Hostilidades entre Planalto e governadores complicam ainda mais a crise do coronavírus

Charges | Opinião | Jornal O Popular

Charge do Jorge Braga (O Popular)

Sarah Teófilo
Correio Braziliense

O Brasil enfrenta a pandemia do novo coronavírus em meio a uma disputa que tem sido levada para o campo político. O presidente Jair Bolsonaro, que por diversas vezes chamou o vírus de “gripezinha” e “resfriadinho”, entrou em verdadeiro embate com os governadores que decretaram calamidade pública e tomaram medidas drásticas, como fechamentos de comércios. Em meio a isso, os estados aguardam os auxílios já anunciados pelo governo federal.

Bolsonaro preferiu entrar em conflito frontal com os governadores que impuseram medidas restritivas para conter o avanço do coronavírus.

DEMAGOGIA BARATA – O presidente afirmou que alguns fazem “demagogia barata” e, na última sexta-feira, levantou suspeita sobre os números de pessoas infectadas e mortas nos estados em decorrência do vírus, falando que haveria um “uso político” de números.

O presidente ressaltou não acreditar nos números de São Paulo, que oficialmente já tem1.406 pessoas infectadas e 84 mortas, sendo o estado com mais casos. É com o governador de SP, João Doria (PSDB), que tem acontecido as maiores brigas do presidente.

Na última quarta-feira, houve um bate-boca entre os dois, quando Doria lamentou o pronunciamento do presidente feito no dia anterior. Bolsonaro, por sua vez, disse que em 2022, ano de eleições para a Presidência, Doria poderá “destilar todo o ódio e demagogia”.

MEDIDAS DE ISOLAMENTO – Apesar das críticas, Doria e outros governadores têm mantido as medidas de distanciamento social, com fechamento de comércios, e continuam pedindo para que a população fique em casa. Em São Paulo, as definições anunciadas pelo governo foram mantidas. Na última sexta-feira, Doria anunciou o repasse de R$ 50 milhões para a capital para financiar hospitais de campanha. Um dos hospitais está sendo instalado no estádio do Pacaembu.

No Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel (PSC) afirmou que aguardava ações concretas por parte do governo federal, em auxílio à economia do estado durante os períodos de restrições, até a próxima segunda-feira (30).

Witzel reiterou que a o isolamento se trata de uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e disse estar surpreso com a mudança de postura por parte do ministro, que chegou a se alinhar ao discurso do presidente em relação ao fim do isolamento social, mas depois recuou.

ROMPIMENTO DE CAIADO – A discrepância do discurso de Bolsonaro com as orientações de autoridades, como a própria, provocou rompimento com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, até então grande aliado do presidente. Caiado, que é médico, concedeu uma entrevista coletiva um dia após o pronunciamento de Bolsonaro dizendo que as medidas restritivas determinadas pelo estado continuavam valendo.

Em nova carta divulgada na última sexta-feira, os nove governadores do Nordeste afirmaram que continuarão guiando suas ações em relação ao coronavírus com base na ciência e na experiência mundial.

Os gestores disseram que existem uma “ausência de efetiva coordenação nacional” e manifestaram “profunda indignação com a postura do governo federal, que contraria a orientação de entidades de reconhecida respeitabilidade, como a OMS”.

FABRICAR DINHEIRO – A região possui 642 casos confirmados e sete mortes, sendo cinco em Pernambuco, quatro no Ceará e uma no Piauí. A carta foi redigida após videoconferência entre os gestores. Na última quarta-feira (25), após pronunciamento do presidente em cadeia nacional, eles já haviam divulgado uma carta lamentando o comportamento de Bolsonaro.

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), divulgou um vídeo no qual fala que tem feito o possível para cuidar da saúde e da vida das pessoas.

“Mas só o governo federal pode emitir dinheiro e realizar programas de renda para os trabalhadores. é assim no mundo, não faz sentido aqui o governo federal procurar briga com os governadores e querer colocar as pessoas em risco sem assumir ações efetivas, dedicadas ao social e à economia”, disse.

AFROUXAMENTO – Outros gestores, entretanto, aproveitaram os discursos de Bolsonaro para afrouxar as medidas de quarentena. Em Santa Catarina, por exemplo, o governador Carlos Moisés (PSL) anunciou que a partir da próxima semana serão retomadas as atividades que estavam paradas.

Ficaram suspensas até o dia 7 somente o transporte coletivo de passageiros e o ingresso de transporte interestadual e internacional de passageiros.

Já o  governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), decidiu permitir o funcionamento de lotéricas, lojas de conveniência e minimercados em postos de combustíveis.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O bom senso recomenda que sejam ouvidos os homens de ciência, como se dizia antigamente. A preocupação com a crise econômica é superválida, mas Bolsonaro usa argumentos de seus conselheiros terraplanistas, como Olavo de Carvalho, que considera a covid-19 a maior farsa da História da Humanidade. Quem ouve conselheiros desse gabarito nem precisa de inimigos. (C.N.)

20 thoughts on “Hostilidades entre Planalto e governadores complicam ainda mais a crise do coronavírus

  1. E a irresponsabilidade do presidente não tem fim.

    Hoje ele visitou o comércio em Brasília, cumprimentou o povo, contrariando as recomendações dos especialistas que é manter uma distância mínima.

    Ele está desafiando o bom senso e o esforço para que o enfrentamento ao covid seja eficaz.

    Realmente, dá bronca de um sujeito desse que a todo momento coloca a população mais vulnerável em uma situação de indefinição quanto ao isolamento ou não.

    Adélio, a culpa foi sua.

      • Eu disse isso, toninho?

        Sua capacidade limitada não deixa que você tenha um entendimento além de um palmo.

        Vou explicar. Preste atenção, toninho.

        Quando me refiro que a culpa é do Adélio é porque caso ele não tivesse dado a facada no seu “patrão”, em tese, ele teria que participar dos debates, de onde sairia massacrado.
        Eu disse em tese, porque ele poderia, no caso de não ter levado a facada, inventar, por exemplo, uma caganeira para não ir aos debates.

        Entendeu, toninho?

        Agora vai até o quintal da sua cada e coma o restante daquela plantinha verde que sobrou do café da manhã.

        • Tião Patético, não acredito na sua versão. Bolsonaro ganharia com Adélio ou sem Adélio ou vc acha que o poste do seu chefinho ia ganhar? Tiãozinho, como disse a grama está reservada para vc. E tá bem verdinha.

          • Tiozinho? Daqui a pouco você vai me chamar de meu amor.

            Já te disse, meu negócio é mulher, respeitando, claro, a opção de cada um.

            Fui.

  2. O presidente deveria sugerir ao gordo, Maia, fazer o mesmo, já que é o imbecil é o grande defensor para aumentar o salário dos necessitados para 500,00, e o presidente determinou ser 600,00.

  3. Engraçado…

    -A gente comentava aqui, no passado, sobre os riscos que representava a superpopulação humana.
    -Discutíamos a diminuição dos recursos naturais no Planeta, a cada vez mais difícil tarefa de alimentar o número crescente de tantas bocas e que, quando uma espécie de animal de prolifera desordenadamente, como a nossa atualmente, a natureza acaba ela mesma por criar um jeito para exterminá-la ou diminuir o seu número, naturalmente.

    -E, enquanto conversávamos isso em 2019 e víamos tal possibilidade como uma coisa para um futuro distante, para as posteriores gerações, lá para daqui a cem, duzentos anos, a natureza estava agindo. E muitas pessoas (principalmente as ONGs) se preocupavam com a consequências da destruição da natureza, ao invés de se preocuparem com a CAUSA.
    -Se não fosse pela superpopulação, não haveria gente comendo ratos, preás, tatus, baratas e morcegos em vários pontos do planeta, menos habitats seriam devastados para a construção de cidade, para agricultura e para pecuária e, provavelmente, muitas doenças epidêmicas teriam sido evitadas.
    Coincidentemente, algumas das últimas grandes pragas da humanidade surgiram no “país superpovoado”.

    “A sars (síndrome respiratória aguda grave) em 2003; gripe aviária, em 2005; e, agora, a nova cepa do coronavírus, são surtos de repercussão internacional têm a China como berço, segundo pesquisadores, e não é por coincidência — nem é de agora.

    No século 14, na Idade Média, o país originou uma das mais antigas epidemias bem documentadas da história, a peste bubônica, cuja bactéria era transmitida ao ser humano por pulgas que infestavam ratos e outros roedores. A doença chegou à Europa em 1343 pela rota da seda. Estima-se que a peste, na época, matou pelo menos 75 milhões de pessoas, cerca de 15% da população mundial estimada na época.

    “A China é o país é o que mais contribui para que surjam e se espalhem doenças infecciosas pelo mundo por causa do tamanho de sua população”, diz o artigo “Emergência e controle de doenças infecciosas na China”, escrito em conjunto por pesquisadores chineses e americanos na revista “The Lancet”, a mais renomada publicação sobre pesquisa médica no mundo.
    “Além de ser o país mais populoso do mundo, com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, há um histórico de fome e de consumo de qualquer tipo de animal, além da criação de animais sempre muito perto ou dentro de casa, principalmente porcos e aves”, afirma o médico sanitarista Claudio Maierovitch, da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), em Brasília.”
    (UOL)

    Abraços.

  4. Pelo amor de Deus, quem dá ouvidos para esse idiota?!

    O imbecil nem sabe o que está dizendo!!??

    Mistura tijolos com lata, arame farpado com cimento, e quer construir um raciocínio!

    Por favor, devemos selecionar melhor as pessoas que supostamente irão nos informar, e não sairmos ouvindo besteiras e asneiras proferidas por qualquer bobalhão!

    Parece que o mundo tá endoidando, credo!

    • Amigo Bendl, opiniões “exarcebadas”, infelizmente, fazem parte do tal confinamento.Está muito difícil, eis a questão…O que será de nós daqui a 30 dias? Eu, repito, ainda sou favorável que, apesar de tudo, a imprensa propague “esperanças”…Não vejo isto em lugar nenhum Talvez falte a “essência da mensagem cristã”…Agora, até a moral de um mero comentarista é questionada/atacada…Sim, eu sei quem é; sei o verdadeiro codinome. Melhor deixar quieto, por enquanto. Um abraço, Chicão!

      • Não, amigo! Reportei o que aconteceu comigo ontem, aqui na TI. Seu questionamento em relação a outro comentarista foi perfeito (debater opiniões sempre). Desculpe-me se faltou profundidade da minha parte, Estamos juntos! Você é o cara que sempre acrescenta, não se esqueça, ok?

      • Nelson, meu caro,

        Usando eu do antigo linguajar:
        Não te apoquentes ou te abespinhes!

        Conosco vai tudo às mil maravilhas sempre, em qualquer condições de saúde e econômicas!

        Outro abraço.

  5. DILEMA: SALVAR A ECONOMIA OU AS PESSOAS

    Antes dos idos de março, início das primeiras contaminações por corona vírus, oriundos de passageiros aéreos infectados vindos da Itália, sem saberem que estavam assintomáticos, a equipe econômica só falava em Reformas, principalmente a Administrativa e a Tributária (boi de piranha). A que verdadeiramente queriam era a Reforma Administrativa, destinada a restringir direitos, a reduzir salários e acabar com a estabilidade dos servidores públicos e de empresas estatais. Esse é o mantra neoliberal da Escoa de Chicago, objetivando chegar ao Estado Mínimo, de qualquer maneira e desmontar o arcabouço da Política de Bem Estar Social, transferindo a função precípua do Estado para as empresas privadas.
    Quando começou a pipocar a Pandemia, ficaram apavorados com o horizonte da recessão. O Ministro da Economia, lançou um Pacote Emergencial de ajuda às empresas, em 13 de março, no valor de 4 bilhões. Ao mesmo tempo enviou ao Congresso Medida Provisória, liberando a suspensão do contrato de trabalho dos trabalhadores por 4 meses, sem a contrapartida do pagamento de salários, sem se preocupar com a sobrevivência das famílias. A reação foi tão dura e violenta, nas redes virtuais, que no final do dia 13/3, o presidente voltou atrás nesse artigo da maldade.
    No dia 27 de março de 2020, portanto, quatorze dias depois, lançaram novo Pacote de ajuda aos empresários, no valor de R$ 700 bilhões, para evitar a quebradeira geral das empresas. No dia anterior, dia 26/03, Donald Trump, editou um Pacote de ajuda aos empresários e trabalhadores americanos, da ordem de 1 trilhão de dólares. Ainda estamos na casa dos 700 bilhões.
    No dia 13/0320, Guedes anunciou uma benesse de R$ 200,00 (duzentos reais) para os trabalhadores informais. Todo mundo criticou o valor ínfimo, mas o Ministro disse que dava para comprar duas cestas básicas, desconhecendo completamente o valor dos produtos da cesta.
    No início da semana, 23/03/20, os congressistas acenaram com um aumento para R$ 500,00 (quinhentos reais). Então, o presidente para não ficar na defensiva, aumentou para R$ 600,00 sem falar com o Guedes. Entendam como quiserem.
    O ministro, isolado, deu entrevistas totalmente diverso do encaminhado no dia 13/03/20, nos primeiros dias da crise pandêmica, dizendo agora, que tem sim que ajudar o trabalhador que vende mate na praia, que vende bala no sinal, que vai dar um mar de dinheiro para eles. Ele passou a se preocupar com os trabalhadores informais. As redes sociais têm esse componente social gigantesco de pressão contra as autoridades.
    Na prática, a equipe do Guedes percebeu a importância do Estado em tempos de crise global. São os servidores do Estado, as enfermeiras, os médicos, os cientistas, os infectologistas, principalmente da Fiocruz, que estão na linha de frente do combate ao vírus infernal. O corona vírus veio para mostrar, que deve haver um equilíbrio entre o público e o privado, sem acabar com um, nem com o outro, ambos em consonância para o bem da nação.
    Extinguir o setor público ou torná-lo mínimo, como desejam, Guedes e sua equipe econômica, condenariam os mais desprotegidos da sociedade, a indigência ou a morte lenta nas ruas, doentes e abandonados pela falta da mão protetora do Estado.
    E assim caminha a humanidade.

  6. Claro que não.
    Mas, convenhamos, o tema é outro.

    A nova ordem mundial dá a ideia de controlar o mundo e as pessoas;
    o comunismo, por mais que tente aumentar os países onde perdura, enfrentará resistências poderosas, quase que invencíveis.

    Mais a mais, a maioria que aborda o comunismo tem conhecimentos muito superficiais a respeito, ainda mais de Marx.
    Logo, nada impressionam ou que possam motivar o brasileiro a concordar com a sua implementação, longe disso.

  7. CN, a ciência ainda não tem uma resposta eficaz para o vírus. Nem a definitiva (vacina), nem uma eficaz (medicamento); neste último caso, existe uma briga entre os tais cientistas (vaidade de vaidades). Todo o resto, são medidas paliativas, que podem minorar o sofrimento. A humanidade enfrenta essa pragas desde que o mundo é mundo, em 1918 tivemos a guerra e a peste. Essa é a primeira vez que homens saudáveis se entocam por causa de uma gripe.

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