Há 200 anos, nascia Marx, um dos maiores benfeitores da Humanidade

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Há exatos 200 anos, num dia 5 de maio, nascia na Prússia o pensador Karl Heinrich Marx, cuja extensa obra, em parceria com o filósofo alemão Friedrich Engels, iria influenciar de forma decisiva muitas mudanças que ocorreriam na trajetória recente da Humanidade. “Uma das características da obra de Marx é que pode ser explicada em cinco minutos, em cinco horas, em cinco anos ou em meio século“, dizia o sociólogo francês Raymond Aron, um dos maiores estudiosos do marxismo (ou comunismo ou socialismo científico, não importa a denominação).

Interessante notar que nos últimos 150 anos nenhum pensador sofreu uma campanha difamatória tão intensa quanto Marx e Engels, que passaram a ser tidos com inspiradores de ditaduras sanguinárias e que defendiam cerceamento da liberdade, censura à imprensa e proibição às religiões. Mas será que eles eram assim mesmo?

O MENINO PROTESTANTE – O pai de Marx era um judeu convertido ao Protestantismo. Desde os seis anos de idade, o menino passou a acompanhar a família nos cultos dominicais e encontrou na mensagem de Cristo nos Evangelhos uma força social transformadora, que depois se tornaria base das teorias econômicas e políticas que viria a traçar com Engels, que se pautavam pela necessidade de reformas em benefícios das classes menos favorecidas.

Na visão de Marx e Engels, não se tratava de defender dogmas ou metas religiosas. Ao contrário, o que vislumbravam era liberdade, a ansiada libertação da semiescravatura social em que se vivia naquela época, quando não havia direitos trabalhistas nem proteção aos mais carentes.

A angústia religiosa é ao mesmo tempo a expressão da verdadeira angústia e o protesto contra esta verdadeira angústia. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, tal como ela é o espírito de uma situação sem espiritualidade. Ela é o ópio do povo” – escreveu Marx em “Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel” (1844), mostrando que seu pensamento sobre religião era muito mais complexo do que aquilo que se propaga habitualmente sobre ele.

O REINO DE DEUS – Engels era de uma família judia alemã que tinha até rabinos, mas se dizia ateu e partilhava dessa visão de Marx, por acreditar que o cristianismo era a religião dos pobres e oprimidos. Se pai era dono de uma das primeiras multinacionais do mundo, com indústrias na Alemanha e na Inglaterra.

Em seu estudo publicado em 1850 sobre a revolta dos camponeses alemães no Século XVI (“As Guerras Camponesas na Alemanha”), Engels afirmou que o teólogo cristão Thomas Munzer, que liderava os camponeses revolucionários, estava lutando pelo estabelecimento imediato e concreto do “Reino de Deus”, que Munzer visualizava como uma sociedade sem diferenças de classe e sem propriedade privada.

Portanto, também Engels reconhecia a importância e o potencial contestatório da religião como transformadora social.

COMPARAÇÕES – Chega a ser patético comparar Marx e Engels a seus supostos “seguidores”, como Stalin, Lênin, Fidel Castro, Pol Pot, Kim Il-Sung e Mao Tsé Tung. Somente mentes ignaras e doentias podem fazê-lo.

Os detratores esquecem que Marx e Engels escreviam sobre os problemas sociais que poderiam acontecer como reação ao capitalismo vigente na época, quando não havia direitos trabalhistas e sociais, a exploração do homem pelo homem não dava tréguas.

Mas isso não significa que defendessem ditaduras, opressão, censura à imprensa, genocídios, como até hoje se propaga, irresponsavelmente. Tudo o que eles previam, como a ditadura do proletariado em busca de uma sociedade mais justa, obviamente só aconteceria se o capitalismo não evoluísse e continuasse a massacrar os trabalhadores.

LIBERDADE INDIVIDUAL – Ao contrário do que se diz hoje, Marx e Engels defendiam o livre desenvolvimento de cada cidadão. “No lugar da velha sociedade burguesa, com suas classes e seus antagonismos de classe, surge uma associação em que o livre desenvolvimento de cada um é pressuposto para o livre desenvolvimento de todos“, afirmaram Marx e Engels, que defendiam a meritocracia.

Na fase superior da sociedade comunista, quando houver desaparecido a subordinação escravizadora dos indivíduos à divisão do trabalho e, com ela, o contraste entre o trabalho intelectual e o trabalho manual; quando o trabalho não for somente um meio de vida, mas a primeira necessidade vital; quando, com o desenvolvimento dos indivíduos em todos os seus aspectos, crescerem também as forças produtivas e jorrarem em caudais os mananciais da riqueza coletiva, só então será possível ultrapassar-se totalmente o estreito horizonte do direito burguês e a sociedade poderá inscrever em suas bandeiras: De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades“, escreveu Marx em 1875, na “Crítica ao Programa de Gotha”.

UM NOVO CAPITALISMO – Diante das denúncias de Marx e Engels, o capitalismo evoluiu de forma espetacular, mas até hoje não conseguiu reduzir as desigualdades sociais. Os dois filósofos não previram este aprimoramento do capitalismo, porém conseguiram antever, com impressionante precisão, os males do chamado capitalismo financeiro.

Em maio do ano passado, a revista britânica “The Economist” publicou um artigo sob o título “O momento marxista” e o subtítulo “Os trabalhistas têm razão: Karl Marx tem muito a ensinar aos políticos de hoje”.

O artigo de Adrian Wooldridge discute o que considera as grandes profecias de Karl Marx (assim as define), para entender o que está acontecendo hoje no mundo capitalista desenvolvido. O jornalista britânico conclui que muitas das previsões do velho economista Marx resultaram corretas. Entre elas destaca que a classe capitalista, a dos proprietários e gestores do grande capital produtivo, cada vez mais está sendo substituída – como anunciou Marx – pelos proprietários e gestores do capital especulativo e financeiro, que Marx considerava parasitários da riqueza criada pelo capital produtivo.

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P. S. 1 –
Essa classe parasitária é a que, segundo “The Economist”, domina hoje o mundo do capital, sendo tal situação a maior responsável pelo “abusivo” e “escandaloso” crescimento das desigualdades sociais. Exatamente como Marx e Engels, aqueles dois imbecis esquerdopatas, previram com impressionante exatidão.

P.S. 2 – Como se vê, a defesa dos aspectos positivos do marxismo não é privilégio nem exclusividade da “Tribuna da Internet”. O capitalismo financeiro está oprimindo o mundo e a saída é o socialismo democrático dos países escandinavos. Aliás, diz a física de Newton que o equilíbrio sempre está no meio. (C.N.)

39 thoughts on “Há 200 anos, nascia Marx, um dos maiores benfeitores da Humanidade

  1. Karl Marx benfeitor? Só pode ser piada. Suas ideias fomentaram vasto derramamento de sangue em nome da supremacia racial que ele defendia, em suas próprias palavras: “Entre todas as nações e grupos étnicos da Áustria, há apenas três que têm sido portadores do progresso. […] Os alemães, os poloneses e os magiares. Por essa razão eles são, agora, revolucionários. A grande missão de todas as outras raças e povos – grandes e pequenos – é perecer no holocausto revolucionário.”

  2. Ocorre que não é possível mudar para melhor toda a sociedade humana, enquanto cada indivíduo não se modificar internamente para melhor.

    E nisso Marx e Engels nunca pararam para pensar! Portanto suas ideias fracassam na prática!

    Somente o “amar ao próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas” tem condições de melhorar a nossa Terra.

    De torná-la justa, desenvolvida (moralmente e intelectualmente), igualitária…

    E espíritos superiores ainda vieram mais tarde, com o advento do Espiritismo, para acrescentar que:

    – Fora da caridade não há salvação!

    Uma frase com significado muito amplo, reforçando mais ainda o ensinamento do maior mestre que possuímos: Jesus.

  3. 1) Belo artigo , parabéns CN.

    2) O que os críticos da dupla Marx e Engels tem dificuldade imensa de aceitar é que graças a esses dois o Capitalismo foi melhorando em alguns termos sociais.

    3) Um exemplo bem concreto: acredite quem quiser, certa feita conversando com uma diretora do antigo Sesc – Serviço Social do Comércio, ela me disse que foi Getúlio Vargas quem criou o Sesc.

    4) Para evitar que as ideias de Marx e Engels crescessem muito, o governo Vargas criou a citada instituição para atender socialmente os empregados do comércio.

    5) E depois criou os demais chamados do Sistema S: Senai, Senac e ainda IAPI, IAPTEC, IAPC…

    6) Os três últimos acabaram nos anos 1960, foram incorporados ao INSS.

    • “2) O que os críticos da dupla Marx e Engels tem dificuldade imensa de aceitar é que graças a esses dois o Capitalismo foi melhorando em alguns termos sociais.”

      O Capitalismo teria melhorado por conta da dupla.

      Veja-se o inverso: sem a dupla, o Capitalismo não teria melhorado, pelo menos nos pontos citados pelo comentarista.

      Ou, esta variante, evidentemente carregada de exagero, mas para fazer a suposta imbricação do parágrafo: graças ao chicote que se apurava o senso de respeito à autoridade patriarcal?

      Um delegado em Anápolis, GO., onde morei, mandou colocar na entrada do seu gabinete um cassetete no umbral da porta escrito, DIREITOS HUMANOS. Quanto mais açoitado o preso, mais…

      É como se o Capitalismo tivesse méritos, alguns, por dependência: quanto mais Marx e Engels, melhor/ou mais para o Capitalismo.

      Assumindo que o comentarista esteja certo, a história reconhece que Marx e Engels tiveram muito ou alguma coisa a ver com o Comunismo e o Socialismo, os dois como sistema econômico e político.

      Se eu desse uma ‘espiada’ no que seus seguidores fizeram na antiga URSS e na Cuba de hoje, ou na Venezuela de agora, portanto, eu poderia inferir que, se o Capitalismo “foi melhorado” por Mars e Engels, logo o Comunismo e o Socialismo foi ‘melhorado’ na estampa desses países mencionados, certo?”.

      Afinal, pau que dá em Chico (Marx e Engels) deu também em Francisco (URSS, Coreia do Norte, Cuba).

  4. Tão amplo Isac, que está lá no ESE: “apesar de teres doado todas as suas riquezas aos necessitados, se não tiveres Caridade, não entrareis no Reino dos Céus. Se até mesmo a roupa do seu corpo tiveres dado ao pobre, ainda assim se não tiveres Caridade não entrareis no Reino dos Céus.”
    Então, Caridade é algo muito maior do que uma esmola.

    • 1) Por falar em ESE – Evangelho Segundo o Espiritismo…

      2) E como hoje é sábado, uma dica literária:

      3) A editora Celd lançou uma nova tradução do “ESE em Letras Grandes”, magnífico trabalho gráfico, 502 páginas.

      4) Parabéns ao Editores.

  5. Países escandinavos sociialistas? Essa é a piada do século. O capitalismo puro, que nivela todos por cima, ainda não existe, porque os esquerdopatas sempre atrapalham. Talvez, os países que mais se aproximaram do capitalismo puro, sejam a Coreia do Sul, Taiwan, Suécia, Noruega. À medida em que o socialismo/comunismo vai sendo, felizmente, varrido do mundo, tempo em que deixaram milhões de mortos, as ideias retardadas da dupla Marx/Engel vão para a lata do lixo. Foram dois caras sem honra e dignidade, que inventaram um monte de baboseira, para tentar implanatar uma ditadura mundial. Mas, para isso, teriam que destruir toda a base história da humanidade, inclusive Deus. Vão para o lixo da história.

    • Varrido do mundo?

      “O maior truque do demônio foi fazer as pessoas acreditarem que ele não existe”

      Tem bobinho que ainda não entendeu essa frase.

  6. Essa idolatria a marx/engel explica a miséria que o brasil se encontrar, mesmo o mundo crescendo ano após ano.

    Um dia vamos conseguir nos livrar dessa praga comunista/socialista e vamos abraçar o progresso do capitalismo e livre mercado.

  7. Uma das características da história, aquela que estudiosos fazem além da antiquíssima cortina de ferro, é ‘re-escrever’ ou ‘re-ler’ a história.

    C.N deu a sua contribuição: Marx é um benfeitor. Nada é rigorosamente impossível ao que crê.

    Ou, na expressão de Roberto Campos, “A burrice [análise histórica], no Brasil, tem um passado glorioso e um futuro promissor [o golpe de 1964 ainda há de ser uma expressão moderna da independência de 1822].

    O revisionismo histórico é sempre mantra.

    • Acho interessante a idolatria a Roberto Campos ser usada para defender teses ultraliberalizantes, porque há controvérsias.

      Quando eu trabalhava em Brasília, fui contratado para escrever um discurso a favor da reserva de mercado para as empresas nacionais de informática.

      Ao entregar o texto, fui convidado a ir ao apartamento do então senador Roberto Campos. Foi uma surpresa saber que o multinacionalista defensor do livre mercado desta vez estava a favor do protecionismo para empresas nacionais. Havia cerca de 20 pessoas no salão do apartamento e a secretária do senador distribuiu cópias do meu discurso. Quando começou a ler, logo na primeira página, Roberto Campos ficou tão empolgado que derrubou a xícara de chá.

      Particularmente, não considerei que Campos estivesse cometendo nenhuma “burrice histórica”. Fiquei amigo dele, viajávamos toda terça-feira no mesmo voo para Brasília (Varig, 09h15m). O assessor dele, Nelson Teixeira, era muito meu amigo, morava num apartamento de Roberto Marinho na Av. Vieira Souto, está muito vivo e pode confirmar o que estou relatando. Mas isto já é outra história. Acho que me empolguei um pouco com as lembranças.

      CN

  8. Em regra o ser humano ´torna-se mau por ser materialista, acha que não vão morrer e com egoismo e ganância defende sua riqueza para desfrutar dos prazeres da curta vida, que não tem nada haver com a felicidade. O prazer é um momento e felicidade é eterna.
    Para se implantar os pensamentos de Cristo, Marx e Engels, é preciso combinar com as elites, que certamente não abrirão mão do seus poderes e riqueza.. Até mesmo ditadores através da violência sanguinária, não conseguem formar uma sociedade justa.
    João Goulart, quis através da social democracia, implantar uma sociedade mais justa, naõ conseguiu, as elites não permitiram.
    O discurso de João Goulart do dia 13 de março de l964, que serve para os dias de hoje. Tentei enviar-lo mas não consigo, a mensagem não é entregue., não sei se mudou o e mail do CN ou qual é o problema..
    Seria interessante publicar o último discurso do João Goulart. Tem muito haver com a filosofia de Cristo, Marx e Engels.
    ..

  9. Amigo e irmão CN

    Já li muito sobre Marx, mas confesso, talvez não o suficiente para avaliações e análises desapaixonadas.

    Lendo teu texto, acabo de aceitar o desafio de ler tudo, dentro do disponível e o que me for possível, sobre as ideias de Paulo Freire, também endeusado por uns e diabolizado por outros.

    Não gosto de palpitar. Opinar com seriedade e buscando contribuir, exige conhecimento, muito conhecimento, se é que se quer melhor nossa qualidade de pensar e agir.

    Valeu Newton.
    Muita saúde e luz.
    Abraço fraterno.

    Fallavena

  10. Suas ideias mataram milhões no mundo. O PT é fruto dessa tragédia. Também a Teologia da Libertação. Onde esses estão, aí também o atraso, a injustiça, o ser desumano.

  11. Aqui no Brasil, lobo nem precisa se disfarçar de ovelha, bem ao contrário nos países ingleses que , céticos, por sorte ou outra razão qualquer, habitam os melhores países do mundo
    A Austrália , com a metade da idade do Brasil, é um deles.

    Esses crentes….

  12. Se não fossem eles, seriam outros, qualquer que fosse o momento, mas era obrigatório e humano que alguém começasse a pensar como se estivesse do outro lado.
    Neguemos a afirmativa acima: que beleza seria pagar o que se quisesse aos empregados, ahn ?

    Quanto à deturpação do que se prega ou do que se escreve: Jesus mandou matar alguém ? Houve as cruzadas e as inquisições. Mohamed mandou matar alguém ? Não, mas os homens-bomba matam. Alguém deu carta branca aos EUA para se proclamarem xerife do mundo ? Não, mas eles são. Jeová mandou os judeus passarem na espada aldeias inteiras ? Eles colocaram no livro deles que sim.

  13. Em artigo publico publicado aqui, http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/05/roberto-campos-e-lanterna-na-popa-jose.html o editor da Top Books, José Mario Pereira, informa que à época, 1990, “quem mais eu via com ele [Campos], íntimos a ponto de frequentarem o seu apartamento, eram: o médico Reginaldo Delamare, …; …Oscar Lorenzo Fernandez, …; Márcio Campos; Nelson Teixeira; Aristóteles Drummond; seu assessor de imprensa, Olavo Luz; seu cardiologista, César Benjó; o jornalista Gilberto Paim e o advogado Paulo Mercadante”.

    Ainda que Teixeira fosse íntimo, Drummond foi lembrado como seu assessor de imprensa.

    Certamente deveria haver mais pessoas. Teixeira registra estes, com destaque para Drummond, sobretudo porque Aristóteles reuniria em “O homem mais lúcido do Brasil”, 200 frases de Campos.

    Pedro Hoeper Dacanal escreve fascinante artigo aqui http://www.abphe.org.br/arquivos/2015_pedro_dacanal_a-conversao-de-roberto-campos.pdf onde trata do que ele chama de a “conversão” de Roberto Campos ao liberalismo.

    Entre 1950 e 1970 Roberto Campos manifestou adesão, ao que se chamava à época de planejamento de Estado; entre 80 e 90, Campos assumiu o legislativo como senador e deputado federal.

    É nessa última época que assumiu o “novo” posicionamento político-econômico. Tornara-se um liberal convicto. Explodiu sua produção intelectual. Ocorrera uma ‘conversão ideológica’. Tornou-se um “desenvolvimentista não nacionalista”, contrário à UNICAMP.

    Resume o autor, “Roberto Campos era um liberal de vanguarda [sic] que conservava a teoria do livre mercado e a ela fazia um reparo: entendia que as transformações históricas e sociais ocorridas desde o final do século XIX davam ao Estado o poder e a responsabilidade de impulsionar o desenvolvimento econômico em uma nação subdesenvolvida”.

    Onde (período) o nobre jornalista Carlos Newton se situa, na sua experiência histórica de poder partilhar da intimidade de Robertos Campos? Ou por outra, onde estava (pensamento) Roberto Campos à época em que o chá derramou vis à vis o discurso ao discurso de Carlos Newton?

    Sou leitor regular da produção literária de Campos. Tenho lido, sem exceção, que reserva de mercado, sobretudo para informática, foi anátema para Campos.

    No período que tornou-se parlamentar, seu discurso tinha três pilares estruturais:

    [1]. Opôs-se à política nacional de informática, que requeria reserva de mercado no setor de informática;

    [2]. Era contra as políticas macroeconômicas do
    governo Sarney;

    [3]. E bateu-se contra a instalação da Assembleia Nacional Constituinte, que resultou intervencionista e
    estatista.

    Ao leitor, a mim, por não ter o registro do discurso de Carlos Newton, e seu cortês comentário não informar com mais precisão a ocasião em Brasília (?) deste encontro, sobretudo do pensamento à época de Campos, o chá bem poderia ter sido derramado porque chocava-se frontalmente com a posição liberal de Roberto de Oliveira Campos.

    Quanto a Marx, Campos declarou, “Para Karl Marx a ditadura do proletariado seria apenas um estágio na evolução dialética. Abolidas as classes e a propriedade privada, assistiríamos ao ‘fenecimento do Estado’ e a floração da liberdade. Infelizmente Marx era bom filósofo, medíocre profeta e mau político.”

    Razão pela qual “Fui [Campos] um bom profeta. Pelo menos, melhor que Marx. Ele previra o colapso do capitalismo; eu previ o contrário, o fracasso do socialismo”.

    Pela atenção e seu tempo que tirou para responder a meu comentário, só posso expressar meus respeitos pelo seu trabalho e experiência.

    Eduardo Velasco
    Natal/RN

    • Grato por confirmar minhas palavras.

      Nelson Teixeira era jornalista, mas exercia as funções de chefe de gabinete de Campos. Olavo Luz, o assessor, era meu grande amigo, trabalhamos juntos, foi chefe de reportagem do JB e depois abriu uma agência de publicidade em Laranjeiras. Sua agência tinha a conta de estaleiros e do Prêmio Esso de Jornalismo. Uma bela pessoa.

      Abs.

      CN

  14. 1) Tudo é muito relativo aqui no Cosmos e não podemos nos apegar a preconceitos, quaisquer que sejam eles, de um lado ou de outro.

    2) Considerando que hoje é sábado, mais uma dica literária.

    3) Aqui na terra ela ficou famosa como a alagoana Dra. Nise da Silveira (1905-1999), médica psiquiátrica, foi aluna de Carl Gustav Jung, que começou como discípulo e contemporâneo de Freud; Dra. Nise realizou um belo trabalho social com doentes mentais do RJ, tem até um filme recente contando isso.

    4) Foi membro do PCB – Partido Comunista Brasileiro, foi presa e cassada. Traduziu alguns textos do Buda em 1943, uma das primeiras a fazer tradução da filosofia budista.

    5) Agora é um ser de Luz e a editora espírita Ceja-Barra, publicou recentemente o livro “Reconstruindo Emoções”, psicografado pelo Espírito Nise da Silveira, já está nas boas livrarias. Acredite quem quiser.

    6) O que eu quero dizer é que, não se apeguem tanto aos seus impermanentes pontos de vista, tudo é muito relativo aqui no Universo: vejam uma comunista após a morte, tornou-se uma espécie de santa/anja e começa a escrever psicografias.

    7) Os designios de Deus são insondáveis… paz e luz para todos (as)…

  15. Caro CN, li com atenção o seu texto procurando alguma benfeitoria que Marx tivesse feito à humanidade. Nadica de nada. Uma ou outra frase solta não anula o fato concreto de que a aplicação da sua doutrina resultou numa pilha de 100 milhões de cadáveres (e crescendo).
    Benfeitores da humanidade há muitos: Jesus, Buda, Gandhi, Galileu, Newton, Flemming, Jenner, Hilleman e tantos outros. Não Marx, cuja obra é um misto de inveja e apologia da violência.

    • Concordo plenamente.
      Falou que é marxismo, tem que haver controle e isso significa polícia para garantir a “verdade” desse mais um credo que promete o paraíso aqui na terra.
      Não funcionou nem na Alemanha Oriental, onde todos sabem, existe um povo bem afeito a sistemas bem organizados.

  16. A grande contribuição de Marx não foi nem como filósofo político, que ele nunca foi, nem como economista no sentido de formulador de modelos para aplicação na realidade, e sim como historiador econômico do capitalismo, tendo revelado os mecanismos de exploração do trabalho assalariado que propiciam o enriquecimento do patronato burguês e o empobrecimento do operariado. O capítulo de “O Capital” em que explica o processo de acumulação primitiva e esclarece os motivos de a Inglaterra ter sido pioneira na industrialização e no capitalismo industrial é realmente sensacional e merece ser lido.

  17. Cioran conhecia de perto a prática de um sistema e de outro. Viveu os dois:

    “Suspeita-se dos espertos, dos velhacos, dos farsantes: no entanto, não poderíamos atribuir-lhes nenhuma das grandes convulsões da história; não acreditando em nada, não vasculham nossos corações, nem nossos pensamentos mais íntimos: abandonam-nos à própria indolência, ao nosso desespero ou à nossa inutilidade; a humanidade deve a eles os poucos momentos de prosperidade que conheceu: são eles que salvam os povos que os fanáticos torturam e que os ‘idealistas’ arruínam.”

    • E com isso, nesse começo da revolução industrial, em que tudo era novo, desconhecido, por parte de patrões e empregados, foi a salvação de milhões de morrer de fome.
      Sabe como é a realidade: ás vezes ela dura demais e, conforme a situação,
      não se tem escolha, a não ser sobreviver às duras penas ou morrer de fome.

    • Foi diante dessa realidade que ele escreveu o Capital.
      É preciso entender Marx com a perspectiva da época em que viveu.
      Poucos conseguem ter essa percepção.

    • “Mais do que a rejeição da sua teoria da História ou até do seu programa de acção para derrubar o Estado burguês e instituir uma sociedade comunista, o que os opositores de Marx denunciam foi o uso posterior das suas ideias. Ora, seja o estalinismo ou o maoísmo, são “uma subversão das ideias de Marx”, nota o historiador Manuel Loff. Da mesma forma que não se pode associar os crimes da Inquisição à palavra de Cristo, é conveniente ter cuidado quando se cola a brutalidade dos regimes comunistas às teses de Marx, comenta Loff.”

      Perfeito. Mas quem se interessa ? Gente coisa é outra burra.

      • Não se pode associar os crimes da inquisição à palavra de Cristo, porque sabe-se que Jesus pregou o perdão e o amor, porém no caso dos crimes cometidos pelo comunismo e socialismo, cumpriu-se a agenda proposta por Marx, que defendia o derramamento de sangue para que a revolução do proletariado se concretizasse. Karl Marx deixou muitos “filhos” que até hoje estão espalhados por aí, afinal nem todas as suas crias fizeram como suas filhas, que se suicidaram.

  18. Marx, o parasita, que nunca trabalhou e era um lixo de ser humano um benfeitor da humanidade?
    Desculpem-me. Para mim, Moses Mordechai Levi ou Karl Heinrich Marx foi uma doença para a humanidade.

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