Horário eleitoral precisa, pelo menos, passar seriedade

Pedro do Coutto

O horário eleitoral na televisão precisa urgentemente ser modernizado quanto a forma de apresentação dos candidatos e principalmente passar o mínimo de seriedade e credibilidade. Os partidos são responsáveis pela desarrumação e confusão que o envolvem, fatores que se refletem na acentuada queda dos índices de audiência, através especialmente da fuga para os canais pagos. É o que revela a jornalista Keila Jimenez na edição da Folha de São Paulo de 21 de agosto, quinta-feira passada.

Ela acentua que à tarde do primeiro dia da entrada em vigor do espaço obrigatório nada menos que 28% dos televisores da Grande São Paulo deslocaram-se para os canais pagos que subiram de habituais 3,7 pontos para 8,9%. Cada ponto na região representa 65 mil domicílios. A Globo, que possui audiência média de 11 pontos das 13 às 13:50hs, caiu para 5,9%. À noite, das 20:30hs às 21:20hs, a fuga para os canais por assinatura elevou-se dos habituais 9 pontos para a escala de 16,4%. No horário político, a Globo perdeu 27%, a Record 40 e o SBT 28 pontos.

Para a colunista de TV da Folha de São Paulo, com o passar dos dias, a tendência é a retração se ampliar. Decorrência, principalmente, creio eu, da falta de qualidade dos candidatos que fazem promessas absurdas sem parar e se transformam em figuras folclóricas que não passam a menor confiança por não dizerem como pretendem efetivar os compromissos que se propõem a assumir com milhões de pessoas que vão comparecer às urnas de outubro.

PROMESSAS

Candidatos a deputado federal e estadual apresentam propostas que aos poderes executivos (federal, estaduais) compete executar como seus próprios nomes indicam. Porque as direções partidárias não selecionam melhor as pessoas que se apresentam para disputar o voto do eleitorado? Simplesmente porque não lhes interessam. Aos dirigentes interessa atrair e apresentar candidatos de poucos votos, mas de boa presença nas comunidades, a fim de que possam somar sufrágios para as legendas, porém sem ameaçar os que as dirigem.

O resultado é esse que se vê. Lástimas sob o ângulo de análise, ou um divertimento inconsequente, visto de modo amplo e geral. Há pessoas que assistem ao horário político para se divertir com a exposição de absurdos em série. Casos existem em que as falas, nos curtos espaços a serem preenchidos rapidamente, em que as mensagens não fazem sequer sentido. E pior: quando um está terminando sua parte, o outro está iniciando, ficando uma voz em cima da outra. Um desastre completo.

Para resolver isso bastaria uma divisão melhor do tempo disponível de cada legenda e um treinamento prévio. Tal iniciativa elevaria os níveis de audiência no passar dos dias, funcionando inclusive para adicionar doses de propaganda aos candidatos a presidente da República e aos governos estaduais. Enfim seria melhor para todos, sobretudo para aprimorar o perfil dos que se apresentam como habilitados a receber o voto, país afora, de milhões e milhões de eleitores. Do jeito como as coisas estão funcionando hoje, os espaços partidários vão adicionar um retrocesso em cima do outro. A democracia, de fato, necessita ter níveis positivos de qualidade. Estão faltando.

12 thoughts on “Horário eleitoral precisa, pelo menos, passar seriedade

  1. Sr. Pedro do Couto, boa análise, quando a “cópula” do PMDB, declara que a política é “SURUBA E BACANAL”, ESPERAR O QUE??? a não ser o lixo que se apresenta.
    Infelizmente, não vejo “luz no fim deste túnel que enfiaram, pós ditadura, o Sr. Brasil, estuprado e vilipendiado, não só por essa figuras, mas do Eleitor, que de boa ou má fé, vende seu voto de alguma forma.
    A bem da VERDADE, VIVEMOS EM UMA “DEMOCRADURA”, UMA FALSA DEMOCRACIA, EM QUE A Srª MENTIRA É APRESENTADA COMO Srª VERDADE.
    Estou com RUI BARBOSA, tenho vergonha de mim em ser honesto, em ver tanta HIPOCRISIA, mantemos um fio de Esperança pra 05/10, de através do voto e da urna fraudável, e do Sr. DESTINO, nos dar a oportunidade, com o sacrifício de 7 vidas, acabarmos com a podridão que aí está, fazendo a faxina necessária para cumprir o lema da Bandeira: “ORDEM E PROGRESSO”, para isso é preciso, aplicar a receita de Eça de Queiroz: NÃO REELEGER!.
    Por um Brasil decente e justo.

  2. Diferente dos comentaristas Antonio Rocha e Théo Fernandes, eu tenho impressão que o mundo inteiro está bem menos desinteressado em política que eles. Eu, ao contrario do Théo, tenho muito orgulho de ser honesto e muito otimismo e confiança no futuro do Brasil. Se o fio de esperança do Théo é derivado do sacrifício de 7 vidas, a minha confiança deriva da melhoria das condições de vida de milhões de brasileiros ocorrida nos últimos anos e que deverá continuar ocorrendo com a reeleição da presidenta DILMA.

    • Caro Antonio, sou filiado ao PT-Sonho, faz parte da executiva em minha cidade, mas, não sou vaca de presépio, penso, participo de vários Conselhos de “Controle Social”, fazendo uma luta a anos com 10 autoridades, para que sejam realmente “Controle Social”, pergunto: aqui no Rio, e creio que no Brasil inteiro, à Saúde no caos, cardiácos morrendo na porta dos hospitais especializados, 2 jovens policias militares, fazendo parto na porta da maternidade, por caridade, se a criança morre, a mãe, ou ambos, seriam presos por exercício ilegal da medicina, as filas para exames, cirurgias, os hospitais federais sucateados, falta de médicos e remédios, diariamente, a imprensa publicando cidadãos morrendo por falta de atendimento, a escola, em penúltimo lugar entre as Nações, no rol da educação, a Segurança de bala perdida, o transporte de sardinha em lata, o trabalhador que ralou 35 anos para construir esse PAÍS, que DESCONTOU ACIMA DO SALÁRIO MÍNIMO MISERÁVEL, PARA TER UMA APOSENTADORIA DIGNA, não passando necessidades, AO VER APROXIMAR-SE A CADA ANO AO SMM.
      A corrupção desenfreada, obras superfaturadas paradas, Passadena, privatizações sob o titulo de concessões. Caro Antonio, na reunião do Diretório com 1 DPF e 1 DPE, após, suas falas, perguntei se estavam falando do Brasil, pois, apresentarem um “PARAÍSO”, e citei todas as mazelas, perante os companheiros, e não tiveram como se justificar.
      Caro Antonio, o que escrevi acima, é fruto de 85 anos de uma vida Cidadã, crente que existe um DEUS DE AMOR”, a quem prestaremos contas de nossas obras, quando a porta do túmulo se abrir pra o banquete dos vermes, acredite ou não, lembro uma frase de Sócrates: “O que temos deixaremos, o que somos levaremos.
      O PT- pesadelo, não terá meu voto, combato a REELEIÇÃO, CONFORME DISSE, SOU PT-SONHO. CHEGA DE PÃO E CIRCO, E ME ENGANA QUE EU GOSTO.
      MAIS UMA VEZ AGRADEÇO TUAS PALAVRAS, QUE O SENHOR DO UNIVERSO NOS PROTEJA.

  3. Os marqueteiros estão cada dia mais surrealistas. Aquele programa que a Dilma gravou, junto com o Bebum de Rosemary, na Transposição do São Francisco, foi tragicômico! No fundo havia uma poça d’água, talvez emprestada do ‘volume morto’ de São Paulo…. Já em Minas a Dilma não quis comentar sobre a dealção premiada do Paulo Costa! O que a opinião pública tem a ver com um cidadão que através de 13 (ops) empresas movimentou bilhões em 1.832 contas bancárias, sendo 1.726 delas do Banco do Brasil? Para os quadrilheiros dinheiro público, não é do interesse público!

  4. Promessas de campanha

    As promessas de campanha deveriam ser devidamente registradas em cartório, contendo, dentre outros, estimativas de custos, cronogramas de realizações e fonte de recursos para todas as obras propostas pelos candidatos de cada partido. Caso não cumprissem com o registrado em cartório, todos os políticos do partido seriam convocados para pagar, do próprio bolso, pesadas multas pelo não cumprimento de suas promessas de campanha. Acabaria com a farra das propostas infundadas e mentirosas.

  5. Tudo virou um grande circo! Não podemos esquecer que o Lewandowski mandou o TSE “quebrar o galho” da prestação de contas da campanha da Dilma de 2010…(…)…Faltavam dez dias para a cerimônia de diplomação da presidente eleita. Nas mensagens trocadas com assessores. o ministro, que nada tinha a ver com o processo, cujo relator era o juiz Hamilton Carvalhido. demonstra irritação com o teor do parecer que pedia a rejeição das contas — um “problemão”, nas palavras dele. “Não estamos lidando com as contas de um “boteco” de esquina. mas de um comitê financeiro de uma presidente eleita com mais de 50 milhões de votos. Se fosse assim, contrataríamos um técnico de contabilidade de bairro”, escreveu o ministro a Patrícia Landi, sua funcionária de confiança e então diretora-geral do TSE.
    Em outra mensagem, em resposta a uma minuta que acabara de receber apontando justamente as irregularidades nos documentos apresentados pelo PT, o ministro estrila: “Não entendi! Qual a diferença entre faturas e notas fiscais para o efeito de prestação de contas? É uma irregularidade insanável? As despesas no têm origem? Foram fraudadas?”. Ele segue indagando: “Quais as consequências práticas dessa desaprovação? Não seria possível a aprovação com ressalvas ou essa era a única alternativa? De quem foi a decisão? Qual a repercussão desse parecer sobre a diplomação dos candidatos eleitos?”. “Quero receber explicações detalhadas por ocasião do meu retorno na quarta-feira”, arremata o ministro, em tom imperial. Diligente, Ricardo Lewandowski estava em viagem ao exterior. “Assim que voltou a Brasília, ele reuniu os chefes do setor e ordenou as alterações nos pareceres”, disse a VEJA um graduado funcionário da área técnica.

  6. Antônio Rocha,
    Magnífico!
    “O horário eleitoral mostra que a Política é um subproduto do Humorismo, no Brasil. Aliás, no mundo inteiro o povo não quer mais saber de Política, precisam inventar outra coisa mais séria.”

  7. Sei não…
    Todos os que comentaram o artigo do senhor Pedro do Coutto, cada um no seu modo e estilo, deram o melhor de si para expressar até que ponto pode chegar a esculhambação eleitoral em um país fantástico como o nosso, que não merece os políticos que têm…
    Concordo com o articulista ; na minha modesta opinião, essa exposição circense, surrealista, lamentável, é feita e orquestrada de propósito pelos partidos, como se os eleitores fossem abestados, ou então para mante-los anestesiados até a hora de votar, com tanta e absoluta falta de decoro com o cidadão-contribuinte-eleitor. Por que ?
    Os partidos visam somar sufrágios nas legendas, para a eleição e reeleição de toda essa corja que não desgruda do poder, não deixando espaço para que, seletivamente, possamos escolher e eleger outros novos nomes, ideias e propostas que surjam, como parte de uma mudança de fato, que possa ser entendida como uma opção, de qualidade no governo da nação.
    É a parte dos partidos, no jogo contra a alternância no poder…
    Não anule o seu voto!.. Não reeleja NENHUM desses pulhas !
    De lupa na mão, escolha um novo nome, que mereça o seu voto…

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