Governo não tem como explicar o favorecimento à Odebrecht

Raquel Landim e Bruno Villas Boas
Folha

Os projetos tocados pela Odebrecht foram os mais contemplados pelo BNDES no financiamento a obras no exterior, nas quais os empréstimos são concedidos para os países, mas condicionados a utilização de serviços brasileiros.

Segundo levantamento feito pelo professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) Sérgio Lazzarini e pelo assistente de pesquisa Pedro Makhoul, as obras da Odebrecht responderam por 69% do total de projetos financiadas pelo banco no exterior desde 2007.

Por meio de nota, a Odebrecht justificou esta preferência do BNDES dizendo que “está presente em 21 países, muito acima das concorrentes” e alegando também que os recursos do BNDES responderam por menos de 10% do faturamento anual da empresa.

APARENTEMENTE

Para o analista Claudio Frischtak, sócio da Inter.B, aparentemente faz sentido o Brasil apoiar empreiteiras na exportação de serviços para países em desenvolvimento.

“Nesses países não existe um mercado de capitais desenvolvidos. As empresas que disputam os contratos são apoiadas pelos governos”, disse. Ele ressalta, porém, que os contratos precisam refletir os riscos de cada país: “Moçambique é um país com boa governança, faz todo o sentido. Cuba eu ainda não estou convencido”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Este favorecimento à Odebrecht é estranhíssimo e jamais ocorrera na História do BNDES, desde sua fundação. Nem mesmo a Petrobras conseguiu concentrar tamanha porção dos financiamentos do banco de fomento. Com toda certeza, os privilégios da Odebrecht eram uma das principais razões de os governos dos PT terem colocado sob sigilo as operações do BNDES. Agora, que o mistério acabou, é preciso que o banco justifique essa preferência pelas empresas da família Odebrecht. Se é que existe alguma explicação decente e aceitável... (C.N.)

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