Guerra Santa dos radicais islamitas está apenas começando

Carlos Newton

As declarações de Hasan Nasrallah, dirigente máximo do grupo Hezbollah, ao jornal The Daily Star, de Beirute, dão margem a importantes reflexões. Classificado de “Sua Eminência” no grupo de fundamentalistas islâmicos que se intitula “Partido de Deus”, Nasrallah afirmou que os religiosos extremistas que seguem ideologia takfiri sempre ofenderam muito mais o Profeta Maomé do que cartunistas ocidentais que zombem dele.

Ainda segundo o secretário-geral do Hezbollah, “o comportamento dos grupos takfiris que dizem seguir o Islã distorceram o Corão e a comunidade muçulmana muito mais que inimigos do Islã (…) que insultaram o Profeta em filmes, ou desenharam charges” – disse Nasrallah em discurso televisionado num evento em comemoração ao aniversário do Profeta. E continuou: “Os takfiris são a maior ameaça ao Islã como religião e como mensagem”.

APOSTASIA

A palavra árabe takfiri significava apenas um muçulmano que acusava outro fiel de apostasia (descumprimento das normas religiosas). A acusação em si é chamada takfir, derivada da palavra kafir, que designa “aquele que é, ou pretende ser, um muçulmano e é declarado impuro.”

Em princípio, o único grupo autorizado a declarar um membro de uma religião abraâmica um kafir (“infiel”) é o Ulema, a elite da hierarquia religiosa islamita, e isso só é feito com direito de defesa, depois que todas as precauções legais foram tomadas.

Nos últimos anos, porém, um número crescente de radicais fundamentalistas wahhabistas/salafitas, que passaram a ser denominados salafi-takfiris, se reservou o direito de declarar a apostasia contra qualquer muçulmano ou pessoa de qualquer outra religião ou tendência, passando a declarar e justiçar infiéis sem o julgamento da Ulema.

Hoje, representado por múltiplas e diferentes seitas, o Islamismo atravessa sua maior crise e está dividido em duas grandes correntes que já começaram a se digladiar. Uma delas, formada pelos muçulmanos que cultuam o Corão mas aceitam a existência de outras religiões, e a outra, integrada pelos radicais fundamentalistas, que pretendem expandir a Jihad (Guerra Santa) contra todos aqueles que não aceitarem o purismo reacionário da Charia (Lei Islâmica).

PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS

A Guerra Santa já começou, na Síria e no Iraque, travada na extensa região hoje declarada de “Califado”, que está sob domínio do autoproclamado Estado Islâmico. São muçulmanos lutando contra muçulmanos, numa guerra absurda e desumana que tende a envolver, direta ou indiretamente, todo o mundo islâmico, que tem epicentro no Oriente Médio e importantes ramificações na África e na Ásia.

No continente africano, a escalada é impressionante, com graves conflitos religiosos e étnicos em países como Nigéria, Camarões, Mali, Argélia, Magreb, Sahel, Líbia, Niger, Burkina Faso, Somália, Senegal, Mauritânia, Sudão, República Centro Africana e Etiópia. Onde há cristãos eles são perseguidos e as igrejas estão sendo destruídas. Mas quem se interessa?

GUERRA DE EXTERMÍNIO

Nessa guerra, que inevitavelmente ganhará cada vez maior participação de países ocidentais, parece não haver possibilidade de armistício nem de convivência pacífica. Espera-se que, ao final, os radicais fundamentalistas estejam praticamente dizimados e só restem os islamitas liberais, porque se trata, verdadeiramente, da mais importante Guerra Santa da História da Humanidade. Se os radicais vencerem, o mundo jamais terá um só dia de paz.

Detalhe: se por acaso os radicais fundamentalistas algum dia se renderem, será apenas temporariamente. Eles se julgam enviados de Deus e não temem a morte. Pelo contrário, se orgulham de morrer em nome de Alah. Que assim seja.

5 thoughts on “Guerra Santa dos radicais islamitas está apenas começando

  1. Foram os EUA que armaram o tal califado. O F16 jordaniano foi derrubado com um míssil fornecido aos ditos rebeldes moderados ao IE. Este dito míssil ou fornecido pelos americanos.
    Para ilustrar o que a grande imprensa brasileira não mostrou.

    La Stampa: piloto jordaniano morreu durante o resgate dos EUA
    Conforme revelado pelo jornal italiano La Stampa no sábado mãos jordanianas piloto EI morreram durante a operação de US conseguiu resgatar a cidade de Raqqa. O piloto tinha caído nas mãos do grupo terrorista, há duas semanas. As forças dos EUA tentou salvar o piloto cativeiro depois de encontrar a casa em que ele estava trancada e havia servido como uma prisão de outros reféns ocidentais. Em seguida, os norte-americanos e jordanianos decidiu organizar uma operação de resgate envolvendo unidades de elite de ambos os países e cobertura de aeronaves. O jornal italiano diz que o piloto foi morto na operação, sem revelar detalhes desse fato ou, quando eles ocorreram execução. A parede de fogo milicianos EI impedido helicópteros americanos pousando em dois pontos de Raqqa, que foi o fracasso da operação. Entre 2 e 02:30 sexta-feira, os dois helicópteros tentou depositar membros das Forças Especiais dos Estados Unidos na área de Alekershi, leste de Raqqa. No entanto, eles fizeram forte para uma grande bombeiros EI e decidiu sair. Minutos depois, os dois helicópteros tentou pousar perto da casa da Água Mill Street para depositar ali os militares dos EUA, mas isso deu em um confronto violento com os militantes do EI. De acordo com uma fonte, estes combates duraram mais de meia hora, durante o qual as aeronaves da coalizão dispararam suas armas e voou a baixa altitude sobre o CIDADÃOS. Isso, no entanto, não fez nada para provocar a retirada dos militantes do EI, o que acabou forçado do helicóptero para abortar a sua tentativa de pouso.

    Fonte:almanar.com.lb/

  2. Qual a origem, o que levou o Iraque e a Líbia a situação em que se encontram hoje?
    Quem queria invadir a Síria a título de defender a democracia? só não a invadiu porque
    encontrou resistência, principalmente da Rússia, mas de maneira indireta, fomentou
    a gerra civil no país. Onde há guerra, estará sempre presente uma grande potência.

  3. Se o paraíso em que os fundamentalistas acreditam é tão bom, porque não há revezamento de seus dirigentes? Porque é necessário o emprego de crianças como bombas humanas?
    E mais fácil falar e determinar aos outros a defesa de seus ” ideais”..

  4. O diagnóstico para a crescente e interminável violência no Oriente Médio está contido na velha e esquecida Teoria de Malthus: falta de espaço ou, alimento, por tribos que procriam que nem rato.

  5. Não existe muçulmano liberal ou moderado. Muçulmano tem a obrigação de matar ou converter todos os infieis, inclusive os crsitãos. Só acreditam nos muçulmanos moderados os mal intencionado ou os idiotas.
    Para se acabar com a violencia islamica só com o total conversão dos islamitas ou a destruição de sua cultura.

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