Governo recua no seguro-desemprego: e agora, Levy?

Pedro do Coutto

Esta matéria é baseada na reportagem de Valdo Cruz e Juliana Sofia, Folha de São Paulo, manchete principal da edição de 27 de janeiro, e o título inspirado no famoso poema de Carlos Drumond de Andrade, “E agora, José”: A festa acabou, a noite esfriou, o povo sumiu: e agora, José? Cabe bem transportar a essência poética para a posição a que o ministro Joaquim Levy foi conduzido, depois de ter afirmado ao Financial Times que o seguro-desemprego em nosso país estava ultrapassado e daí a necessidade de sua modernização. E também o desconforto que lhe deve ter causado o conteúdo produzido por Valdo Cruz e Juliana Sofia anunciando que a presidente Dilma Rousseff irá modificar a medida provisória que alterou o sistema. A alteração da modificação apoiada pelo ministro da Fazenda deve tê-lo colhido de surpresa.

Desejo assinalar (isso no caso é importante) que escrevi este artigo na tarde de terça-feira, portanto antes do final da reunião da presidente com seus 39 ministros no Planalto. Pois é possível que Dilma tenha recuado do primeiro recuo, ou então tenha mesmo voltado atrás. A questão é de difícil entendimento dadas as circunstâncias divergentes no posicionamento da equipe ministerial.

A Folha de São Paulo, ao mesmo tempo, destaca a reação contrária que a MP provocou junto às centrais sindicais, fato que teria feito o Poder Executivo reexaminar a iniciativa restritiva incluída na medida provisória original. Isso de um lado. De outro, o temor de a lei não vir a ser referendada pelo Congresso, sobretudo porque o corte de 50% nas pensões por morte dos segurados faz parte também da MP em foco. Valdo Cruz e Juliana Sofia acentuam ainda que as declarações de Joaquim Levy foram classificadas como infelizes pela equipe do Palácio. Principalmente porque Dilma Rousseff tem encontro com os representantes das centrais sindicais no próximo dia 3 de fevereiro.

PALPITE INFELIZ

O próprio Joaquim Levy – prosseguem Valdo e Juliana – reconheceu não ter sido feliz em suas afirmações, uma vez que defende correções no sistema, mas sem retirar direitos dos trabalhadores. Como seriam tais mudanças? – indago eu, pois não é possível cortar gastos com o seguro-desemprego sem modificar direitos trabalhistas. A confusão se generaliza, pois em nota divulgada sábado à tarde e publicada nos jornais de domingo, o ministro Miguel Rossetto sustentou que o seguro-desemprego constitui uma cláusula pétrea da legislação. Não pode ser mudado nem através de emenda constitucional, acrescentou.

As centrais sindicais, incluindo a CUT, braço trabalhista do PT, já estão promovendo manifestações públicas contra a proposta do governo. A Força Sindical, adversária da CUT, no caso do seguro desemprego, encontra-se na mesma posição de crítica ao governo.

NOVO CONSTRANGIMENTO

Não foi a primeira vez que o ministro Joaquim Levy viu-se obrigado ao constrangimento de um recuo. Assim aconteceu quando sustentou que o primeiro trimestre de 2015 seria um período de recessão temporária. No dia seguinte, através da Globonews, gravou um vídeo dizendo que cometeu um erro de palavra: em vez de recessão, ele queria dizer contração ou compressão econômica suportável pela economia. Não se referiu à população. Agora, portanto pela segunda vez, é levado a uma revisão do que ele próprio considerou um erro de sua parte.

O titular da Fazenda, líder da equipe econômica, está indo de recuo a recuo, o que não é nada bom para ele e para o governo ao qual integra. Como harmonizar os cortes propostos nas despesas com seu efeito no custo de vida? Um enigma que necessita ser traduzido do economês para a prática.

14 thoughts on “Governo recua no seguro-desemprego: e agora, Levy?

  1. O ministro formal continuou o mesmo. Só que agora se chama Joaquim, e não Guido. O ministro real é aquela lá, que já fez tantos estragos e vai continuar a fazer. E não só nos direitos trabalhistas, a gente sabe.

  2. A Civilização é feita, do entre-choque da Teoria Econômica, com as URNAS. Quando se propõem AJUSTES em Programas Sociais como o Seguro Desemprego, Pensões, Seguro Defeso para Pescadores artesanais, etc, onde seguramente há abuso, é natural que haja o DEBATE. Vejo como natural essa saudável discussão. É certo que muito dos abusos serão corrigidos e que a Presidenta DILMA, ungida pelas Urnas, tenha a última palavra. O inteligente Czar da Economia, Ministro da Fazenda JOAQUIM LEVY, não está acima da Lei, e nem deve considerar Constrangimento, ter que argumentar e defender suas ideias. Eventualmente será vencido no Debate, e isso é natural numa Democracia Representativa, cujo maior PODER emana das URNAS. Abrs.

    • Estimado Sr. Flávio José Bortolotto … saudações!

      “É certo que muito dos abusos serão corrigidos e que a Presidenta DILMA, ungida pelas Urnas, tenha a última palavra.” … … … A Constituição Federal CIDADÃ de 1988 não dá poder a nenhum Presidente ou Presidenta de ter a última palavra – esta interpretação é a origem do nosso sistema político não funcionar direito!!!

      O Congresso Nacional também é UNGIDO pelas urnas – e, pela diversidade partidária, é mais representativo da brasilidade, coisa que tucanos e petistas ainda não conseguem entender; pois, quando governam, tentam impor a agenda de PSDB e PT aos outros partidos para a necessária governabilidade … … … quando não se tem maioria absoluta no Congresso, os países CIVILIZADOS formam COALIZÕES, com cada partido fornecendo algo para um Programa Comum de Governo … … … já base aliada ou base de apoio é desvirtuar o que o eleitorado disse nas urnas – e acaba em MENSALÃO, PETROLÃO etc

      A candidatura de Eduardo Cunha tem o objetivo de levar o Executivo a respeitar o Legislativo – esse tem Poder até de impedir Presidenta(e) … enquanto esse não poder fechar o Congresso Nacional!!! !!! !!!

      Mais debate, como o senhor mesmo recomenda … só que:
      – em COALIZÃO, o debate é feito antes ou durante a redação das LEIS;
      – em base aliada ou base de apoio, o debate fica para a aprovação das LEIS; enquanto que a redação é feita nas TREVAS – ninguém sabe quem redige as LEIS!!!

      CHEGA DE TREVAS NO BRASIL!!! !!! !!! QUEREMOS ÁGUA E LUZ!!! !!! !!!

  3. Joaquim Levy não terá obviamente muita autonomia. Receberá o tempo todo palpites e ordens da governanta.

    Aquela que até já mentiu se dizendo mestre e doutora em Economia; aquela que merece o Nobel de Economia, porque conseguiu destruir tudo ao mesmo tempo; aquela que chegou a anunciar a construção de 800 (oitocentos!) aeroportos regionais; aquela que… ; aquela que… ; aquela que… ; aquela que…

  4. Num governo onde o principal conselheiro da “rainha” é um ministro que aceita a revogação do irrevogável, então
    tudo é feito na base do experimento. Se colar, colou. Se não, que seja revogado.
    O ministro Joaquim Levy, é de outro mundo, o bancário. Lá tudo é feito para dar lucro. Já o mundo “oficial”,
    é feito na base do agrado aos políticos, não precisa dar lucro, porque os que pagam, nem sabem que o fazem.
    Dai essa facilidade de mudar as decisões ao sabor das reações.
    A Dilma esta metida numa “briga de foice no escuro”, Já não sabe mais para que lado correr, esta na base do
    “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, depois do grito de independência do criador, descobriu que os
    seus conselheiros, são uns incompetentes, que a tem obrigada mudar de opinião em todas as medidas
    tomadas.
    Os discursos da Dilma, fazem lembrar as antigas “composições do burraldo” dos programas de rádio
    antigos. A coisa tá feia.

  5. Senhores,
    O ministro Levy esta cumprindo a missão lhe imposta pelo patrão!
    Capataz da bugrada aqui de baixo cujo direito é se esfalfar para pagar imposto.
    É a nova dimensão da escravatura moderna: Um povo inteiro!
    A missão é segurar os juros em patamar “adequado” visando uma alta remuneração dos rentistas, sem risco. É o que vemos há muito tempo.
    Vivemos a ditadura do rentismo.
    Quando acabar a missão, o ministro Levy voltará para casa sob a glória do dever cumprido!
    Podem crer!
    E VIVA o BRASIL!

  6. JOAQUIM LEVY JÁ ERA! MELHOR COISA A FAZER É PEGAR O BONÉ E CAIR FORA!! COM A DILMANDONA NO COMANDO NÃO HÁ CONSERTO POSSIVEL! O PAÍS ESTÁ INGOVERNÁVEL, E QUALQUER COMEÇO DE SOLUÇÃO PASSA PELA SAÍDA DA PRESIDANTA!!

  7. http://oglobo.globo.com/economia/rendimento-de-trabalhadores-no-rio-maior-que-de-sao-paulo-pelo-segundo-ano-seguido-15185015:

    PUBLICIDADE
    RIO – Pelo segundo ano seguido, o rendimento médio real dos trabalhadores na Região Metropolitana do Rio de Janeiro é maior que o de São Paulo. Em 2014, a renda média foi de R$ 2.346,50 no Rio, uma alta de 2,6% frente a 2013. Em São Paulo, a renda foi de R$ 2.192,43, apenas 0,2% maior que em 2013, enquanto no total das seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE chegou a R$ 2.104,16, 1,6% a mais que em 2013.
    Ao observar a evolução dos últimos doze anos – o período entre 2003 e 2014 -, o rendimento no Rio de Janeiro deu um salto. Em 2003, com R$ 1.572,00, a renda do Rio era 0,6% inferior ao da média das seis regiões, de R$ 1.581,31. Agora, em 2014, o rendimento do Rio era 11,5% que a média geral das seis regiões.
    — O rendimento do Rio de Janeiro veio crescendo ao longo do tempo, deu uma disparada nos últimos dois anos, ultrapassando até mesmo São Paulo — afirmou a técnica da Coordenação de Trabalho do IBGE, Adriana Araujo Beringuy.
    O movimento está ligado a uma expansão mais forte da renda em segmentos como serviços prestados às empresas, de 4,2%, e de outros serviços — que reúne alojamento e alimentação —, de 4,9%. Eles respondem, respectivamente, por 15,7% e 20,6% dos trabalhadores na região metropolitana.
    Os dados fazem parte da edição de dezembro da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE. O levantamento mostrou que o desemprego no país caiu para 4,8% em 2014, a menor taxa desde 2003.
    Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/rendimento-de-trabalhadores-no-rio-maior-que-de-sao-paulo-pelo-segundo-ano-seguido-15185015#ixzz3QDkyCkyn
    © 1996 – 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
    … … …
    Realmente … Cesar Maia e Garotinhos acabaram com o esvaziamento do RJ … Sergio Cabral deu continuidade … e agora a bola está com Pezão!!!
    … … …
    Joaquim Levy foi Secretário de Fazenda no 1º Governo Sergio Cabral … com políticas que confirmaram a competitividade RJ, estimulando grandes investimentos públicos e privados!!! !!! !!!

    Boa Sorte, Joaquim Levy … e não maltrate a nós trabalhadores!!!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *