Há vagas para estadistas

Luiz Tito

Guido Mantega tenta ainda monitorar as ações do Banco Central, a torneira dos juros, a concessão de desonerações fiscais e a majoração de salários e vencimentos dos servidores públicos. O que não consegue Guido Mantega é frear a candidata Dilma Rousseff e seu projeto eleitoral, que precisa ser estimulado pela generosidade de suas medidas.

Bondades não faltam para acelerar a distribuição de dotações parlamentares, para remunerar a ampliação da folha de pagamentos, para abrir concursos públicos, para financiar o oferecimento de energia elétrica e combustíveis, ainda que tais ações custem a desidratação do patrimônio da Petrobrás, do BNDES e da Eletrobrás. Sobram ainda recursos para custear obras sem qualquer prioridade, para comprar a consciência popular e pior, para permitir a corrupção escandalosa, sem controle e impune, em índices nunca vistos na história desse país.

No Brasil de hoje há corrupção em tudo e em todos os segmentos do Estado. Nada escapa e se a fraude não está na ação, está na omissão de agentes públicos, de políticos e empresários

Justiça seja feita, Dilma nada inventou. Infelizmente, no Brasil, há muito e continua sendo assim que se ganham as eleições e esse foi o jogo jogado por José Sarney, por Itamar Franco, por Fernando Henrique Cardoso, por Lula, esses últimos especialmente para financiar seus projetos de reeleição. Quase sempre a fraude vem da ação, do propósito, da manifesta intenção. Outras vezes da omissão, mas tudo vale para consumarem-se nossas falências.

Os atuais candidatos à Presidência, Dilma Rousseff, Eduardo Campos e Aécio Neves, embora concordem entre eles que a inflação seja o mal que nos aflija de forma mais próxima e contundente, não apresentaram, ainda, qualquer proposta para seu controle nem tampouco de uma contrapartida à sociedade envolvida pelos favores que a alimentam. “Vamos combater a inflação”, é o discurso em alto e bom som desses candidatos, sem contudo dizerem como e a quem as mesmas vão custar renúncias, sacrifícios, responsabilidades, que os projetos eleitorais camuflam por serem medidas impopulares.

Que alternativas terá a sociedade, já tão onerada e última na linha de quem paga as contas, para se engajar nesse projeto de reconstrução sobre o qual é unânime a consciência nacional, desejosa de mudanças? Aumento da produtividade, redução da carga tributária e a tão desejada agenda de reformas da qual o Brasil tanto carece e não pode ser mais adiada: quem a proporá, com coragem para enfrentar a resposta das urnas? (transcrito de O Tempo)

11 thoughts on “Há vagas para estadistas

  1. Essas aventuras denominadas megaeventos sairão carissimas p/ o sofrido e judiado povo tupiniquim. As mazelas do país estão sendo expostas de uma maneira sem precedentes. O tiro ( mostrar um país sério/digno ao resto do mundo), definitivamente saiu pela culatra. p/ 1 país q historicamente se encontra na rabeira no q diz respeito aos níveis educacionais/intelectuais d sua população fica difícil entender como obras de estadios tão esdruxulas podem consumir atenção em detrimento d educaçao básica

  2. A meu ver, o grande estadista foi Brizola, mas o carma negativo do Brasil não permitiu que ele chegasse à presidência. Continuaremos mais algumas décadas sofrendo com esse
    carma negativo. A curto e médio prazo não tem solução. Não confundir com a corrida tecnológica, esta vai bem, obrigado.

  3. UMA COISA É CERTA: DONA DILMA NÃO TERÁ OS VOTOS DOS APOSENTADOS SE ELA NÃO ACABAR COM O FAMIGERADO FATOR PREVIDENCIÁRIO. NEM, TAMPOUCO, OS OUTROS CANDIDATOS SE NÃO SE LEMBRAREM DOS VELHOS QUE DERAM UMA VIDA INTEIRA DE TRABALHO HONESTO, CONTRIBUINDO PARA O INSS, PARA TEREM UM FIM DE VIDA TRANQUILO. TRABALHEI DURANTE 50 ANOS E GANHO UMA MISÉRIA QUE DIMINUI A CADA ANO. SÃO TODOS UNS CANALHAS. ANTONIO CORRÊA FILHO.

  4. Julgo de bom aviso ao Estadista que será mais feliz se preferir trabalhar no Planeta dos Macacos, porque no Planeta dos homens, dominado pelo partidarismo-elleitoral (situação e oposição) e pelo gollpismo-ditatorial (situação e oposição), velhacos, a coisa tá brava,” a coisa tá feia, a coisa tá preta, e quem não for filho de Deus tá na unha do capeta”. O nível está mais baixo do que fiofó de cobra. A coisa está tão feia que nem mesmo pai, mãe e filhos conseguem achar um mesmo denominador comum e se entenderem em torno dele.

  5. Com esse sistema eleitoral viciado carcomido e falido completamente, e com quase 40 partidos políticos , somente três no comando no Páis, e resto é barriguinha de aluguel, e essa desgraça de reeleição, jamais teremos um ESTADISTA…….

  6. Só o título da matéria já intimida, nesse deserto de homens e projetos honestos para o Brasil.
    No presente momento de nossa história política, concordo com a opinião de todos que não vislumbram a figura de um estadista.
    Tão pouco de mais um vigarista se rotulando de “salvador da pátria” ; desses, já temos um monte, e todos, mentirosos profissionais e corruptos…
    Vamos continuar esperando por alguém que nos livre de uma provável e futura república socialista cubana-brasileira, que é, ao que tudo indica, o objetivo do PT e sua tropa de alienados e desesperados , que trabalham com afinco para fazer acontecer… gente treinada…
    Como nos filmes americanos, quando a coisa ficar ainda mais preta, só vai restar rezar, esperando a cavalaria chegar…

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