História para iniciantes

Humberto Braga

A história geral dos Estados, nações, civilização é a investigação compreensiva dos mais importantes fatores, objetos e subjetivos que os formaram e determinaram o curso de suas vidas, em continuidades e descontinuidades, crescimento e declínio.

Entre os fatores objetivos incluem-se os geográficos, os provocados por fenômenos naturais, os antropólogos, os demográficos etc. Entre os subjetivos (que se objetivam historicamente), estão as ideias, as crenças, as mentalidades, as normas legais, as ações de destacados indivíduos etc.

O campo da história geral de um grande Estado é vastíssimo e complexo. Abrange o estudo das suas estruturas socioeconômicas (modo de produção, classes sociais com suas funções e mobilidade, os meios de produção, circulação, distribuição e consumo dos seus bens e serviços, moeda, crédito, grande mercados etc.) nos seus ambientes urbano e rural; das principais instituições públicas e privadas (forma de governo, poderes estatais, forças armadas, serviço público, igrejas, associações privadas poderosas etc.); das grandes organizações, movimentos e fatos políticos; das elites dirigentes; das mais relevantes ou expressivas realizações materiais e culturais (produtos da economia, obras públicas, explorações, ciências naturais e sociais, técnicas, filosofia, artes, letras, cultura popular e de massas, etc.); dos costumes característicos; dos graves conflitos internos ou externos; dos sistemas jurídicos, de valores, crenças e ideologias.

As indicações dos fatores mais importantes são fruto de seleção pelo historiador. Portanto, a compreensão histórica, ainda que necessariamente apoiada em dados reais, é, parcialmente, um conhecimento de perspectiva.

Durante séculos prevaleceram as interpretações ou concepções idealistas da História entre as quais se apontava até a intervenção divina. Depois vieram outras teorias como a geográfica, a racial etc.

Marx foi o autor da mais famosa e discutida interpretação materialista, mas não despreza os fatores ideais, tanto que publicou livros e participou da atividade política, embora sustentasse como dominante o fator econômico que deflagraria as lutas de classes. Nesse plano, o seu pensamento está resumido na frase célebre: “Não é a consciência que determina a vida, é a vida que determina a consciência”.

Mas, contrariando o determinismo marxista, os fatos não abonam a tese de que a História tem um sentido único, previsível e necessário. Não há fator permanentemente dominante na História. Esta se fez pela ação e relação de fatores objetivos e subjetivos, materiais e ideais, às vezes preponderando uns, às vezes outros. O seu curso se deu a uma pluralidade de causas. Essa é a concepção dominante entre os modernos historiadores.

Humberto Braga é Conselheiro
aposentado do TCE-RJ

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