Gravações sobre Pasadena podiam liquidar a presidente Dilma

Carlos Newton

Ao dar uma aula sobre lavagem de dinheiro na Escola da Magistratura Federal do Paraná, o juiz federal Sérgio Moro, que é professor de Processo Penal, afirmou que os políticos devem ser investigados como se fossem traficantes de drogas: é preciso seguir o velho conselho norte-americano, se quiser chegar ao líder (“Follow the money“, ou “Siga o dinheiro”), porque raramente o chefe da quadrilha está diretamente envolvidos nos atos criminais mais básicos, pois ele é o último beneficiário da atividade criminosa.

A Operação Lava Jato, se realmente for passar a Petrobras a limpo, tem de se aprofundar em determinados setores que ainda estão fora das investigações. O ex-diretor Paulo Roberto Costa, por exemplo, já recomendou que a força-tarefa não deixe de apurar a corrupção na importante área de Produção e Extração.

Na verdade, tudo na Petrobras é gigantesco e as atividades são medidas em bilhões de reais. A corrupção sempre existiu, a novidade na Era do PT foi sua amplificação de forma institucionalizada, com o governo passando a cobrar percentuais fixos, algo realmente inimaginável por sua ousadia e desfaçatez.

CANAIS DE CORRUPÇÃO

Sem a menor dúvida, há determinadas políticas adotadas pela Petrobras que não têm a menor justificativa técnica ou financeira para serem mantidas. Continuam sendo praticadas exclusivamente porque se tornaram canais permanentes de corrupção, mas até agora não foram submetidas a investigação pela força-tarefa da Lava Jato.

É o caso do perfil das refinarias brasileiras, que não conseguem processar o óleo extraído no país. Como se sabe, quase todo o petróleo brasileiro é do tipo pesado. Para serem refinados aqui, precisam ser misturados a óleo leve, mais caro, que a Petrobras precisa exportar.

Como explicar que há décadas o Brasil tenha se tornado um grande produtor de petróleo, desenvolvendo avançada tecnologia própria, mas até hoje não consiga refinar o petróleo aqui extraído? Ninguém explica por que todas as onze refinarias em funcionamento, inclusive as mais modernas, foram projetadas para refinar óleos leves, que o Brasil pouco produz.

A estranha solução, que custa muito caro, tem sido exportar o excedente de óleo pesado e importar óleos mais leves e mais adequados ao perfil de produção de nossas refinarias. Esse processo, por óbvio, gera fenomenal perda de receitas, pois o petróleo pesado brasileiro é vendido a preço médio muito inferior ao dos óleos leves que a Petrobras importa.

PASADENA

A refinaria de Pasadena foi comprada sob argumento de que serviria para refinar o óleo pesado brasileiro, o que era uma conversa fiada. Já se passaram quase 10 anos e a unidade americana ainda não processou um só barril de petróleo pesado, e nem poderia, pois só processa óleo leve.

Se seguirmos o dinheiro, como recomenda o juiz Sérgio Moro, vamos constatar que essa importação de petróleo leve é a mais antiga fonte de corrupção da Petrobras. Foi por meio dessas importações que o advogado Shigeaki Ueki, ex-presidente da Petrobras e ex-ministro de Minas e Energia no governo Geisel, ficou bilionário de uma hora para outra.

Quando o regime militar acabou, o corrupto Ueki já estava estabelecido no Texas, onde tem mais terra, mais gado e mais poços de petróleo do que a família Bush, vejam como o Brasil se apresenta como um país de oportunidades para quem quer enriquecer aqui e levar a fortuna para o exterior.

SEM GRAVAÇÕES

Foi por causa de grandes negócios como a compra de Pasadena que a direção da Petrobras mandou jogar no lixo os CDs das importantíssimas gravações do Conselho Administrativo, que não ocupavam espaço e podiam ser guardados numa caixa de sapatos.

Agora não se pode mais saber como a gerentona Dilma Rousseff se posicionou a respeito dessa inacreditável negociata, que mostra a que ponto chegou a corrupção na Petrobras. Em qualquer país minimamente civilizado, os responsáveis por um escândalo desse tipo teriam saído algemados da sede da empresa, em plena luz do dia.

10 thoughts on “Gravações sobre Pasadena podiam liquidar a presidente Dilma

  1. Como gosta de dizer o Gilberto Carvalho, agora o bicho vai pegar…
    ” Após minuciosa investigação no BNDES, uma força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) pediu a prisão de mais de 60 suspeitos. O caso é tratado sob sigilo, mas, segundo fonte ligada às investigações, o MPF devassa operações do BNDES no Brasil e também no exterior, além dos aportes bilionários que o tornaram sócio de empresas. Os pedidos de prisão incluem executivos do banco e de grandes corporações.

    Ainda não há estimativa dos desvios ocorridos no BNDES, mas representariam várias vezes os R$ 6,2 bilhões roubados da Petrobras.

    A Justiça pode não atender os mais 60 pedidos, mas espera-se que muitas prisões sejam decretadas na investigação do BNDES.

    O MPF esquadrinha os principais negócios realizados à sombra ou com recursos tomados pelo BNDES junto ao Tesouro Nacional.

    Além de desvios, são objetos da investigação denúncias de tráfico de influência e de pagamentos indevidos a executivos e a políticos.

  2. Carlos Newton, concordo teu raciocínio. A simples destruição das fitas gravadas deveriam gerar prisões para os responsáveis, pois são , na realidade, destruição de provas.

    É difícil acreditar que a “doutora” DILMA, definida por LULA como “mandona”, não tenha atuado de modo impositivo e despótico nessas reuniões, sendo a principal responsável pela montanha de dinheiro do povo brasileiro que foi atirado no lixo e engordando os corruptos da confraria.

    Tendo em vista que a Petrobras ficou sob às ordens de DILMA durante todo esse tempo em que o assalto foi realizado, a destruição das fitas aponta para a conclusão de que foi feita para proteger a GERENTONA MANDONA.

  3. Enquanto a ” Rainha da Sucata” comprava metade de Pasadena por U$ 456 milhões, a Petrobras vendia a Refinaria de San Lorenzo, na Argentina por U$ 36 milhões, para um amigo da Cristina dono de uma rede de casinos. Já nesse ano a Petrobras encerrou as atividades da ” Pasadena japonesa” , a Refinaria Nansey em Okinawa… Ainda tem muito a ser investigado.

  4. Eu acho que a vaca já foi pro brejo, levando o bezerro junto. Se em 500 anos de vida, o nosso pais, só conse-
    guiu ser a república mais corrupta e deter o maior número de ladrões de todas as nações do mundo, não
    imagino que em menos de outros 500 anos, conseguiremos sair desta situação.
    Toda vez que vejo aquela “oração” do Rui Barbosa sobre a honestidade, fico a pensar, se naquele tempo
    já era desta maneira, agora a coisa piorou e muito.
    Sou um desanimado com a questão moral deste povo chamado brasileiro, que quando saímos do pais, a
    nossa nacionalidade se torna um pejorativo, na boca dos estrangeiros.

  5. A responsabilidade da presidente dilma eh PATENTE. Destruir provas atrapalha o processo mas nao descaracteriza a responsabilizacao de cada um na hierarquia do servico publico. O Brasil precisa de um choque de moralidade. Que neste 27 de maio possa ser iniciado o fim da tirania imperial do PT.

  6. “com o governo passando a cobrar percentuais fixos”, conclusão do magistrado Carlos Newton,
    que possui acesso a todo o processo. Bestial, e paticipou das investigações, das oitivas, aguardo agora a sentença do impoluto magistrado. Quanta sapiência!

  7. Paulo Francis denunciou la nos Estados Unidos quando começou a se montar a quadrilha para assaltar a Petrobras, as contas ja tinham sido abertas na Suiça em 1996, em nome dos singelos diretores e gerentes Mas acharam melhor empurrarem para debaixo do tapete todas as denuncias e o mesmo modus operandi dos anos 90 foram aplicados nos desvios do Metro paulista

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