Há países onde os corruptos se suicidam, envergonhados

O ministro Matsuoka preferiu se matar

Jorge Béja

Foi publicado no dia 15 de novembro na Tribuna da Internet um artigo que relembra a vergonha que sentem os políticos e administradores públicos no Japão, que cometem o suicídio quando apanhados recebendo propina da corrupção de empreiteiras, como foi o caso do ministro da Agricultura daquele país, deputado Matsuoka. De lá para cá, nenhum político, nenhum órgão de imprensa abordou o assunto, restrito e levantado pela Tribuna da Internet.

Nesta quinta-feira, dia 4 de dezembro de 2014, matéria do conhecido e respeitado jornalista Evandro Éboli, com o título “Quando a corrupção acaba em morte” (O Globo, página 3), noticia que na tarde de quarta-feira o deputado federal Luiz Carlos Heinze, do PP do RS, subiu à tribuna (da Câmara, para não deixar dúvida) para lembrar “que em países como China e Japão, corruptos flagrados costumam se matar… O deputado Shokei Arai, de Tóquio, enforcou-se, lembrou Heinze ao microfone”.

Heinze, certamente, é leitor da Tribuna da Internet. E sua fala foi corajosa e oportuna. Acrescente-se: estatística mostra que, na China, o suicídio de parlamentares e administradores públicos acusados de corrupção é 30% maior que os suicídios que cometem a população. Enquanto isso, aqui no Brasil, essa gente não tem vergonha mesmo. Não choram. Não se mostram abatidos. Não perdem perdão ao povo. Continuam arrogantes…

O MOTIVO DA DELAÇÃO

Esse ex-diretor da Petrobras, que mora na Barra da Tijuca, no Rio, onde cumpre prisão domiciliar decretada pelo Juiz Federal Doutor Sérgio Moro, ele, com voz firme e “enojado”, como declarou na acareação de terça-feira com Cerveró, disse ele que aceitou a delação premiada, mas não a pedido de seu advogado; não para o bem do Brasil; não para ver atenuada sua pena; não por dever de consciência; não para devolver o que surrupiou da empresa….Nada disso.

Disse Costa que concordou com a delação premiada a pedido de sua esposa, de seus filhos e genro, que lhe alertaram: “Você vai pagar por isso tudo sozinho?”. Ou se não foi exatamente isso, foi algo de igual teor ou sentido, tal como “você não pode responder por tudo isso sozinho”.
 

24 thoughts on “Há países onde os corruptos se suicidam, envergonhados

  1. São duas as nossas diferenças dos países mencionados: ainda não somos um país e nossos corruptos são homens/mulheres sem a cultura do caráter.
    Paulo Costa será um novo “ídolo” daqueles que desejam mudanças no “futuro país Brasil”. o segundo homem bomba. Tomara as provas já estejam em lugar seguro. Ele, o delator, precisa de muita segurança também, embora ache eu, sua vida esteja por um fio.
    E há muito espaço para piorar.

    • Na mosca Sr Fallavena. Por aqui não há a cultura do caráter, mas a da malandragem (no pior sentido), do levar vantagem. Vergonha é privilégio de gente decente, não de vagabundos como os nossos políticos.

  2. Até nisso nossos políticos são ruins. Já pensou Berzoini, Palocci, Zé Dirceu, Genonino,
    João Cunha, Lula, e demais companheiros corruptos tomando uma atitude nobre igual a estes
    políticos japoneses e chineses. Isto aqui seria um paraíso.

  3. No califado do Calígula de São Bernardo os bandidos, saqueadores dos cofres públicos se acham heróis e assim são tratados pelo partido. Quem não se lembra da arrogância dos reeducandos Genoíno e Zé Dirceu entrando na PF de punhos cerrados? Quem não se lembra do Vargas levantando os punhos para o Joaquim Barbosa. No Brasil o que os atuais homens públicos procuram e criam são rotas de fuga, como demonstrou o Pizzolato. Querem sempre ter dupla cidadania como o Vaccari, ou a nossa ex primeira dama Dona Marisa Leticia Rocco Lula da Silva que, em 2005, requereu e obteve a dupla cidadania italiana para ela e seus filhos. Quando perguntaram o motivo ela respondeu: É que no exterior nos podemos ter mais chances… Do que não sei…..

    • Uí, será que vão me chamar de troll ?????kkkkkkk Magoei, vou fazer como o condenado Zé Dirceu, recorrer à Corte da OEA ! Vou dar uma saidinha para pagar as minhas dívidas.

  4. Meninos, isso me impressionou muito:

    “Em 22 de janeiro de 1987, na véspera do pronunciamento de sua sentença, Budd Dwyer convocou uma coletiva de imprensa para “esclarecer o caso”. Muitos acreditaram que se trataria de uma resignação pública.

    Na conferência, um Dwyer nervoso e agitado novamente alegou inocência, e declarou que ele não se afastaria da tesouraria do estado. Aqueles que estavam presentes ouviram suas palavras finais:

    Eu agradeço ao bom Deus por ter me concedido 47 anos de desafios instigantes, experiências estimulantes, muitos momentos felizes e, mais do que tudo, a melhor esposa e os melhores filhos que qualquer homem desejaria ter.
    Agora minha vida mudou, sem uma razão aparente. As pessoas que me telefonam e escrevem estão exasperadas e sentindo-se desamparadas. Eles sabem que eu sou inocente e quero ajudar. Mas neste país, a maior democracia do mundo, não há nada que eles possam fazer para evitar que eu seja punido por um crime que eles sabem que eu não cometi. Alguns disseram que eu era um Jó dos tempos modernos.

    O juiz Malcom Muir é conhecido por suas sentenças medievais. Eu enfrento uma pena máxima de 55 anos numa prisão e o pagamento de US$ 300 mil por ser inocente. O juiz Muir já sinalizou à imprensa que ele, entre aspas, “sentiu-se mal” quando nos foi colocada a culpa, e que planeja me condenar em detrimento dos outros envolvidos. Mas não seria o caso porque cada um dos outros acusados que me conhece sabe que eu sou inocente; isto não legitimaria a punição porque eu não fiz nada de errado. Minha prisão, sendo eu vítima de perseguição política, seria simplesmente um gulag americano.

    Eu peço àqueles que acreditam em mim para continuarem com sua amizade e que rezem pela minha família, que continuem a trabalhar por um verdadeiro sistema judicial aqui nos Estados Unidos, e que continuem com os esforços para me ratificar, assim minha família e suas futuras famílias não ficarão maculadas pela injustiça que está sendo perpetrada sobre mim.

    Acreditamos que a justiça e a verdade sempre prevalecem, e eu serei inocentado e nós devotaremos o resto de nossas vidas ao trabalho para criar um sistema de justo aqui nos Estados Unidos. O veredito de culpa está cada vez mais ganhando força. Mas na medida em que discutimos nossos planos para expor as mazelas de nosso sistema legal, as pessoas têm dito “por que, irmão?”, “ninguém se importa!”, “você age como um tolo!”, o 60 Minutes, o 20/20, a União Americana pelas Liberdades Civis, Jack Anderson e outros que têm publicado estes casos durante anos, e isso não incomoda ninguém…

    Neste momento, Dwyer parou de ler seu discurso e chamou três de seus assessores, entregando um envelope a cada um deles. Depois descobriu-se que um continha uma nota de suicídio para sua esposa. O segundo envelope continha uma nota de doação de órgãos e afins. O terceiro continha uma carta para o governador recém-empossado, Robert P. Casey.

    Após distribuir os três envelopes aos assessores, Dwyer pegou um outro envelope e retirou dele um revólver Magnum 357, alertando aos que estavam presentes na platéia:

    – Por favor, deixem o recinto se isto os ofende.

    Os que estavam na platéia clamaram a Dwyer para abaixar a arma (“Budd, não!” — ouviu-se na transmissão). Alguns tentaram se aproximar dele, e o ouviram dizer:

    – Afastem-se, esta coisa vai machucar alguém.

    E estas foram suas últimas palavras. Sem dar ouvidos aos clamores, Dwyer enfiou o cano do revólver na boca e puxou o gatilho. Ele caiu no chão, em frente às câmeras de cinco telejornais. Dwyer foi pronunciado morto na cena às 11:31 da manhã”

  5. Em tempo:

    Budd Dwyer foi considerado culpado de receber $ 300.000 (R$ 765.000,00) em doações de campanha de uma empresa de informática (Computer Technology Associates) em troca de um contrato de $ 4,6 milhões com o estado da Pensilvania.

    Seguindo encargos adicionais de fraude postal, auxiliando extorsão e conspiração para cometer suborno, Dwyer enfrentou um máximo de 55 anos de prisão e um 300 mil dólares bem.

  6. Muito bem lembrado, Carlos Vicente. Quem sabe nosso editor não vai publicar seu comentário em artigo com o título: Corrupção nos Estados Unidos: o Dramático Desfecho do “Caso Budd Dwyer”.
    Jorge Béja

  7. Mas site que traduz também produz frases sem sentido pra nós. Deveria ser assim o segundo parágrafo um pouco acima: “Além de fraude postal, co-autoria em extorsão e conspirando para subornar, Dwyer encararia uma pena máxima de 55 anos de reclusão além de multa de $ 300.000,00”

  8. No Japão a ética é diferente do Brasil. Na sociedade japonesa a hierarquia é importante, os líderes têm que dar bom exemplo. O japonês é cooperativista por que os desastres ambientais são frequentes, o número de vítimas fatais são enormes. Por uma questão de sobrevivência,o Japonês não pode aceitar que roubem dinheiro público porque é através do dinheiro público que as obras de recuperação e o auxílio às vítimas são implementadas. Quando um político ou um líder é pego roubando, a vergonha é tamanha que ele se mata para salvar a família da desgraça. No Brasil é diferente, o povo é liderado por gente mentirosa, que não liga para o povo, não sente orgulho do povo. No Brasil, política é profissão, onde os mais espertos fazem carreira, sem a responsabilidade de acertar. Agora mesmo estamos querendo moralizar o país com homens imorais. Aécio, FHC e Agripino Maia queriam ganhar a eleição , como bandeira usaram a corrupção , perderam a eleição porque a maioria dos eleitores os consideram corruptos, hipócritas e governantes incompetentes.

  9. Acho que eu não mereceria tamanha honra ( a publicação). Budd deve ter sido o último honesto pós-Glasnost. Não acredito que haja mais norteamericanos assim depois que ruiu a URSS. O último brasileiro semelhante – sabendo ou não o que fazia o irmão – foi Getulio Vargas.

        • Mais do que merecido, Carlos Vicente. E você vai poder admirar o talento, a arte, a sensibilidade e o alto padrão jornalístico deste nosso editor, Carlos Newton, expoente do jornalismo brasileiro, no trato com a notícia, seu texto e ilustração. Talentos iguais, apenas dois outros: Rodrigo França Taves e Marcel Souto Maior. Tomara que o amanhã chegue logo.
          Jorge Béja

          • Agradeço as palavras do jurista Jorge Béja, que me colocam ao lado de dois grandes amigos, Rodrigo França Taves e Marcel Souto Maior. Tive a oportunidade de ver os dois se iniciando na profissão de jornalista e se transformando nos profissionais de primeira linha que são hoje.

            Como diz outro grande amigo, o Ancelmo Gois, que Deus os proteja e a nós não desampare.

            Obrigado, Dr. Béja, por sua generosidade.

            Abs.

            CN

  10. Pois é, Béja, eu ando discutindo no meu blog com amigos que acham que corrupção é coisa de educação, mais exatamente sobre o caso da Skanska, a empresa sueca que andou distribuindo propinas por aqui.

    Eu afirmo que o ser humano, com raras e louváveis exceções, é susceptível à corrupção. Meu argumento, como sempre pragmático, é que ninguém é corruto onde as leis funcionam, e a Skanska é um exemplo disso, porque, lá na Suécia, onde a cana é dura, se fazem de anjinhos, mas onde o pasto é livre e as indigestões são passageiras, como aqui, os suecos não se furtam a cair na gandaia. Educação, com a devida vênia, é o cacete! Todos têm é medo de serem flagrados em delito, desde que a Justiça seja eficiente.

  11. O Dr. Jorge Béja, fez uma excelente comparação entre os corruptos
    brasileiros e os corruptos japoneses. Acredito que os povos têm índoles
    diferentes, que os leva a tomar decisões diferentes.
    Numa determinada situação problemática, os saxões, os japoneses, os latinos,
    etc , cada qual tomaria uma decisão diferente, salvo exceção.
    Abraços.

  12. Caro Dr. Jorge Béja, ilustre jurista:
    Tenho imenso respeito pelos japoneses. Estudei em uma universidade que tinha muitos descendentes de japoneses, lá aprendi um pouco da cultura nipônica.
    Aprendi a gostar da comida, do cinema, da arte de Hokusai, dos kakemonos, do Akira Kurosawa, e mais importante, dos valores cultivados pelos japoneses.
    Certa vez estive na bodas de um colega de turma chamado Paulo Yoshida, filho de pais japoneses. A festa foi uma maravilha, as mesas decoradas com crisântemos amarelos, boa música, boa comida, gente educada.
    Ao final da festa, para minha surpresa, os japoneses tiraram os seus paletós, arregaçaram as mangas das camisas e limparam o clube.
    Pude perceber o senso de dever, o elevado senso de responsabilidade que possuem.
    O suicídio do ministro Matsuoka, citado pelo Sr. não me surpreende, pois sei que os japoneses preservam a honra, o dever, os compromissos.
    Se o Sr. tiver a oportunidade, Caro Dr. Béja, não deixe de assistir a película o “Ultimo Samurai”, com Tom Cruise, um belo filme que mostra um pouco da cultura japonesa.
    Cordiais Saudações.
    Antonio.

  13. Concordo plenamente com a tese do advogado Jorge Béja, magistralmente comentada pelos leitores da Tribuna da Internet, o que mostra muito bem a qualidade dos textos aqui discorrida.

    A família de Costa e Youssef foram fundamentais na elucidação dos fatos tenebrosos que vão aos poucos vindo a tona.

    Entretanto, o que falou mais alto na tomada de decisão acerca da delação premiada, certamente foi o medo da família amargar o sofrimento da condenação dos réus a mesma pena de Marcos Valério(40 anos), o operador do mensalão ou pela gravidade do Petrolão, talvez chegasse aos 100 anos, a condenação do diretor e do doleiro.

    É o Brasil subindo a ladeira lentamente e saindo da escuridão da impunidade, relacionada aos membros da elite política e econômica. Ainda bem!

  14. Desculpem, o Costa é um vagabundo só delatou pois usou a sua família de modo vil com depósitos em suas contas.Era um funcionário de carreira,roubou ,agora vem com essa conversa de arrependido,só cola com o pessoal que é totalmente parcial. Agora comparar a nossa cultura com a japonesa é ridículo,pois a deles é uma cultura milenar,onde se respeita os idosos ,os animais,as crianças e principalmente o caráter.Se o Costa não quisesse roubar era só não assumir o cargo que lhe propuseram,eu acho simples.

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