Greve dos servidores da Justiça no Rio obteve vitória apenas parcial, em meio a diversas decisões irregulares do Tribunal

Carlos Newton

Nenhum jornal publica nada, é impressionante o boicote ao movimento dos funcionários do Poder Judiciário no Estado do Rio. Eles reivindicavam um reajuste de 24,6%, referente a uma diferença salarial a que faziam jus. Como não tiveram reconhecido pela presidência do Tribunal o direito que a própria Justiça lhes garantira, entraram em greve, que teve adesão parcial.

Mas a greve não foi totalmente vitoriosa, pois o presidente do Tribunal de Justiça decidiu pagar o reajuste de  24,6% apenas aos cerca de mil servidores que haviam movido a ação, deixando de fora todos os demais, inclusive aposentados e pensionistas. Ou seja, criou duas espécies de funcionários – os com aumento e os sem aumento. 

A reação foi muito forte e a presidência do Tribunal mudou outra vez de posição. Anunciou então que vai pagar, em quatro parcelas anuais (2011, 2012, 2013 e 2014) não cumulativas, a todos os outros serventuários da ativa, excluindo aposentados e pensionistas.

Caramba, essa decisão é um primor de injustiça. É claro que todos os funcionários têm direito ao reajuste imediato, caso contrário o presidente do TJ não tomaria essa decisão. Mas por que pagar aos demais servidores de forma não cumulativa, sem juros e correção? E por que excluir aposentados e pensionistas? É óbvio que eles têm os mesmo direitos.

A perseguição aos aposentados e pensionistas é implacável e inexplicável. Por exemplo, a diferença do Auxílio Saúde, este também não foi pago, aos aposentados e pensionistas, conforme o contracheque enviado aqui à Tribuna. Quanto ao Abono de Natal (R$ 1 mil), por favor informem se já foi pago ou vai ficar para o ano que vem.

Diante dessa situação, só podemos parodiar o ex-deputado mineiro Francelino Pereira, líder da Arena no governo Geisel, que num momento de indignação desabafou, perguntando: “Que país é esse?”, frase depois reaproveitada brilhantemente por Renato Russo, vocalista da banda Legião Urbana. Então, que Justiça é essa?

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *