História do Fluminense, mais um capítulo de amor

Pedro do Coutto

Não importa a derrota para o Cruzeiro numa semana plena de comemorações e do afrouxamento que sucede as grandes conquistas. Afinal, o tricolor sagrou-se tetracampeão brasileiro com três rodadas de antecedência. O público que lotou o Engenhão foi lá muito mais para testemunhar uma conquista com volta olímpica com a Taça nas mãos do que para uma disputa com o Cruzeiro que, diga-se de passagem, realizou uma grande partida,a começar pelo seu goleiro Rafael.

Para eternos tricolores símbolos da torcida, caso de Nelson Rodrigues, a conquista estava escrita na marca do tempo. Não importa a simbologia aplicada ao passado, importa que o título de 2012 incorpora-se à história do clube e do futebol brasileiro. Futebol brasileiro, sim. Porque é bom não esquecer que cinco integrantes da equipe campeã foram convocados para a Seleção Brasileira.

A torcida comemorando a derrota com a vitória que o time antecipara deu uma lição de amor ao clube e ao esporte. As sombras das chuteiras imortais devem ser lembradas em mais um título entre tantos conquistados com emoção, suor e lágrimas. Épico mais este título que vai adormecer para sempre na sede de Álvaro Chaves, palco de tantas vitórias, tantos êxitos, tantos capítulos de vibração humana. Não só no futebol, mas em tantos outros esportes nos quais as três cores estão presentes.

A conquista do tetra fora decretada por Fred ao marcar o terceiro gol no domingo anterior contra o Palmeiras. A festa começou naquele momento e prosseguirá nas rodadas finais que se aproximam.

Lotando o Engenhão após permanecer horas nas filas da semana, o torcedor das três cores viveu sua emoção e, por uma armadilha do destino, não saiu das arquibancadas com um resultado que seria o fecho de ouro. Não tem importância. Os milhares de torcedores de todo o Brasil, pois a torcida tricolor tem presença nacional, não se limitando ao Rio de Janeiro, levantou a bandeira do clube nos vários pontos do país. Tremulou ao vento e percorreu a estrada que leva às glórias e à eternidade dos confrontos esportivos. Os tricolores são de coração, como diz o hino do clube, composto por Lamartine Babo, grande artista torcedor do América.

As Laranjeiras estão em festa, a direção do clube também, o treinador Abel Braga, que conduziu a equipe, sustentando um elenco permanente, usando a técnica e a tática. Um grande vencedor porque um campeonato como o brasileiro, disputado meses a fio não pode prescindir de reservas à altura dos titulares. Até porque as disputas, cada uma delas, muitas vezes muda de ritmo e feição. E há as contusões inevitáveis, os cartões que retiram um jogador de uma partida para outra.

Glória a Abel Braga. O Fluminense foi o ataque mais positivo e a defesa que menos gol tomou. Fruto de um belo trabalho de grandes profissionais, de Fred a Abel, passando por Diego Cavalieri e por aqueles cujos nomes estão no coração da torcida. Aliás, ela mesma, tornou-se personagem da conquista. Deu uma lição de amor.

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