Heleno admite que Abin espionou ONGs e participantes em evento climático da ONU

Heleno tenta se justificar e diz que “maus brasileiros” foram monitorados

Felipe Frazão
Estadão

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, admitiu nesta sexta-feira, dia 16, que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitorou participantes da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP 25), realizada em Madri, em dezembro passado. Em sua conta no Twitter, ele escreveu que o órgão deve acompanhar campanhas internacionais apoiadas por “maus brasileiros”, que o governo Jair Bolsonaro entende como prejudiciais ao Brasil.

Ele afirmou que a Abin tem competência legal para atuar na COP e continuará a agir em “eventos no Brasil e no exterior”. “Temas estratégicos devem ser acompanhados por servidores qualificados, sobretudo quando envolvem campanhas internacionais sórdidas e mentirosas, apoiadas por maus brasileiros, com objetivo de prejudicar o Brasil”, escreveu o ministro. “A Abin é instituição de Estado e continuará cumprindo seu dever em eventos, no Brasil e no exterior.”

MONITORAMENTO – A admissão de Heleno ocorreu quatro dias depois de o Estadão revelar detalhes da operação realizada por quatro agentes da Abin, três deles recém-concursados, no mais importante evento sobre o clima do mundo. A reportagem confirmou com um dos oficiais de inteligência enviados à Espanha que o objetivo era monitorar e relatar menções negativas a políticas ambientais do governo Bolsonaro, especialmente na Amazônia.

Eles focaram nas organizações não-governamentais (ONGs), com as quais o governo mantém relação conflituosa, mas também observaram atividades e integrantes da própria comitiva brasileira e de delegações estrangeiras.

INVESTIGAÇÃO  – A manifestação do ministro no Twitter ocorre também depois de deputados oposicionistas, da bancada do PSOL, acionarem a Procuradoria-Geral da República e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão cobrando investigação por crime de responsabilidade e ato de improbidade administrativa.

Os parlamentares pedem que Heleno e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sejam responsabilizados pela operação da Abin e pela omissão de informações ao Congresso. A Constituição prevê punição por envio formal de informações falsas requisitadas por congressistas. Ao responder a requerimento por escrito, o Itamaraty deixou de informar no ofício à Câmara dos Deputados sobre a presença de nomes da Abin e do GSI na delegação brasileira.

OMISSÃO –  O documento omite o vínculo funcional dos quatro oficiais de inteligência concursados da agência e de um assessor de confiança que representou Heleno no na ONU, o coronel da reserva do Exército Adriano de Souza Azevedo, da Assessoria de Planejamento e Assuntos Estratégicos. Todos foram identificados apenas como “assessores” da Presidência da República.

Apesar disso, Heleno alega que o governo foi “transparente” porque a Abin publicou na versão antiga de seu site uma nota dizendo que “integrou a COP 25”, dias depois de a missão em Madri ter sido concluída. Questionados há 10 dias, nem o GSI nem a Abin haviam se manifestado ou respondido a perguntas da reportagem sobre a operação na ONU. Sem precedentes, ela foi contestada também por ambientalistas, diplomatas, ex-chefes de delegação internacional e dirigentes de ONGs.

CRACHÁ – Tendo o elo com Abin oculto, eles foram credenciados na ONU pelo Itamaraty como “analistas” do GSI para supostamente participar das rodadas de “negociações” da COP 25. Com isso, receberam um crachá com tarja rosa que dava o mais amplo acesso a salas de negociação e a espaços sob responsabilidade e segurança das Nações Unidas.

A suspeita da presença deles e o comportamento no pavilhão de debates e exposições organizado por ONGs, o Brazil Climate Action Hub, provocou um clima de desconfiança generalizada na delegação.

ALERTA – Até delegados de outros países entraram em alerta. Intimidados, servidores técnicos deixaram de falar em público com ambientalistas, que por sua vez notaram comportamentos suspeitos e deixaram de promover reuniões de coordenação numa sala de debates envidraçada, após abordagem de um “representante do GSI”.

O Estadão consultou as listas oficiais das delegações nas edições da COP de 2013 a 2018, em posse das Nações Unidas. Em nenhuma delas aparece o nome de representantes do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ou da Abin. Fontes acostumadas a participar do evento disseram ser a primeira vez que a Abin monitorou o encontro.

17 thoughts on “Heleno admite que Abin espionou ONGs e participantes em evento climático da ONU

  1. Todo indivíduo, quando é possuído por uma ideologia, ou está a serviço dela, torna-se um monoideísta ou burro de antolhos. Seu senso crítico se reduz a sacralizar a sua convicção e demonizar aquilo que vier de encontro a ela.
    Isso acontece porque, quando o elemento não tem personalidade pétrea, ao ser cooptado por um grupo, o primeiro valor a perder é a individuação, ou seja: deixa-se absorver pelo coletivo. E suas reações, para rechaçar quaisquer atitudes contra a sua causa, será tão veemente quanto mais adversa for para si quem as provocou. Nessas condições, o recrutado despersonificado, para discordar: enxerga até coelho pondo ovo de páscoa, e mula-sem-cabeça portando cartola!

  2. Só acho interessante a conotação da palavra “patriotas”. Parece que ela hoje também abrange proteger criminosos condenados ou em investigação, rachadinhas, dinheiro na cueca, terrorismo virtual…

    • O português é um idioma esdrúxulo por excelência!
      Pátria (feminino), vem do latim, Pater (Pai). Logo, há de se deduzir: Pátria seria Pai feminino, à moda Pepeu Gomes = Paia. Por isso, talvez, a cada dia, o português venha sendo substituído pelo Portugays!
      Dezem que somos uma sociedade machista: quando nos referimos ao genitor e à genitora, num só pacote, usamos o plural do Pai = Pais; basta um acento para outra vez cairmos em Pátria, ou País.
      Mas quando se faz menção aos pais do genitor ou da genitora, simultaneamente, aí prevalece o feminismo, plural de Avó = os Avós.
      Se o cara adora ídolo é um Idólatra; se ama a Pátria é Patriota ou Patriolatra. E a espingarda que é dotada de Culatra, adora o quê?

  3. Sou até a favor de pautas ambientais, mas esse medo infantil de SNI, ABIN, CIA, KGB chega a ser patético!
    E daí se a ABIN enviou agentes para acompanhar o encontro. De espiões esses membros não tem nada. Foram lá para acompanhar sim, e daí? Alguém foi preso por causa disso?

  4. Esse governo do Bolsonaro tem mostrado muitas verdades importantes para pensarmos o futuro do pais. Uma foi excepcional: nunca mais pensar em solução militar para o combate á corrupção e construção da grandeza do país. Definitivamente eles não se diferenciam em nada do que temos tido. Um exemplo decepcionante foi o seu Heleno e o seu Mourão (os outros, sinceramente, nem devemos citar). Fico por aqui para não me alongar, mas certamente esse tema daria uma tese de doutorado de um próximo candidato ao STF.

  5. Novidade: a associação de proteção aos animais fez um abaixo-assinado para salvar o lobo guará. Segundo eles o animal é muito sensível a excrementos humanos, especialmente de senador.

  6. É claro que um governo tem que investigar instituições, ONGs, ou qualquer outra coisa que coloque em risco a soberania de um país.

    Mas sabendo-se que as próprias FFAA brasileiras faz vistas grossas para ONGs norte-americanas que estão há décadas no Brasil se passando de “missionários de Jesus”, e essas ONGs norte-americanas são nada mais nada menos que olhos e ouvidos do Titio Sam em território nacional, em uma clara interferência a nossa soberania, então quais ONGs a Abin investiga?

    Também a minha outra pergunta para o general de pijama Heleno é:

    Achou alguma coisa de errado nas ONGs
    investigadas?

    • Eu me preocupo mais com os efeitos maléficos da adminstração idiota do Bolsonaro. O Tio Sam é sempre uma desculpa para a nossa inferioidade como nação. Nós somos medíocres, seu Renato. Pense nisso.

      • Felipe Quintas

        Os liberais e a esquerda colonizada nunca perdoaram o 7 de setembro, um dos maiores eventos do século XIX.

        Há motivos para isso: a Independência foi, em essência, contra a Inglaterra, que governava Portugal não tanto pela Dinastia de Bragança mas pelos liberais da Revolução do Porto de 1820, que trabalhavam, sob ordens expressas de Londres, para fazer a Corte voltar a Portugal e fragmentar o Brasil. O genial Dom João VI ajudou muito a impedir esse plano maligno e preparar o 7 de setembro quando convenceu Dom Pedro a ficar aqui, no famoso Dia do Fico.

        O Brasil se tornou independente sendo o segundo maior país do mundo, com um governo central mais forte e estável que o de qualquer outro país americano e com um sistema financeiro estatal (dirigido por Martim Francisco, irmão de José Bonifácio) suficientemente pujante para o país ter feito sua Guerra de Independência sem um tostão estrangeiro. A dívida com a Inglaterra só viria em 1824, quando a Independência já estava consolidada. A dívida só foi tomada quando Dom Pedro I, sob pressão de agentes a serviço da Inglaterra como a Marquesa de Santos (que também traficava minas para os ingleses), afastou o núcleo duro da Independência, composto por José Bonifácio e os irmãos e Maria Leopoldina, que se recusaram a estabelecer qualquer negociação de endividamento com a Inglaterra.

        Entende-se, assim, o ressentimento dos liberais e da esquerda colonizada. Ambos os grupos preferiam que o Brasil tivesse seguido o caminho da América espanhola, de um federalismo republicano oligárquico e incapaz de governar grandes extensões territoriais, inviabilizando um desenvolvimento autônomo. O Brasil não se desenvolveu porque o grupo dirigente que sobressaiu após a demissão dos Andradas não quis e preferiu uma acomodação com a Inglaterra, desperdiçando todas as condições para fazer do Brasil a maior potência mundial já em meados daquele século.

        De qualquer forma, evitou-se o pior, que teria sido a divisão do Brasil em várias Colômbias, como pretendiam a Confederação do Equador e a Farroupilha, verdadeiros cavalos-de-tróia anglo-saxões, “revoluções coloridas” para usar um termo contemporâneo.

        Com todos os limites, a Independência foi um fato real e é sim para ser celebrada. Ela nos deu a unidade política e a plataforma territorial necessárias para o Brasil ser não apenas mais um país no mundo, mas o Paraíso Brasil.

      • TODA essa esquerda, TODA essa direita, TODOS esses ídolos de youtube que apareceram de 2012 para cá do nada são crias do Deep State americano para a guerra híbrida no Brasil (e partidos como o PSOL também).
        Todos são usados para destruir o sentimento de pertencimento nacional do brasileiro médio, todos são usados para fazer os brasileiros aceitarem a rapina do país por banqueiros internacionais. Todos são usados para fazer o brasileiro pensar que não tem capacidade de tomar conta de seu próprio país e que ele é um lixo que nasceu do estupro e da desgraça.
        Todos têm números no youtube inflados artificialmente exatamente para caírem na boca do povo. Mas eu entendo um pré-adolescente caindo na lábia dessa galera. Agora gente da academia batendo palminha para essas figuras é demais.

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