Hoje é um dia muito especial, mas ninguém se lembra de Armanda Álvaro Alberto, a maior educadora brasileira, que criou a mais revolucionária escola da História deste país.

Carlos Newton

Hoje é um dia especial para a Educação brasileira, mas não há comemoração, ninguém diz nada. Faz 90 anos que foi criado o mais importante projeto educacional do País, a Escola Proletária de Meriti, na Baixada Fluminense, mas nenhuma autoridade faz o favor de lembrar.

O Rio de Janeiro dos anos 20 e 30 era uma capital federal em ebulição, agitada por mulheres influentes, corajosas, elegantes, intelectuais e revolucionárias. Uma geração extraordinária, que lutava por um país melhor e acabou sendo duramente perseguida pela ditadura Vargas.

Esse grupo era integrado por Maria Werneck, Nise da Silveira, Eneida de Moraes, Isabel Lacombe, Alice Carvalho de Mendonça, Branca Fialho, Bertha Lutz, Jerônima Mesquita, Amélia Xavier da Silveira, Eugenia Álvaro Moreyra, Ítala Fausta, Maria de Lacerda Moura, Cecília Meirelles, entre outras.

Nesse seleto grupo, pontificava Armanda Álvaro Alberto, a maior educadora brasileira. Foi ela que criou em 1921, foi a primeira escola brasileira a dar merenda, a abolir a palmatória e a formar uma comissão de pais de alunos. As técnicas de ensino eram revolucionárias, uma fusão dos métodos do suíço Pestalozzi, da italiana Maria Montessori e do norte-americano John Dewey. As crianças, que mantinham uma horta, tinham aulas de higiene, artes e canto orfeônico.

Criada pela própria Dona Armanda, a cartilha de alfabetização da escola usava palavras de uso comum em Meriti, uma área rural miserável e abandonada. Trinta anos depois, esse método educacional foi adaptado por Paulo Freire, que então se tornou conhecido internacionalmente.

Perseguida na ditadura de Getulio Vargas, Dona Armanda foi presa 18 vezes. Nunca se curvou. É uma mulher que o Brasil jamais poderia esquecer. Mas que somente agora está sendo lembrada, em uma biografia, sob o título “Mate com Angu”, que a escritora Dalva Lazaroni acaba de lançar. Ela foi aluna de Dona Armanda e coletou cerca de 6 mil documentos e fotografias, numa pesquisa que levou 20 anos.

Dona Armanda Álvaro Alberto foi uma mulher fantástica, um nome a ser eternamente homenageado por todos os brasileiros, embora as autoridades federais, estaduais e municipais insistam em esquecê-la. Hoje, por exemplo, nessa data história, ninguém se lembrou da maior educadora brasileira. Que país é esse?

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