“Hora de trabalhar? – Pernas pro ar que ninguém é de ferro!”, dizia Ascenso Ferreira

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Ascenso Ferreira era um intelectual multímidia

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O poeta, funcionário público, escritor, jornalista, compositor e radialista pernambucano Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (1895-1965) jocosamente registra a “Filosofia” de quem não gosta de trabalhar, num de seus poemas mais famosos.

FILOSOFIA
Ascenso Ferreira

Hora de comer – comer!
Hora de dormir – dormir!
Hora de vadiar – vadiar!
Hora de trabalhar?- Pernas pro ar que ninguém é de ferro!

9 thoughts on ““Hora de trabalhar? – Pernas pro ar que ninguém é de ferro!”, dizia Ascenso Ferreira

  1. No Brasil há quatro estados de gente aguerrida pro trabalho: Pernambuco, Rio Grande do Sul, Ceará e Goiás. E existem outros que se situam na faixa mediana. Diametralmente opostos ao quarteto citados estão: baianos, paraenses e a região norte inteira!
    Haja bolsa família para entulhar o fiofó da preguiçada!

  2. “Deixo a vida para entrar na História” um trecho famoso da carta-testamento endereçado ao povo brasileiro, de Getulio Vargas, que há 64 anos cometeu o suicidio. – 24 de agosto de 1954.,

      • Em 1814 os ingleses incendiaram Washington; em 1869 o dispositivo para fazer torrada foi patenteado; NATO foi criada; 2006 Pluto deixou de ser um planeta.
        Google search acabou com o eruditismo : o conhecimento sobre o mundo está nas pontas dos dedos!

  3. 24 de Agosto de 1954 Getulio resolveu dar um fim na sua vida

    “Deixo a vida para entrar na História” um trecho famoso da carta-testamento endereçado ao povo brasileiro, de Getulio Vargas, que há 64 anos cometeu o suicidio. – 24 de agosto de 1954.,

  4. Minha Escola – Ascenso Ferreira

    A escola que eu frequentava era cheia de grades como as prisões.
    E o meu Mestre, carrancudo como um dicionário;
    complicado como as Matemáticas;
    inacessível como Os Lusíadas de Camões!
    À sua porta eu estava sempre hesitante…
    De um lado a vida… – A minha adorável vida de criança:
    Pinhões… Papagaios… Carreiras ao sol…
    Voos de trapézio à sombra da mangueira!
    Saltos da ingazeira pra dentro do rio…
    Jogos de castanhas…
    – O meu engenho de barro de fazer mel!
    Do outro lado, aquela tortura:
    “As armas e os barões assinalados!”
    – Quantas orações?
    – Qual é o maior rio da China?
    – A 2 + 2 A B = quanto?
    – Que é curvilíneo, convexo?
    – Menino, venha dar sua lição de retórica!
    – “Eu começo, atenienses, invocando
    a proteção dos deuses do Olimpo
    para os destinos da Grécia!”
    – Muito bem! Isto é do grande Demóstenes!
    – Agora, a de francês:
    – “Quand le christianisme avait apparu la terre…”
    – Basta.
    – Hoje temos sabatina…
    – O argumento é a bolo!
    – Qual é a distância da Terra ao Sol?
    – ?!!
    – Não sabe? Passe a mão à palmatória!
    – Bem, amanhã quero isso de cor…
    Felizmente, à boca da noite,
    eu tinha uma velha que me contava histórias…
    Lindas histórias do reino da Mãe-d’Água…
    E me ensinava a tomar a bênção à lua nova.

    (Catimbó, p. 33-34)

  5. Uma pena que não hajam trens como uma opção de viagem pra gente ir danado pra Catende no Trem de Alagoas de Ascenso Ferreira musicado por Villa Lobos, que que inspirou Manuel Bandeira a compor Trem de Ferro, musicado por Tom Jobim. Já ouvi o Trem de Alagoas declamado por Maria Deusa Bethânia em suas apresentações. Bate uma saudade do apito do trem.
    Na vida de Ascenso houve um episódio irônico, quando foi nomeado por JK para dirigir o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais em Recife. Depois de 10 dias a nomeação foi cancelada sob a alegação dos intelectuais pernambucanos de que não podia um poeta boêmio ocupar o cargo.

  6. Amigos, na minha infância no Bairro de São José, o mais recifense de todos os Bairros como dizia o Escritor e Médico Orlando Parahym, bem na esquina da Rua Cristóvão Colombo com Passo da Pátria, todos os domingos pela manhã, aquele homem alto e de chapelão se encostava nas casas e ficava assistindo nossa brincadeiras infantis e o ir e vir das pessoas, era Ascenso Ferreira, que caminhava pelas calçadas, cumprimentava meu Pai e marchava para a Mercearia de “Seu Sebastião” , lá era o encontro de moradores, boêmios, intelectuais, gente de todas as classes sociais, e, sentava-se numa “grade de cerveja” ouvindo os ventos que balançavam os pés de Macaíba da Praça da Restauração Pernambucana, bem na frente da minha casa, as vezes nos abraçava e perguntava a Papai se eu ainda estava lendo muito. Tempos bons e saudosos de minha infância no meu Recife Amado. Infância misturada com Adultos que frequentavam minha casa desde Capiba, Nelson Ferreira, José Menezes (haja frevo) passando pelo violonista Zé do Carmo , nosso vizinho que é considerado com João Pernambuco um dos maiores Violonistas do Mundo(se mudou para o Rio de Janeiro em um Jeep)) , esse era o meu viver no Bairro de São José que me ensinou a Viver, Conhecer, Amar em cada Poeta, Escritor, Vendedor de Frutas os sons de uma epoca e os sonhos de uma Nação em nossa História Pernambucana, sou um privilegiado de testemunhar a vida do meu Recife, daria um livro se fosse contar as estória que ouvi naqueles encontros na minha casa..só ver Nelson Ferreira tocando Evocação no meu Piano lá em casa já era um sonho real. Muito Obrigado a vocês, e, quando virem ao Recife, visitem o Museu do trem, Antiga Estação Ferroviária do Recife , onde esse Trem danado prá Catende saía todos os dias….VIVA A PERNAMBUCANIDADE….Oh..Oh Saudade, Saudade tão grande, Saudade que eu sinto dos Clubes Das Pás, dos Vassouras, Passistas traçando Tesouras nas ruas repletas de lá. Batidas de Bombo são Maracatus retardados, chegando a Cidade cansados com seus Estandartes no ar. Que adianta se o Recife estar longe e a Saudade é tão grande que eu até me embaraço. Parece que eu vejo Walfrido Cebola no passo, Haroldo Fatia , Colaço, Recife estar dentro de mim….Antonio Maria

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