez desde 2003, a miséria parou de cair em 2013, como mostrou a reportagem da Folha de S.Paulo.

De acordo com um estudo produzido pelo Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), organização sem fins lucrativos que reúne alguns dos principais estudiosos da pobreza no país, houve no ano passado um pequeno aumento no número de brasileiros indigentes.

Ele saiu de 5,8% da população em 2012 (10,9 milhões de pessoas) para 6% da população (11,1 milhões de pessoas). Como a diferença é pequena, ainda mais em uma pesquisa feita por amostragem, os pesquisadores preferem portanto falar em estagnação.

Em relação ao número total de pobres, a tendência de queda foi mantida, também por uma diferença modesta: de 18% em 2012 (33,6 milhões de pessoas) para 17% (31,7 milhões de pessoas) da população.

Os critérios do Iets para definir miseráveis e pobres são diferentes dos adotados pelo governo, mas nos últimos anos têm mostrado trajetórias semelhantes. Para o Ministério do Desenvolvimento Social, que administra o Bolsa Família, miseráveis e pobres são os que vivem em famílias de renda per capita abaixo de R$ 77 e R$ 154 por mês, respectivamente. Já o Iets usa linhas de R$ 123 e R$ 246.

6 thoughts on “Governo esconde que número de miseráveis aumentou

  1. O próprio Lula explica as agressões:

    “A desgraça da mentira é que, ao contar a primeira, você passa a vida inteira contando mentira para justificar a primeira que contou”.
    Presidente Lula,
    (17/07/2005)

  2. Lamentável sob todos os aspectos a verborragia dos ataques do ex-operário ao candidato tucano. Não será desse jeito baixo e vulgar que a candidata dele vencerá as eleições.

    O povo deseja ver no candidato suas propostas para a melhoria das condições de vida para todos. Mais emprego de qualidade, melhoria no atendimento dos hospitais públicos e particulares, segurança efetiva no ir e vir de casa para o trabalho e mais inteligência para coibir o crime e prender os meliantes, entretanto, o mais importante, que é o investimento na Educação Básica e no Ensino Médio, de modo a preparar os jovens para os grandes desafios da competição em um mundo cada vez mais tecnológico e científico.

    Ao invés de se regozijarem pelo aumento do número de bolsas deveriam se sentir felizes por incluir as famílias dependentes ao mercado de trabalho dando dignidade aquelas pessoas antes carentes do apoio do Estado.

    A alternância do poder será benéfica para os ex-esquerdistas, os quais, no ostracismo pela perda da eleição, poderão assim, entabular uma autocrítica e análise dos erros cometidos nos doze anos que tiveram para mudar e pouco fizeram. Hoje somos os mesmos de sempre com uma migalha e outra que não fez a diferença em favor do povo.

    O fosso entre ricos e pobres continua no mesmo patamar, quiçá aumentado ainda mais. Como exemplo, é só pegar o salário dos parlamentares e dos Ministros do STF e compará-los com o salário mínimo pago a imensa maioria do povo, que têm direito a 30 dias de férias por ano, enquanto aqueles têm direito a dois meses e mais uns dias e trabalham de terça a quinta.

    Verdadeiramente, os governos e suas elites praticam a injustiça contra o povo e a isonomia é letra morta no Texto Constitucional.

    Até que um dia se dá a “Queda da Bastilha”. Alea jacta est.

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