Há 20 anos, o Brasil perdia a presença marcante de Edmundo Moniz

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Moniz, intelectual marxista admirado por JK e Brizola

Sergio Caldieri

O escritor e jornalista Edmundo Moniz faleceu aos 86 anos em 22 de janeiro de 1977, no Rio de Janeiro. Nasceu em Salvador, em 2 de novembro de 1911. Filho do ex-governador e senador Antonio Moniz, um dos primeiros professores a falar em Karl Marx numa sala de aula em 1910. Sua família veio de Portugal com Tomé de Souza, em 1530, através de Egas Moniz, e dominaram durante vários anos os poderes políticos das classes dominantes da Bahia.

Edmundo Moniz  sempre foi um estudioso e passou a vida toda lendo e pesquisando. No início dos anos 30, aos 19 anos, foi estudar Direito no Rio de Janeiro, e já se entrosou no movimento estudantil que organizava o 1º Congresso da Juventude Operária-Estudantil, cuja comissão era formada por Jorge Amado, Ivan Pedro Martins, Carlos Lacerda, Irun Santana, Medeiros Lima e Edmundo Moniz. Segundo Irun Santana, era uma espécie de precursor da Aliança Nacional Libertadora, de 1935.

Nesta mesma década, Edmundo Moniz conheceu o intelectual Mário Pedrosa e fundaram o jornal A Luta de Classe em 1934, e a A Vanguarda Socialista, em 1945, como também fundaram o movimento trotskista com Livio Xavier, Hilcar Leite, Fulvio Abramo, Aristide Lobo, Rodolfo Coutinho, que conheceu Ho Chi Min em Moscou, Benjamin Peret e tantos outros.

INTELECTUAL MÚLTIPLO – Edmundo Moniz começou a dar aulas de história e filosofia no Colégio Dom Pedro II, escrever artigos para jornais e peças teatrais. No governo dos presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart, dirigiu o Serviço Nacional do Teatro no Rio de Janeiro. Quando Juscelino foi eleito presidente, perguntou-lhe em qual embaixada do Brasil na Europa gostaria de ser embaixador ou adido cultural, e Moniz respondeu que queria apenas continuara a ser diretor do Serviço Nacional de Teatro.

Foi diretor do Correio da Manhã durante vários anos e  na noite tenebrosa do AI-5 de 13 de dezembro de 1968, foram prendê-lo, mas ele conseguiu fugir pelos telhados dos fundos que dava para uma pensão da rua do Lavradio. No dia seguinte, na troca de turma, Edmundo Moniz vestiu um macacão de operário e saiu direto para o consulado do México onde pediu asilo e ficou durante nove anos pela Argentina, Uruguai, México, Argélia e Paris.

No exílio uruguaio,  foi o intelecutor do encontro da Frente Ampla entre os ex-presidentes João Goulart e Juscelino Kubitschek e o ex-governador Carlos Lacerda, para a formação de uma oposição contra  a ditadura militar no Brasil. Edmundo participou do último aniversário do presidente João Goulart na sua fazenda em 1º de março de 1975.  Depois de vários anos, no governo Dilma Rousseff, acharam fotos nos arquivos do SNI, devolveram várias fotos do Jango, entre elas, do seu aniversário, e Edmundo aparece na comemoração.

O HISTORIADOR – Edmundo Moniz escreveu 16 livros mas nunca recebeu uma linha nas colunas literárias, pois seu nome era proibido de sair nos jornais desde a ditadura. A sua obra Canudos: A Guerra Social, segundo João Pedro Stédile, foi muito importante nos estudos para formação do MST. Edmundo tinha uma das maiores bibliotecas do país e era um dos maiores estudiosos do marxismo. Foi secretário estadual de Cultura nos dois governos do Leonel Brizola, ex-conselheiro da ABI, MAM, IHGB e PEN Clube.

O líder comunista Luiz Carlos Prestes considerava Edmundo Moniz o maior teórico marxista da América Latina. De fato, Edmundo deixou um herdeiro, seu sobrinho Luiz Alberto Moniz Bandeira, aos 81 anos, radicado em Heidelberg-Alemanha, escreveu 30 livros, alguns publicados na China e União Soviética. Seus livros são recomendados aos alunos dos cursos de diplomacia do Instituto Rio Branco do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

 

5 thoughts on “Há 20 anos, o Brasil perdia a presença marcante de Edmundo Moniz

  1. “Filho de Teori: “Ele tinha preocupação constante” (O Antagonista)

    Brasil 22.01.17 22:29

    Ao Fantástico, Francisco Zavascki, filho de Teori, voltou a dizer que o pai e a família recebiam “ameaças de todos os tipos” – por redes sociais e por telefone.

    “Ele tinha preocupação constante.”

    A PF divulgou nota informando que teve conhecimento dessas ameaças e que nenhuma delas apresentava “risco real à segurança do ministro”.”

  2. O sobrinho de Edmundo Moniz, Luiz Alberto Moniz Bandeira entrevistou Jango e Brizola no exílio. Dessas duas entrevistas sairam dois magníficos livros: Governo João Goulart – As Lutas Sociais no Brasil- 1961/1964. e Brizola e o Trabalhismo. Dois grandes trabalhos. Para os interessados em saber a versão dos acontecimentos históricos desse período pelos dois prinsipais personagens, é só procurar nos sebos. É dificil , mas podem ser encontrados.

  3. Só não entendo por que tão brilhantes estudiosos marxistas não foram capazes de botar na prática todo o seu enorme cabedal de conhecimtos teóricos no exercício do poder.
    Melhor dizendo, até entendo, para mim, o episódio mais concreto dessa situação foi na epoca do ministro Sergio Mota(o gordo) que chamou todos esses estudos e propostas de masturbação sociológica. Me lembro que ele se referia principalmente aos estudos e propostas da esposa de FHC, a Dra. Ruth Cardoso.
    E relembrando suas propostas não eram nada ruins, até mesmo serviram de base para criação do bolsa familia, que foi usado e abusado pelo Lula, com finalidades claramente demagógicas.
    Mas havia um erro grave de concepção no mesmo:
    – Colocou demasiadamente sob o manto do estado as ações do programa e isso serviu claramente aos interesses populistas e demagógicos da quadrilha petralha que saqueou os cofres públicos durante anos e anos.
    Teria sido melhor se essas iniciativas de alguma forma tivessem sido mais privatizada na linha do que existe nos EUA e também nas propostas do Prof. Stephen Kanitz. Uma verdadeira politica Filantropica..

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