Haverá espaço no Brasil para o partido único?

Márcio Garcia Vilela

Dias desses, dei com um artigo que me chamou a atenção. Intitulado “A Estranha Democracia Brasileira”, pus-me a procurar informação a respeito do autor, de quem nunca ouvira falar. Algum preconceito? Acho que não. Tenho lido, ao longo da vida, textos de ótima qualidade, inobstante desconhecer quem os escreveu. Só mais tarde descubro o autor. Não cedo tempo a bobagens que pululam por aí, até porque ando sempre lerdo com minhas leituras. Publicações costumam chegar, ruins e boas, a mancheias, o atraso vai se avolumando, a ansiedade também pela falta de espaço, ao ponto de deixar de lado uma interessante orelha que, entediado, acabo não terminando.

Dessa vez, estranhamente, “uma estranha democracia brasileira” me deteve. Algum motivo particular? Havia. A matéria tratava de uma reflexão concisa a respeito dos muitos caminhos que está tomando, erraticamente, o Brasil e que sugerem também perigosa excitação maquiavélica. E as vacas estão tomando o rumo da horta. O querido leitor sabe o que acontece quando esses simpáticos animais conseguem derrubar a cerca e entram no milharal? O fazendeiro trata de defender o que é seu: surra nelas, até retirá-las.

Será que, como castigo, os cidadãos conscientes, convencidos de que “a democracia é o pior de todos os regimes políticos, salvo todos os demais outros”, apanham também? A história é o mais confiável testemunho. Fora da lei, sem instituições sólidas, maiorias despreparadas, inconscientes, incapazes de compreender a verdade e rechaçar a mentira, tudo pode acontecer. A ilusão, principalmente a que emerge do exercício da razão e as conclusões do refletir sem senso de responsabilidade são os piores inimigos do “zoon politikon”.

PAGAR O PREÇO

Se o eleitor não se dispõe a pagar esse preço, a sociedade não se sustenta e se desmorona com o impacto da leviandade. A minha geração já não dispõe mais de tempo. Inúmeras vezes a demagogia chegou na frente e nos furtou o que sobrou. Um dia, a brisa sobrou e restaurou a esperança. Será que tudo acabou? Certo é que, terminado o atual mandato presidencial, dona Dilma completará para o PT 12 anos na Presidência da República. Se fosse uma Margareth Thatcher, tudo bem: uma chefe de governo do seu nível merece permanecer com louvores o tempo em que governou o Reino Unido e até mais, liderando seu partido. Mas, a política é muito mais ingrata do que reconhecida: sua queda se deu por manobras do próprio Partido Conservador contra sua titularidade.

Incrível, mas é assim, principalmente numa democracia. Ora, reeleita a senhora Dilma e quiçá volte ao poder o senhor Lula, poderão somar para o PT mais tempo na Presidência que Vargas, incluído seu período constitucional. Logo, não cabem sequer comentários. Se tal absurdo ocorrer, seja com os atuais personagens, seja com outros que aparecerem, como estaria o país ao final desse ciclo de tragédia? Nem vale a pena especular. Mormente quando se trata de América Latina. Exceto o suicídio de Vargas, nada aqui choca. Porém, faz chorar, e não é o caso? (transcrito de O Tempo)

2 thoughts on “Haverá espaço no Brasil para o partido único?

  1. Está a mídia fazendo campanha para subir o novo poste??? poste de 4% kkk KKK kkk já Paulo Skaf com 19% é ignorado – por ser do PMDB??? Eduardo Cunha para Presidente da República pelo PMDB – este tem honrado a carteirinha do partido!!! Lionço Ramos Ferreira

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