Grupo ‘Derrubando Muros’ reúne empresários e economistas que defendem uma terceira via

Claudio Mor (@MORtoonOficial) | Twitter

Charge do Cláudio Mor (Arquivo Google)

Pedro Venceslau e Fernanda Guimarães
Estadão

Enquanto organizações e partidos de esquerda e direita disputam nas ruas o protagonismo na oposição ao presidente Jair Bolsonaro, um movimento formado por empresários, investidores, banqueiros, políticos e intelectuais atua nos bastidores para unificar a oposição ao governo federal. Batizado como “Derrubando Muros”, o grupo se intitula uma “iniciativa cívica” e conta com 92 membros.

Parte deles esteve na Avenida Paulista no domingo, 12, mas optou por não subir no palanque por onde passaram Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Simone Tebet (MDB).

PREFEREM LULA – O foco principal da iniciativa é buscar uma terceira via nas eleições de 2022, mas o “Derrubando Muros” tem mantido conversas também com o PT e maioria dos membros não descarta apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno se o adversário for Bolsonaro.

“Estamos em um regime fascista e o inimigo está na sala. Nossa prioridade é criar uma alternativa no centro moderno e que haja o menor número de candidatos possível”, disse o sociólogo e empresário José César Martins, coordenador do coletivo.

A lista de empresários do grupo, segundo Martins, conta com nomes como Horácio Lafer Piva (da Klabin), José Olympio Pereira (do banco Credit Suisse), Antonio Moreira Salles (filho do presidente do conselho de administração do Itaú, Pedro Moreira Salles), Marcelo Britto, da Associação Brasileira do Agronegócio, e os economistas Pérsio Arida, Armínio Fraga, André Lara Rezende e Elena Landau. Os quatro últimos iniciam na quarta-feira um ciclo de debates sobre a reforma do Estado com a participação de Fernando Haddad, ex-presidenciável petista em 2018. “Mas essa não é uma iniciativa empresarial, mas cívica”, disse o coordenador.

ESCOLHENDO O NOME – O Derrubando Muros começou a se articular há um ano no Rio Grande do Sul. O grupo se expandiu e já se reuniu com todos os presidenciáveis, menos Lula, o que não está descartado.

A iniciativa atua em várias frentes. Na Educação, por exemplo, os representantes são o ex-ministro Cristovam Buarque e Priscila Cruz, do Todos pela Educação.

Em agosto, centenas de empresários, economistas, diplomatas e representantes da sociedade civil divulgaram um manifesto em defesa do sistema eleitoral brasileiro, destacando que “o princípio-chave de uma democracia saudável é a realização de eleições e a aceitação de seus resultados por todos os envolvidos”.

SEM GOLPE – O comunicado não citou nominalmente o presidente Jair Bolsonaro, mas foi categórico ao dizer que o País “terá eleições e seus resultados serão respeitados” e ao afirmar que “a sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias”. O documento foi divulgado no mesmo dia em que Bolsonaro passou a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das fake news.

Fábio Alperowitch, fundador e gestor da Fama, um dos precursores de investimentos “ESG” no Brasil, esteve na manifestação na Avenida Paulista no último domingo, mas se disse decepcionado. “Independente do número de pessoas, acho que o evento não foi contra o Bolsonaro, como deveria ser, mas cheio de agendas e se esvazia na sua natureza”, afirma.

Segundo ele, por conta disso, não se pregou união, visto que no evento também foi contra o ex-presidente Lula, o que afastou a esquerda da manifestação. “Um evento democrático deveria abarcar todos os tipos de pessoas, na minha visão”, frisando que a manifestação não foi de oposição, mas da “terceira via”.

6 thoughts on “Grupo ‘Derrubando Muros’ reúne empresários e economistas que defendem uma terceira via

  1. Só iniciativas como essa, se concebidas e desenvolvidas dentro dos limites do verdadeiro interesse nacional na reconstrução do Estado Brasileiro e planejamento do futuro desejado para as novas gerações, têm legitimidade de intenções e possibilidade de êxito.
    Grupos, como esse, teriam a vantagem da representatividade e capacidade de financiamento para não ficar reféns de interesses oficiais, mas para terem maior objetividade, deveriam ampliar a participação de líderes populares autênticos e membros da Academia das áreas de Humanas voltados para o planejamento geopolítico.
    A difusão maciça de um projeto de governo detalhado, a sugestão, desde já, de um candidato e possível ministério, a escolha criteriosa de figuras políticas para comporem o movimento e a vigilância e correção de desvios de conduta dos membros do grupo, por protagonismo ou interesses alheios, serão as balizas do possível sucesso.

    • Fh chefe da privataria tucana e interesses escusos deu no que deu, Lullarapio como agente do golbery e x-9 no doi-codi so veio a tona depois de mensalao e petrolao, defendendo interesses pessoais e das zelites sindicanalhas e das banqueiras que nunca lucraram tanto, a Dilmentira achava que tinha voo proprio e tentou emparedar Lullarapio com o caso Rosemary, mas a incompetencia e roubalheira trouxeram o temeroso (tem que manter isso, viu) e o mitonóquio, realmente, todos com projeto de poder (jd previa 20 anos no poder), sem projeto de construçao de pais, sao o atraso encarnados, ja apodreceram, mas continuam seduzidos pela chance de continuarem roubando, o velho na janela esta certo.

  2. Logo esses – empresários e economistas – totalmente desprovidos de qualquer sentimento social, de coletividade, somente enxergam números, estatísticas, quando lhes garante lucro(???)
    Essa centro-direita não tem vergonha mesmo do próprio ridículo.
    É vsem noção!
    É canalha!
    É golpista!

  3. Boa ideia, estava indo bem até que…
    lula é lobo em pele de cordeiro
    Podem falar tudo de bolsonaro, ele merece, mas uma coisa ele fez de bom que foi tirar luladrão do governo. Fico imaginando aonde estaríamos se eles continuassem no poder. Continuísmo é ruim até para sindico

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