Governo pede que Supremo adie aumento de servidores

Valdo Cruz
Folha

Preocupado com o impacto fiscal de R$ 25,7 bilhões nos próximos quatro anos de projeto que reajusta salários de servidores do Judiciário, o ministro Nelson Barbosa (Planejamento) começou a negociar nesta terça-feira com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, um adiamento da discussão do tema para o próximo ano.

“Este projeto tem um risco fiscal forte e pode gerar um efeito cascata em todo funcionalismo”, alertou o ministro, argumentando que os servidores do Judiciário já tiveram aumento neste ano e que o reajuste extra, que tramitava no Congresso desde 2009, não estava previsto no Orçamento e é um complicador num momento em que o governo busca reequilibrar as contas públicas.

Nelson Barbosa conversou com o presidente do Supremo, mas não adiantou se já há algum tipo de acordo. “Estamos começando a conversar”, afirmou.

IMPACTO FISCAL

O governo tem pressa, porque o projeto já foi aprovado na Câmara e, agora, está no Senado, com previsão de votação nos próximos dias.

Neste ano, o impacto fiscal do reajuste, de até 31,4% em 2015, seria de R$ 1,5 bilhão. No próximo ano, o gasto extra para os cofres públicos atingiria R$ 5,3 bilhões. Nos dois anos seguintes seria de R$ 8,4 bilhões (2017) e R$ 10,5 bilhões (2018).

Ao todo, entre 2015 e 2017, o reajuste nos salários varia de 56,4% a 78,6%. Neste ano, incorporado o aumento de 8,4% concedido ao Poder Judiciário, os servidores teriam um aumento entre 29,7% e 36,4%.

Nelson Barbosa está apresentando ao Judiciário a sugestão de definir o tema em agosto, quando o governo federal vai definir um montante de recursos para reajuste da folha de pagamento dos três poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo) no próximo ano.

“Nossa intenção é definir este montante geral, e cada poder definiria livremente como usar esta verba”, afirmou Nelson Barbosa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os três podres poderes jogam lá para cima os salários de seus dirigentes, sem falar em mordomias, passagens aéreas, diárias, verbas de representação, cartões corporativos e tudo o mais, e depois querem economizar em cima dos salários dos servidores. Está tudo errado neste país, o quadro é desanimador. As pessoas de bem sentem cada vez mais vergonha de serem brasileiras, a verdade é esta. (C.N.)

13 thoughts on “Governo pede que Supremo adie aumento de servidores

  1. Permita-me CN,

    Os três podres poderes jogam lá para cima os salários de seus dirigentes, sem falar em mordomias, passagens aéreas, diárias, verbas de representação, cartões corporativos e tudo o mais, e depois querem economizar em cima dos salários dos servidores. Está tudo errado neste país, o quadro é desanimador. As pessoas de bem sentem cada vez mais vergonha de serem brasileiras, a verdade é esta.

    sds

  2. Sr. Newton
    A tática ´deles é sempre a mesma, achar que o brasileiro é bonzinho e que esquece tudo da noite para o dia….
    Enquanto ficarmos nessa apatia do povo eles pintam e bordam com nosso suado dinheirinho…

  3. Deu na Veja online de hoje, 13.5.2015

    Durante três décadas o Sindicato dos Empregados do Comércio do Rio de Janeiro, com 2 500 associados, foi um feudo particular, de onde integrantes de uma família – os Mata Roma – tiraram sustento, prestígio e influência sem sequer serem comerciários. Isso mesmo: desde 1998 atuam no ramo da aviação, sendo atualmente proprietários de duas empresas de táxi aéreo. Alvo de investigações de superfaturamento e nepotismo, entre outros delitos, em outubro do ano passado o Ministério Público colocou o sindicato sob intervenção e afastou o então presidente Otton Mata Roma (da terceira geração, com salário mensal de 52 000 reais), junto com nove parentes. Tudo resolvido? Nem perto disso. Quando ainda tomava pé da situação o primeiro interventor nomeado, Aloysio Santos, foi transferido para outra função e substituído por seu assessor direto, o advogado José Carlos Nunes. Segundo relatos de funcionários a VEJA, uma vez no cargo Nunes pôs-se imediatamente a reeditar as práticas dos Mata Roma, com uma diferença: além de privilegiar família e amigos, deu emprego a companheiros do PCdoB, partido do qual é militante.
    Desde que assumiu, em janeiro, dezenas de funcionários foram demitidos e mesmo assim o total pulou de 300 para 404, ao custo de cerca de 7 milhões de reais. “Todas as irregularidades da antiga presidência estão se repetindo. A única coisa que mudou é que a corrupção dos Mata Roma era familiar e a de agora é partidária”, resume um funcionário afastado. Outra iniciativa de Nunes foi dispensar os quatro escritórios de advocacia que prestavam serviços ao sindicato e se cercar de gente de confiança. O Santa Cruz Scaletsky Advogados, contratado por 170 000 reais mensais e já beneficiado com um aumento para 350 000, tem entre seus sócios Henrique de Carvalho, o Kique, dirigente do PCdoB e uma espécie de braço direito informal de Nunes. A irmã do interventor, Vanessa Nunes, tornou-se auditora do sindicato. Bem entrosado no mundo jurídico, Nunes ainda teria providenciado emprego para a mulher de um juiz e a enteada de outro.

  4. Queria ver se fizesse isso em outro país, pimenta no olho dos outros é refresco, se quisessem demonstrar que estão preocupados com o Brasil, deveriam reduzir seus salários e as mordomias, fazem isto porque o povo é pacífico demais, acho que até demais.

  5. ” NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Os três podres poderes jogam lá para cima os salários de seus dirigentes, sem falar em mordomias, passagens aéreas, diárias, verbas de representação, cartões corporativos e tudo o mais, e depois querem economizar em cima dos salários dos servidores. Está tudo errado neste país, o quadro é desanimador. As pessoas de bem sentem cada vez mais vergonha de serem brasileiras, a verdade é esta. (C.N.) ”

    E ainda tem gente que SONHA mudar alguma coisa pelo VOTO…

    ” HÁ! HÁ! HÁ! ”

    Saudações,

    Carlos Cazé.

    • “Ainda fazem da voto seu mais forte refrão
      E acreditam nos votos vencendo o ladrão”

      ao invés de

      “Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
      E acreditam nas flores vencendo o canhão”

  6. Esse governo excomungado deu-se um aumento em janeiro deste ano, além de aumentar os salários de deputados, senadores, presidente da república, ministros de estado, procuradores e ministros do Supremo e todos os juízes..agora vem dizer que é contra um aumento salarial dos servidores do Poder Judiciário, que estão há 09 (nove anos) sem nenhum aumento? Que moral tem Dilma Roussef para ser contra esse aumento? Deve ser o mesmo moral de quem prometeu não subir as tarifas de energia elétrica e subiu! Deve ser o mesmo moral de quem disse que não retiraria direitos trabalhistas e está tirando!

  7. Caro sr. Carlos Newton, como serventuário de justiça mequetrefe posso assegurar que seu comentário ao artigo esgota o tema. Abraço.

  8. Não é bem assim, porque no tribunal do RJ tem diretores e outros servidores protegidos que aparecem apenas uma ou duas vezes na semana por apenas algumas horas. E nenhuma corregedoria se interessa em consultar as entradas e saídas da corte.

  9. Vai ver entraram no começo pela janela, deixam os paletós na cadeira e agora só entram e saem pela janela. Ou por algum buraco que ninguém sabe. Provavelmente devem estar ganhando HORAS EXTRAS.

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