Hugo Chávez está todo errado em relação ao Brasil, mas tem um dado positivo. É um excelente parceiro, só que não tem mais dinheiro.

Carlos Newton

Em nota, o Itamaraty destaca que o encontro de Dilma Rousseff e Hugo Chávez ocorreu em momento de “recuperação” do comércio bilateral, após retração em 2009, em decorrência da crise financeira internacional. Dados do Itamaraty indicam que, em 2010, o comércio bilateral totalizou US$ 4,6 bilhões – um aumento de 11,8% em relação ao ano anterior. O Brasil exportou US$ 3,8 bilhões e importou apenas US$ 832 milhões.

Desde 1998 no poder, Chávez iniciou uma parceria Brasil-Venezuela que poderia ficar na História, se fosse concretizada. Eram planos ambiciosos e factíveis, que iriam possibilitar uma era de desenvolvimento ao continente sul-americano.

Os principais projetos eram a refinaria pernambucana Abreu Lima, batizada com o nome do general brasileiro que lutou ao lado de Simon Bolívar na independência venezuelana, e o “Gasoduto do Sul”, uma extensa rede de tubulações para transporte de gás que cortaria a Amazônia de alto a baixo e chegaria até a Argentina, conectando-se também com a Bolivia, o Paraguai e o Peru.

Ao mesmo tempo, eram planejados dois outros megaprojetos: a criação de uma espécie de BNDES continental e a formação de uma aliança militar para defender os países da Amazônia da cobiça internacional sobre a região, uma iniciativa realmente da maior importância político-estratégica.

Mas faltou dinheiro e quase tudo deu para trás. No caso da refinaria de Pernambuco, os venezuelanos não concordavam com a participação de 40% no empreendimento, orçado em US$ 13 bilhões. Depois condicionaram a parceria à reserva de parte do mercado de distribuição de combustível no Nordeste. Recentemente, ficou claro que o real motivo era a falta de recursos. Chávez chegou a pedir um empréstimo de R$ 500 milhões ao BNDES, mas não apresentou as garantias exigidas. Assim, a Petrobras está tocando sozinha o projeto, que será altamente rentável, tenho ou não a parceria da estatal venezuelana PDVSA.

O Gasoduto do Sul, uma iniciativa empresarial que seria altamente viável, não saiu do papel, assim como a aliança militar da Amazônia, que era prioridade para as Forças Armadas brasileiras, sempre preocupadas com a possibilidade de internacionalização da região.

Ao mesmo tempo, Chaves teve que suspender a encomenda de dez navios petroleiros feita ao estaleiro carioca Eisa, um negócio de US$ 670 milhões. Em novembro de 2009, o estaleiro entregou o primeiro navio, mas pouco tempo depois Chávez mandou suspender os pagamentos e pediu tempo para renegociar o contrato.

A verdade é que a Venezuela encomendou petroleiros mais baratos à China e decidiu construir um estaleiro próprio, o Nor-Oriental, por coincidência encomendado a uma empreiteira brasileira, a Andrade Gutierrez, que também seria responsável pela construção de uma siderúrgica venezuelana, num pacote de US$ 3,5 bilhões. Os projetos também continuam no papel.

A única iniciativa que teve seguimento foi a construção de uma petroquímica, em parceria da brasileira Braskem com a venezuelana Pequiven. Mas houve cortes: o projeto da fábrica de polipropietileno teve reduzida a capacidade e a fábrica de polietileno foi adiada.

Há 13 anos no poder, Chavez praticamente ainda não conseguiu fazer nada. A escassez de alimentos, a inflação, a violência, o cerco à imprensa livre e os problemas com energia elétrica e abastecimento d’água são apenas alguns dos motivos que começam a levantar a opinião pública contra ele.

Pela primeira vez desde que assumiu o poder, em 1998, quando foi eleito com a providencial ajuda de marqueteiros importados do Brasil, Chávez está em queda nas pesquisas. A mais recente, divulgada na última semana pelo jornal “El Universal”, demonstra que 51% dos eleitores da Venezuela já querem um novo líder para o país. Tudo o que é demais, enjoa.

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