Governo está secando a seiva da vida intelectual e artística

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Charge do Bruno Galvão (chargesbruno.blogspot.com.br)

Leonardo Boff
O Tempo

Já se disse quase tudo e se fez de tudo em termos de crítica e de manifestações de professores, alunos, artistas e intelectuais no sentido de salvar um dos patrimônios culturais mais caros à cidade do Rio de Janeiro: a Universidade do Rio de Janeiro (UERJ), fundada em 1950. Quero ater-me a um testemunho pessoal dos anos em que fui professor de ética e de filosofia da religião nessa universidade. Mas antes vale recordar uma política exemplar vinda de Cuba.

À dissolução política da União Soviética, que apoiava economicamente Cuba nos quadros de uma política de solidariedade internacional, seguiu-se formidável crise generalizada, pois a nova Rússia não tinha mais condições de ajudar o país. Entregou-o à própria sorte. Tudo foi duramente reduzido e reajustado. Entretanto, dois campos ficaram intocáveis: a saúde e a educação. Ali se mantiveram todos os investimentos necessários. É conhecido o alto nível da educação e da saúde de Cuba. A razão era óbvia: um povo doente e ignorante nunca poderia levar avante qualquer projeto nacional.

Pois não é isso que ocorre no Brasil. Cortou-se na saúde e na educação. Parece que a falta de educação e de saúde obedece à lógica da dominação das classes endinheiradas e do Estado refém de suas estratégias. É mais fácil explorar um povo ignorante e doente que um sadio e educado.

SEM HORIZONTE – Assistir à derrocada da UERJ, uma das melhores universidades do país, é aceitar que se mate a seiva da criatividade e se feche o horizonte de um futuro da atual geração de estudantes e professores. Bem dizia Celso Furtado em seu “O Longo Amanhecer”:

“Uma sociedade só se transforma se tiver capacidade de improvisar, de ter ou não acesso à criatividade: eis a questão” (1999, p. 67). O que caracterizava a UERJ era, e continua sendo, sua criatividade, sua abertura a fronteiras novas, sejam ligadas à pesquisa de ponta em várias áreas técnicas e na saúde, seja sua articulação com as bases populares, com cursos de extensão em formação de lideranças, direito social e educação em direitos humanos em vários municípios, sua atuação corajosa nos conflitos de terras.

Aceitei ser professor nessa universidade sob a condição de que minhas aulas fossem abertas a quem quisesse das comunidades e a outros interessados.

TESES BRILHANTES – Minha preocupação em filosofia era levar os estudantes a pensar com suas próprias cabeças e tomar como temas de tese a realidade brasileira. Não basta saber o que Aristóteles, Heidegger, Habermas, Bergson, Deleuze ou Guatarri sabiam. Importa pensar o que sabemos. Daí nasceram teses brilhantes, como, por exemplo, uma sobre o profeta Gentileza, outra sobre espiritualidade nos tempos modernos no diálogo com a psicologia analítica de C.G. Jung.

Contudo, o que mais me impressionou nessa universidade – da qual trago as melhores lembranças e cujo nome levei a todos os países nos quais dei palestras e cursos, na Rússia, na China e até entre os samis (esquimós), perto do Polo Norte –, foi o ambiente de abertura e de representação do que é o Brasil real, com a presença de estudantes vindos das classes populares da Baixada Fluminense, a coexistência sem qualquer discriminação entre negros e brancos, a orientação social de todo o ensino da instituição, com forte acento na construção de uma nação livre, criativa, soberana e insubmissa às lógicas da dominação. Há que recordar a resistência da UERJ à ditadura militar, com a morte de um estudante pelos órgãos de repressão.

O lema das manifestações é “luto e luta”: luto pela agonia desse centro de excelência e luta para garantir sua existência contra o sucateamento e sua eventual privatização. Salvar a UERJ é garantir a seiva da vida intelectual e artística da cidade e permitir que o Brasil inteiro se beneficie com seus serviços sérios e excelentes.

29 thoughts on “Governo está secando a seiva da vida intelectual e artística

  1. Ler esse rato imbecil nojento é igual quando pisamos em côco…ficamos fedendo…
    Por essa razão. .nem leio esse suíno.
    Se autodescargue ..latrinão cheio!!
    Nojento! !!

  2. O Boff vai morar em cuba, vai! deixa de ser idiota e comparar Brasil com a ilha dos Castros, queres ser escravos deles, só sendo imbecil para defender comunismo.

  3. Mais uma vez declaro minha aversão ‘a ideologia do colunista e aos seus artigos. Não leio, não li, e não gosto mesmo sem os ler.
    Tenho direito a ter gosto e opinião.

  4. Garantia dos direitos sociais era a corrupção petista, que envolvia artistas, empresários. Tudo que o governo petista se meteu deu pixuleco. No mínimo está sentido falta do pixuleco. Triste um dito sacerdote de Cristo apoiar tanta falcatrua, lamentável.

  5. Correto é a doutrina comunista que já ceifou a vida de tantos inocentes. Não entendo esta criatura. A Rússia e a China não são exemplo de nada. Estatística de dinheiro em paraísos fiscais, que ocupa o primeiro lugar China, depois a Rússia, coitado do povo que depende de comunistas.

  6. Bofe seria um pedaço de carne de má qualidade mas, na gíria gay (ui), significava um heterossexual mas, passou a ser o homem da biba que pode inclusive dar também, assim sendo não é muito diferente mas, tem algumas bibas passivérimas (que se dizem mais ativas), que ainda o encontram só ativo, vez ou outra, mas não é muito frequente. ou Boff.

  7. Trabalharia sem receber nada, igual ao augusto nunes(que agora também esta no 6.1 e 6.2) trabalhando só pela luta contra a CENSURA. PS: Parabéns aos homens, Leonardo boff e augusto nunes(velho marinheiro).

  8. Foi o Temer que sucateou? Do dia para a noite? Pensei que fosse durante os governos anteriores, que são da mesma turma alinhada a Cuba e professam a mesma fé em São Fidel, como o articulista.

  9. Pode-se até justificar o arrocho devido a crise violenta que o país atravessa, deixada pelos 13 anos do governo petista.
    Durante, pelo menos 8 anos do governo petista, o Brasil viveu numa faze de céu de brigadeiro, com a China comprando commodities em grande quantidade, havia dinheiro. Qual a justificativa que o Leonardo Boff tem para o governo petista ter abandonado e sucateado a educação e a saúde. Os governos petista foram os que mais prejudicaram a saúde e a educação.

  10. Então, as mazelas são de agora.? Os 13 anos passados não entram na conta? E mais:”Alto nível de saúde e educação em Cuba”. Será que as fugas da ilha são de cubanos que não tem saúde e educação? Puxa , este senhor escreve um texto achando que seus leitores são um bando de amestrados e descontextualizados… Quequeissorapá???

  11. Sinceramente, caros comentaristas:

    Vejo com preocupação a patrulha ácida e despropositada contra o intelectual Leonardo Boff, além de profunda falta de educação, atenta contra os preceitos democráticos e do contraditório.

    Em primeiro lugar devemos todos respeitar a ideologia de nosso semelhante. Quem é de direita moderada ou radical, que continue com seus pensamentos e quem é de esquerda moderada ou radical tem também seus direitos. O contraditório existe para o avanço do conhecimento. O pensamento único ao contrário é de viés autoritário.

    Em segundo lugar, Leonardo Boff, a meu juízo, tem carradas de razão ao defender a Universidade Estadual do Rio de Janeiro Instituição de Ensino, que formou tantos luminares de alto gabarito para servir a nação. O abandono da UERJ pelo governador Pezão é um crime contra o povo do Rio de Janeiro, demonstrando que ele, o Pezão, aliado de Cabral não estava preparado para o alto cargo, delegado pelo povo carioca.

    Não adianta nem pedir clemência ao Pezão, se o governador não está pagando nem os salários dos servidores, além dos fornecedores. O Estado do Rio de Janeiro está em situação calamitosa.

    Agora senhores que atacam Leonardo Boff, nenhuma palavra contra esses desmandos e descontrole da dupla Cabral/Pezão, do PMDB, que preocupados com Copa e Olimpíadas deixou o Estado a ver navios. Há muita crítica a se fazer contra os governos petistas, mas, aqui no RJ, os governos sempre foram do PDT, do PSDB e principalmente do PMDB, aliás, este Partido governou o Estado durante os 21 anos do regime autoritário, quando ainda não tinha o P, era só MDB.

    Estão abandonando a UERJ para terem um motivo para privatizá-la. Vergonha das vergonhas. E não me venham dizer que a culpa pelo descalabro é da crise do petróleo, como Pezão declarou em entrevista a jornalista Míriam Leitão, trata-se de gestão administrativa ineficiente de Cabral e de Pezão, ambos despreparados para governar o Rio de Janeiro. Pensaram em suas carreiras políticas e deixaram a cidade de lado, como bons populistas, que são. Sobre esse debate, nenhuma palavra, contudo para atacar Leonardo Boff não economizaram nos adjetivos.

    São essas coisinhas miúdas que fazem a gente perder a esperança na humanidade.

  12. Muito simplista …. Não é uma questão de partidos ou ideologia. É uma questão de formação de quadrilha tendo como atores principais os políticos. Um Brasil dividido é tudo que estes bandidos querem. A UERJ agoniza, sim, mas daí a colocar a culpa numa parte da QUADRILHA é demais…

    • Sr. Ricardo.

      Data vênia, a UERJ é administrada pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, se ela está as portas da destruição por falta de orçamento, a culpa é de quem em sua opinião? Com quem você deseja dividir a má administração, que deixa uma instituição de ensino importante para os cidadãos do Rio de Janeiro acabar de forma melancólica?

      Importante debater, que bom né! Simples assim! Os estadistas constroem universidades e escolas de ensino fundamental de qualidade, como os CIEPS, os populistas constroem presídios e estádios de futebol, como o Maracanã também falido.

    • Sr. Marcos:

      Para citar os 13 anos do PT, nesse espaço não caberia e ficaria enfadonho citar tantas coisas erradas. No entanto, para satisfazê-lo em parte, seguem alguns tópicos:

      Reformas da Previdência que não deram resultado nenhum, política populista, desastre nas políticas industriais, aposta nos campeões nacionais em detrimento das pequenas e médias empresas, entrega do patrimônio público através das concessões, eufemismo para privatizações e o erro de trazer Copa e Olimpíadas para o Brasil sem termos condições para esse investimento de pouco retorno para a empregabilidade do nosso povo.

      Entretanto, a má administração dos governos brasileiros não fica restrita somente ao PT, pois os governos do PSDB, do PMDB e do PRN, sem falar da ARENA também foram desastrosos, tanto quanto os do PT.

      Esse é que é um debate salutar, o debate das ideias. Não tenho a pretensão da verdade, pois seria uma quimera, acreditar nisso, porém, expresso a minha opinião aguardando o contraditório.

      Quem sabe, não poderia rever alguns conceitos?

  13. Estou espantado, cadê os movimentos sociais como o ” VEM PRA RUA “, só foi para tirar a Dilma e colocar Michel Temer, se bem que ela mereceu, mas o projeto de Michel Temer é perverso, principalmente batendo na tecla da reforma da previdência, onde o trabalhador quando se aposentar vai morrer, vivemos num país com espectativa de vida que não condiz com a realidade, também deveria haver estes movimento pela EDUCAÇÃO, não imagino o que estão fazendo a UERJ, é inaceitável o que Pezão está fazendo com a universidade do estado do Rio de Janeiro, principalmente ex-estudantes como Luiz Fux, Joaquim Barbosa e Luiz Roberto Barroso, todos foram estudantes desta universidade e o último que estudou de graça, agora quer uma reforma no ensino superior comparada ao americanos, é triste ver um ministro que estudou de graça e agora prega a privatização de ensino superior no Brasil, espero que os movimentos sociais se mobilizem e façam em todo o país contra a reforma da previdência social e a favor do ensino superior gratuito.

    • “MBL, das ruas para os gabinetes (O Antagonista)

      Brasil 24.09.16 09:41

      Mônica Bergamo diz que Renan Santos, do MBL, se reuniu com Moreira Franco na quinta-feira passada.

      O secretário de investimentos – e eminência parda do governo Temer – quer aproveitar a “expertise de mobilização e a sensibilidade” do MBL, para sentir “o pulso das ruas” na formulação de uma política de comunicação de propostas polêmicas, como a reforma da previdência.

      O MBL agora vai sentir o pulso dos gabinetes de Brasília.”

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