Governo reajusta a despesa, mas esquece de reajustar a receita da Previdência

Resultado de imagem para meirelles charges

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Os ministros Henrique Meirelles e Dyogo de Oliveira – reportagem de Daiane Costa, O Globo de segunda-feira – projetaram um aumento alarmista da despesa do INSS até 2060, acentuando que sem a reforma previdenciária no ano de 2060 ela representaria 17% do Produto Interno Bruto. Usaram a correção apenas sobre a despesa de hoje, mas não se utilizaram do mesmo cálculo para projetar a receita no tempo futuro. Dessa forma qualquer comparação assume o caráter de uma catástrofe financeira.

7% DO PIB – Como Henrique Meirelles e Dyogo de Oliveira sustentaram que hoje o déficit previdenciário representa 7% do Orçamento da União e que em 2060, sem a reforma, atingiria 17%, vamos por partes.

O Orçamento hoje situa-se em torno de 3,7 trilhões de reais. Assim 7% equivaleriam a cerca de 245 bilhões de reais. Relativamente a 2060 é difícil prever em qual escala estará o PIB. Isso de um lado.

De outro, o grande inimigo financeiro da Previdência Social, atingindo o equilíbrio do INSS é o desemprego. O volume de 13 milhões de brasileiros desempregados representa uma perda enorme para a arrecadação do setor, fora os efeitos no mercado de consumo.

Considerando-se o salário médio brasileiro de 2.000 reais por mês, chegamos à conclusão que no prazo de 30 dias a receita deixa de incidir sobre o volume de aproximadamente 2,6 bilhões de reais. Anualmente, portanto, são 25 bilhões que deixam de ser contabilizados para o INSS.

Como se vê, as perdas são grandes. Porque a parte dos empregados seria de 11% sobre esse valor, enquanto a parte dos empregadores atingiria 20%. Assim comprova-se o problema essencial da questão das aposentadorias e pensões.

E AS RECEITAS? – Por que o governo não focaliza este segundo aspecto? Que, aliás, é primordial, porque abrange tanto a face econômica quanto a face social do país. A face social é extremamente importante.

Tome-se, como exemplo, a reportagem que a GloboNews levou ao ar na noite de ontem focalizando a situação de uma servidora aposentada, setor de saúde do estado do Rio de Janeiro, que montou uma barraca em frente ao Palácio Tiradentes para pedir esmolas, porque, com seus salários atrasados, não possuía recursos para adquirir alimentos e remédio dos quais necessita de forma permanente. Como ela, há milhares de outros exemplos que se espalham e crescem pelo país.

É um quadro triste da situação do país e se agravará com as restrições que a reforma da Previdência traz consigo. Vale mais uma vez acentuar que deveria caber ao governo pagar aposentadorias dos trabalhadores rurais, que por inação do mesmo governo, deixaram de contribuir para com o INSS.

18 thoughts on “Governo reajusta a despesa, mas esquece de reajustar a receita da Previdência

  1. Caro Coutp, cheguei em casa, e ouvi, apenas as últimas palavras do Meirelles, calculei que havia mentido sobre o 1º “S”, com situações catastroficas, que realmente existe, em razão do Governo Temer, está acabando com a moralidade no serviço público, foi entrevista ou propaganda enganosa, nos taxando de idiotas.
    Foií-lhe perguntado, porque na sua Presidência da “boi” não pagou os 2 bilhões,bem como os grandes devedores, e agora como sinistro não cobra? É muita cara de pau, pergunto: onde está o Congresso corrupto, o STF, que está stf, o Cidadão trabalhador, já escorchado em impostos, para serem roubados aos bilhões, ainda é tachado da merda em que estamos sobrevivendo. Temer está oficializando o Brasil como uma grande Senzala, com 220 milhões de escravos, e mil amos e senhores, entregando nossa Soberania, sob a vista de 3 patetas, que deveriam imitar o Alm. Barroso na guerra do Paraguai ao conclamar os soldados: O Brasil espera que cada um cumpra seu Dever.
    O atendimento da pobreza e miséria 2º “S” do INSS, é de Ação Social, que deve ser bancada pelo Tesouro, abastecido pelos 06 meses de salários anuais em impostos escorchado do trabalhador, e ai, me pergunto: onde andam os Sindicatos e Federações, marcaram uma greve geral, para o dia 28/04, mas… a grande Mídia não se pronuncia, sendo solidária pela escravidão do salário mínimo.
    88 anos, nunca vi tanta Imoralidade na Administração pública, Temer e sua turma, a cada dia afunda mais o Brasil nesse oceano de lama, pondo em risco o Brasil como Nação Soberana e justa para seu povo, acorda Brasil chega de pesadelo.para meditar: ” Só há duas espécies de patife: os que admitem e nós.”Millor Fernandes (1923-2012),desenhista, humorista, dramaturgo, escritor. sobrevivemos em uma falsa democracia, estuprada e vilipendiada pela hipocrisia dos governos, mas…a bem da Verdade Verdadeira, sobrevivemos em uma “republiqueta democradura! (democracia amigada com ditadura).
    Que Deus nos ajude a sair pacificamente desse pântano, para termos um Brasil decente e justo.
    Não reeleger e renegar os partidões e penduricalhos é preciso.
    Dia 28, Greve geral, como recado, a canalhada.

    • Não podemos deixar a reforma da previdência passar.

      Temos que parar tudo antes que seja tarde demais.

      O governo Temeroso não tem moral para impor uma reforma dessa envergadura.

      Todos na greve geral do dia 28 de abril !!!

  2. Não venho aqui criticar os comentaristas que tem excelente nível intelectual. Contudo leio vários comentários que dizem que isso precisa ser feito, aquilo precisa ser feito. Só que nada está sendo feito. Tudo que vemos sendo concretizado até o momento é a PEC 55 que congela os gastos públicos nos próximos 20 anos e a Lei da Terceirização, que precariza o trabalho em geral. Vem aí 100 mudanças que flexibilizam a CLT e o fechamento anunciado hoje de 400 farmácias populares no Bom Dia Brasil. Tudo que está sendo feito e que ainda não começu a mostrar seus resultados apenas vão agravar a situação social, inclusive com o aumento da violência das pequenas às grandes cidades. Já podemos dizemos que vivemos uma séria regressão social e econômica há mais de 2 anos. Essa é a realidade, o resto são intenções e belas palavras.

  3. Os encargos da dívida não estão limitados.

    O que acontecerá ?

    Estes encargos avançarão sobre a Previdência, Saúde, Educação, Segurança…. etc……

    Falta transparência

  4. Esse tal esquecimento da equipe econômica não pode ser levado a sério. Esse propalado deficit soa como uma forma torpe de terrorismo, dirigido às camadas menos representativas do país. Até aí, nada que não tivesse sido feito ou tentado antes. A verdade é que “elegeram” o Meirelles como “o salvador da pátria”, e, pasmem!!! ele acredita mesmo!!! Só vou acreditar que é pra valer quando começarem as cobranças aos grandes devedores. Quem se habilita???

  5. JÁ comentei que o intuito desta reforma e tornar a previdencia publica pouco atraente aos olhos do trabalhador e com isso , migrarem para privada , como aconteceu com a educacao e a saude. Vale lembrar que no caso da previdencia privada a mesma esta na mao de bancos .

    • Essa mulher é uma débil mental do última grau. Uma estúpida que defende o aumento do investimento público num momento de explosão dos déficits primários e da dívida pública.

      Só pode ser uma louca, sr. Alverga!

  6. Não há como o governo reajustar a receita da previdência, sr. Pedro do Coutto.

    A receita da Previdência depende do desempenho da economia.

    Por causa da gestão keynesiana e da intromissão do governo na economia, desnaturalizando o livre mercado, a economia entrou em depressão. E junto com ela as receitas da Previdência, que é, indiscutivelmente, deficitária.

  7. A Previdência individualmente não sei, mas a seguridade social é superavitária, apesar da bilionária desoneração tributária feita pelo Governo nos últimos anos (desde 2011), principalmente no que se refere às contribuições que sustentam/respaldam a seguridade social (COFINS, CSLL, PIS-PASEP, contribuição para a previdência social).A Denise ataca impiedosamente a política fiscal da Dilma. Veja, só em 2015, a desoneração tributária somou R$ 282 bilhões, sendo que desse montante, o total da desoneração tributária que atingiu diretamente a seguridade social foi de R$ 158 bilhões. O déficit da Previdência alegado pelo Governo é de R$ 85 bi. Isso sem falar na DRU, que desvia bilhões da seguridade social para o pagamento dos juros da dívida. Além disso, há a dívida ativa previdenciária bilionária, que também não é cobrada. Como abrir mão de receita se o sistema é deficitário? Mais da metade das desonerações feitas por Dilma atingiu diretamente as fontes de recursos da seguridade social, e mesmo assim ela ainda dá superávit, embora muito menor do que há 6,7 anos atrás. Tem que haver reforma da previdência, mas essa questão da renúncia de receita é fundamental que seja revista e parece que o foi. Não concordo com tudo que a Denise diz, mas muita coisa que ela fala é a mais pura verdade.

    • O que a débil mental da dilma fez foi só empurrar com a barriga a recessão. O suficiente para ela mentir a vontade e enganar os trouxas em 2014 e se reeleger.

      A crise fiscal, com ou sem desonerações viria, de qualquer forma, ancorada pela depressão econômica que se avizinhava.

      Os argumento principal dessa mulher era a desvinculação das receitas da União (DRU). Também desonerações.

      E agora?

      Tira-se o efeito das desonerações e o déficit não só da Previdência, mas, de toda a Seguridade Social continua crescente e explosivo.

      O que essa louca vai continuar alegando?

      • Em relação à dívida ativa tributária. Esta segue o seu curso entre pendengas judiciais e processos de execução ou extinção da dívida.

        E, ainda que fosse possível cobrar a dívida ativa de uma só vez, o montante daria para cobrir, no máximo, o rombo de um exercício financeiro.

        Dívida ativa é assim: pagou, acabou.

        E depois? O déficit é crônico e crescente!

    • O que tem de ficar claro é que Dílma usou a política de desonerações para escamotear o processo de depressão que se avizinhava. Empurrar com a barriga a chuva de números negativos que viriam se ela não subsidiasse as empresas com desonerações tributárias, a fim de manter, artificialmente, o mercado de trabalho aquecido e garantir bons números para a sua eleição.

      Se ela e mantega não tivessem feito isso, a economia teria desabado antes das eleições de 2014.

      De qualquer forma, a crise já estava contratada pela gestão petista. E com ela a queda das receitas e a piora do quadro de desequilíbrio fiscal de toda a Seguridade Social.

  8. RESULTADO PRIMÁRIO DA SEGURIDADE SOCIAL (2016)

    I – Receitas Primárias

    I.1 – Contribuições Sociais…………………………………….R$603,9 bilhões
    I.1.1 – RGPS…………………………………………………………R$358,1 bilhões
    I.1.2 – CSLL………………………………………………………….R$47,2 bilhões
    I.1.3 – COFINS……………………………………………………..R$141,9 bilhões
    I.1.4 – PIS/PASEP………………………………………………….R$22,5 bilhões
    I.1.5 – CPMF………………………………………………………….R$0,0 bilhões
    I.1.6 – CPSS (*)……………………………………………………..R$30,7 bilhões
    I.1.7 – Custeio das pensões militares………………………R$2,1 bilhões
    I.1.8 – Concursos de prognósticos…………………………..R$1,4 bilhões
    I.2 – Receitas Próprias…………………………………………..R$0,2 bilhões
    I.2.1 – Saúde…………………………………………………………R$0,1 bilhões
    I.2.2 – Previdência…………………………………………………R$0,0 bilhões
    I.2.3 – Assistência………………………………………………….R$0,1 bilhões
    I.2.4 – Outras seguridades……………………………………..R$ 0,0 bilhões

    I.3 – Taxas e outras receitas da Seguridade Social…..R$9,0 bilhões
    —————————————————————————
    TOTAL DE RECEITAS (I.1+I.2+I.3)………………………………….R$613,1 bilhões

    II – Despesas Primárias

    II.1 – Principais benefícios da Seguridade Social…………………R$732,8 bilhões

    II.1.1 – Benefícios do Regime Geral da Previdência social…….R$510,0 bilhões
    II.1.2 – Pagamento a servidores inativos da União………………R$90,6 bilhões
    II.1.4 – Benefícios assistenciais LOAS/RMV……………………….R$49,0 bilhões
    II.1.5 – Pagamento de seguro-desemprego e abono salarial….R$55,7 bilhões
    II.1.6 – Bolsa Família………………………………………………………..R$27,5 bilhões

    II.2 – Salários dos servidores ativos……………………………………R$19,2 bilhões

    II.2,1 – Previdência Social………………………………………………….R$4,5 bilhões
    II.2.2 – Saúde……………………………………………………………………R$8,3 bilhões
    II.2.3 – Demais…………………………………………………………………R$6,4 bilhões

    II.3 – Outras despesas de custeio e capital…………………………..R$119,8 bilhões

    II.3.1 – Cumprimento de precatórios e sentenças judiciais…….R$1,2 bilhões
    II.3.2 – Benefícios a servidores públicos………………………………R$7,2 bilhões
    II.3.3 – Ministério da saúde………………………………………………..R$97,6 bilhões
    II.3.4 – Demais………………………………………………………………….R$13,8 bilhões

    ——————————————————————————————-
    TOTAL DE DESPESAS (II.1+II.2+II.3)……………………………….R$871,8 bilhões

    RESULTADO: TOTAL DE RECEITAS – TOTAL DE DESPESAS = – R$258,7 bilhões (déficit)

    Obs.: CPSS – Considera a contribuição patronal paga pela União ao Regime Próprio de Previdência dos Servidores Públicos.

    • Olha aí o déficit de toda a Seguridade Social: R$258,7 bilhões.

      E mesmo se tirássemos desse demonstrativo de resultado o efeito da DRU, ou, ainda, retirássemos o efeito do pagamento dos benefícios a servidores públicos da União, o resultado, ainda assim, permaneceria deficitário.

      Déficit crescente!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *