Há um ano, a maior tragédia de terror numa escola brasileira

Milton Corrêa da Costa

Há um ano uma cena real e inimaginável, de pânico e terror, deixava o país incrédulo. É preciso refletir muito sobre a tragédia de 7 de abril, ante as cenas de terror ocorridas no interior da escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio, onde estudantes,em pânico, foram barbaramente assassinados (12 morreram) ou feridos.

Ressalte-se que um sargento da PM evitou que o massacre fosse ainda maior, ao abordar e ferir o insano atirador, que, ao que tudo indicava, seguiria atirando. Ele acabou se suicidando. Foram momentos de terror que estudantes – alguns adquiriram sequelas físicas e psicológicas irreversíveis- professores e funcionários daquela escola talvez nunca mais se esqueçam em suas vidas. Difícil apagar da memória uma cena como aquela.

Ainda que a segurança, em qualquer ramo da atividade humana, seja apenas relativa, é preciso prever sempre a existência de mínimas condições de segurança, para que crianças e adolescentes se sintam relativamente seguros no interior de estabelecimentos de ensino, ainda que saibamos que o imprevisível episódio poderia ter ocorrido até extra-muros.

As lamentáveis perdas humanas agora são fato consumado. Neste contexto de tragédia escolar, sem precedentes na história do país, afloram alguns incômodos questionamentos. Que tipo de personalidade era portador Wellington Menezes de Oliveira? Tratava-se de um doente mental (psicótico) ou de um psicopata (transtorno de personalidade) cuja doença foi gerada por ter sido vítima de bullying quando aluno da mesma escola?

Que tipo de traumas e sequelas, após tamanha violência, poderão adquirir doravante os alunos que se tornaram testemunhas vivas do inusitado episódio de violência? Preciosas vidas podem ser reparadas com indenizações em dinheiro? É por demais necessário que as campanhas de desarmamento – uma das armas do crime foi comprada por R$ 260 – se tornem permanentes no país?

Até que ponto os vídeos e sites da Internet, sobre armas e jogos eletrônicos podem estimular jovens e psicopatas para a prática de crimes cruéis? Como fiscalizar a internet nessa questão? E filmes tipo ‘Jogos Mortais’e ‘Jogos Vorazes’ até que ponto também banalizam a violência e o horror e influenciam jovens à prática agressiva? O que fazer para reforçar a segurança principalmente em escolas públicas no país? E o bullying ( maus tratos, trotes, discriminação) em colégios e universidades? Vamos ou não tomar providências de prevenção e repressão?

A realidade é que, enquanto sociedade organizada, precisamos ter a noção exata que segurança contra o improvável também precisa ser prevista e que armas não podem ser compradas com tanta facilidade. O país permanece, passados 12 meses, de luto pelas vítimas indefesas de um psicopata numa tragédia escolar sem precedentes.

Não podemos permanecer de braços cruzados como em estado letárgico esperando que fatos semelhantes ocorram. É como disse o jornalista Guilherme Fiuza: “É preciso investigar meticulosamente a caixa-preta do assassino Wellington Menezes de Oliveira, tentando identificar e prevenir o aparecimento de outros”.

O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, também tocou na ferida na ocasião: “O país precisa urgentemente é de um Plano Nacional de Segurança Pública que combata efetivamente o comércio ilegal de armas e munições, não de plebiscitos”.

Seria bom que o governo federal desse ouvidos ao ilustres advogado e jornalista, antes que fatos semelhantes ao massacre de Realengo voltem a ocorrer.

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