IBGE rebate Paulo Guedes: Desemprego cresceu, não diminuiu

Charge do Ivan Cabral (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

No final da tarde desta sexta-feira, o IBGE divulgou os resultados da última pesquisa nacional por domicílios, levantamento que acusou a existência de 14, 4 milhões de desempregados no país, o que colide com os números apresentados pelo ministro Paulo Guedes, que dizia que houve no mês de fevereiro uma recuperação dos empregos com carteira assinada na ordem de 260 mil postos de trabalho.

O IBGE está com um presidente novo, Eduardo Rios Neto, que além de contestar o ministro da Economia, afirmou também que o Instituto está pronto para realizar o Censo, faltando apenas que o governo libere R$ 2 bilhões para a sua execução.

QUEDA DA RENDA – O número de desempregados no país, como disse antes, é de 14,4 milhões de pessoas e o panorama da economia brasileira não dá margem para que se possa desenvolver um cálculo otimista referente à redução desse exército de indivíduos. Esse índice altíssimo de desemprego contribuiu também para a queda da renda do trabalho no país, que decorre da restrição do consumo que, para os grupos de menor renda, muitas vezes significa o fantasma da fome.

O volume de renda recuou 7,4%. O reflexo atinge também as receitas do INSS e do FGTS, cuja arrecadação depende da folha de salário. É difícil ter esperança no governo Bolsonaro que mantém um ministro como Paulo Guedes. Na edição de ontem da Folha de São Paulo, Cristina Serra publica artigo sobre a atuação do ministro da Economia e diz que Paulo Guedes, por suas mais recentes palavras, situa-se como um personagem da Casa Grande e Senzala, obra clássica de Gilberto Freyre.

Foi lamentável a declaração de Paulo Guedes tentando mostrar como uma política inadequada a presença de filhos de porteiros nas universidades através do financiamento do FIES. Paulo Guedes tem afirmado reiteradas vezes que constitui um fato negativo empregadas e empregados domésticos viajar para Disney World na cidade de Orlando na Flórida.

RESPEITO – Paulo Guedes com suas manifestações, acentua Cristina Serra, demonstra ter uma ojeriza a pessoas de famílias pobres e que lutam para sobreviver. Muitas dessas famílias, digo, fazem uma refeição só ao longo do dia porque não têm dinheiro para almoçar e jantar. Merecem respeito essas pessoas que desempenham funções humildes, porém indispensáveis à vida de todos nós de classe média e para aqueles que se encontram na faixa dos ricos.

O novo presidente do IBGE, como suas revelações assinalam, deve ser alguém independente e que resolveu liderar as informações verdadeiras encontradas pela equipe técnica do Instituto. Os dados do IBGE são fundamentais a qualquer projeto de desenvolvimento econômico e social. Trata-se da lógica contra a mágica. Exatamente o contrário do que costuma dizer Paulo Guedes: recorre à mágica contra a lógica.

DESMATAMENTO –  Reportagem de Camila Mattoso, também na Folha de São Paulo, ontem, ocupa uma página inteira e revela ter aparecido o nome da empresa  investigada pela PF por madeira ilegal e que é defendida pelo advogado Rafael Favetti. A empresa é a Rondobel . Sustenta Favetti, em entrevista, que a derrubada de parte da floresta verde não tem nada de ilegal, pelo contrário. E se disse surpreendido porque houve “precipitação” por parte de Alexandre Saraiva, ex-superintendente da PF na Amazônia.

O delegado insiste em considerar absurda a interferência do ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, em uma questão que envolve a PF vinculada ao Ministério da Justiça.

O advogado Rafael Favetti sustenta que o inquérito aberto tem o objetivo “politiqueiro” e que a madereira agiu dentro da lei. Rafael Favetti já ocupou o cargo de secretário executivo do Ministério da Justiça.

FAUSTÃO NA BAND – A repórter Cristina Rodrigues, também da Folha, revela que o apresentador Faustão, após 32 anos na TV Globo, vai se transferir para a Band, a partir de janeiro de 2022. A saída de Faustão havia sido anunciada pela Globo há cerca de dois meses e causou surpresa porque a própria emissora tomou a iniciativa, acrescentando não ter chegado a um acordo com Fausto Silva para que este continuasse com seu programa aos domingos.

A repercussão foi grande, a meu ver, porque o programa de Faustão é um sucesso e acrescento pontos importantes à TV Globo. O programa recebe uma grande sustentação visual refletida na mudança de vários cenários de apresentação de cantores e de danças, estas inclusive objeto de concurso. A pandemia afastou o auditório e a solução dada foi formar janelas de espectadores de suas residências.

O programa não perdeu o ritmo e a atuação de Faustão deve ser analisada por vários ângulos. No horário de 18h às 20h, antecedendo o Fantástico, ele registra cerca de 20 pontos , um índice muito alto. Como a audiência medida é de 3,5 a 4 pessoas por residência, isso representa um público de aproximadamente entre 35 a 40 milhoes de pessoas. No horário atual, a Band registra 5 pontos, praticamente quatro vezes menos.

ENIGMA – Na Band, a atuação de Fausto Silva representa um enigma que só poderá ter resposta quando a situação de fato se desenrolar. Faustão, na minha opinião, é um apresentador muito importante, sobretudo porque ele abre o palco e contribui para que muitos artistas tenham a oportunidade de se apresentar.

Ao contrário, por exemplo, do Programa do Chacrinha, de Sílvio Santos, Flávio Cavalcanti no passado, e de Moacyr Franco, o Domingão não expõe as pessoas que se apresentam ou que são entrevistadas a posições ridículas.

Esta exposição era tradicional tanto no rádio quanto na TV. A apresentação de candidatos a cantor começou na década de 40 com Ary Barroso, na Rádio Tupi. Ia ao ar logo depois do futebol nas tardes de domingo. O programa deslocou-se para a TV Tupi quando começou a funcionar no Rio, em fevereiro de 1951.

GONGO – Quem cantasse bem era aplaudido. Quem cantasse mal era contudo. Havia o personagem Macalé que acionava a batida do gongo. Os que não tinham vocação terminavam saindo até vaiados. Ary Barroso foi o primeiro programa de calouros do Brasil. Ele já era um artista consagrado pela “Aquarela do Brasil”, de 1940.

Na década de 1940, Abelardo Barbosa tinha um programa na Rádio Guanabara chamado Cassino do Chacrinha. Havia até uma música específica chamada para o programa. Abelardo Barbosa consagrou-se na Globo nas tardes de domingo.

Sílvio Santos começou com programa de auditório. Ele arrendou um horário na Globo e durante alguns anos ocupou as tardes de domingo na emissora. De repente a TV Globo quis encerrar o arrendamento, que na opinião de Walter Clark, diretor na época, terminava não sendo positivo para a emissora.

SBT – Sílvio Santos transferiu-se para a TV Tupi e de lá obteve a concessão do canal TVS que se transformou no SBT. Silvio Santos obteve a concessão do canal no governo Figueiredo e as tardes nos dias de semana tinham um programa de auditório de de entrevistas, “O Povo na TV”, apresentado por Wilton Franco, que já não se encontra mais entre nós.

Mas eu disse que na Band a disputa por pontos do Ibope, que agora se chama Instituto Kandar, definirá a aceitação pelo público da mudança de canal de Fausto Silva.Há um precedente interessante por audiência de disputa por audiência. No Carnaval de 1984, no governo Brizola, com o primeiro carnaval no sambódromo do Rio, o então diretor geral Bonifacio de Oliveira Sobrinho, que havia sucedido Walter Clark na Globo, não se sabe porque decidiu não transmitir o desfile das escolas de samba. Pensou ele que o meio fosse mais forte que a mensage.

MEIO E MENSAGEM – Digo isso baseado num ensaio de Marshall McLuhan, teórico da Comunicação, o homem que classificou a televisão com uma aldeia global. Ele achava que o veículo era mais forte que o conteúdo. Mark acertou em muitos pontos. Um deles serviu para dividir o tempo entre antes e depois da imprensa de Gutenberg.

Dou um exemplo: as duas maiores tragédias da humanidade a meu ver são a crucificação de Jesus Cristo e o nazismo de Hitler. A diferença é que a crucificação é um relato, o nazismo um registro, pois na época já haviam jornais, fotografias, cinema e a televisão nos Estados Unidos, inaugurada em 1934. A diferença é fundamental.

Mas é fundamental dizer que em 1984, a Globo no horários das escolas de samba registrou 7 pontos de audiência e a TV Manchete, que veiculou os desfiles, alcançou pico de 46 pontos.Isso comprovou o que penso. O meio não é por si mais forte que o conteúdo. Claro que o melhor conteúdo em um veículo mais forte é excepcional. Mas mesmo em um veículo nem tão forte representou o interesse popular pelo desfile.

7 thoughts on “IBGE rebate Paulo Guedes: Desemprego cresceu, não diminuiu

  1. Atualmente ficou muito difícil determinar quem é desempregado. Além da legislação ter permitido contratação sem registro em carteira, temos os PJotas, camelos, ambulantes, motoristas de aplicativo, etc. Ou seja uma multidão sem qq garantia previdenciária, sem lei.
    Quanto ao boicote ao Sambódromo ele continua até hoje: Por que o desfile de 7 de setembro não se realiza em tão belo e útil espaço para a população assistir a evolução da tropa?

  2. Para as estatísticas, desempregado é quem tinha emprego e o perdeu. Não se conta, naturalmente, quem ainda não nasceu, quem é camelô, quem vende angu na feira e quem é pastor.

  3. Lamentável sobre todos os aspectos, o preconceito do ministro Paulo Guedes contra os pobres e idosos.
    Para ele, segundo as recentes entrevistas, os pobres têm que continuar indefinidamente pobres, não podem frequentar as Universidades, nem receber financiamento público (FIES) para ingresso nos cursos superiores.
    Em relação aos idosos, o ministro culpa a ciência, voltada para a saúde e o aumento da longevidade, como um prejuízo para as contas públicas, com o pagamento de aposentadorias e pensões. Simplesmente desumano e ridículo.
    O Ministro também odeia empresas públicas e estatais. Para ele, todas deveriam sendo vendidas. Naquela famosa reunião ministerial no Planalto, disse sobre o Banco do Brasil: “vende essa porra logo”. Não sei porque ainda continua no cargo?
    É um escárnio sem precedentes.
    Para baixo ele humilha, para cima, ele chora,v esperneia, gesticula e no final faz o que o Congresso manda e o presidente Bolsonaro determina. Um leão contra os fracos e um gatinho com gente Grande, assim ele é.
    Como castigo, nada dá certo para ele, na gestão econômica. Nesta sexta-feira fez discurso de troca de membros de sua equipe econômica. Uma mentira atrás da outra, a principal delas, de que os que saíram, estavam extressados, na verdade foi pressão do Centrão.
    É um mitomano (mentiroso contumaz).
    Será mesmo, que precisávamos dessa agonia, que parece não ter fim?
    Pelo seu histórico de medievalismo, esse ser das trevas, aínda vai aprontar novas séries de preconceitos contra a nossa gente humilde, até 2022.

  4. O que comemorar no dia do trabalhador, energia elétrica vai ter reajuste em maio, a cada 100 whats vai se pagar R$ 4,169, gás de cozinha reajuste de 35%, aluguel igpm acumulado em 31 %, então não entendo as aglomerações pró Bolsonaro, acho que este povo comeu criança quando era merda, é inacreditável, que governo mais ordinário e um povo mais ordinário ainda, é impressionante, este cara é um desastre para o país, este ministro da economia diz que não sai, claro está aproveitando o polpudo salário que recebe, é uma piada.

  5. Tá explicado por que Bolsonaro não quer que se realize o censo. Arbitrar valores sem parâmetros de acesso ao público é bem mais confortável; só comparado às receitas de “verdades prontas” e inquestionáveis!

  6. Vejam o absurdo da incongruência. O servidor público, que cumpriu com o seu dever foi exonerado do cargo, o delegado, Superintendente da Polícia Federal na Amazônia, Alexandre Saraiva.
    O ministro Salles, do Meio Ambiente, que defendeu os madeireiros ilegais, está prestigiado.
    É o Brasil de cabeça para baixo.
    Essas ações deletérias desestimulam a Fiscalização. Quem vai querer ser detonado, por exercer seu trabalho dentro do rigor da Lei?

  7. O Ministro Guedes parece estar em conflito com ele mesmo ( sua consciência) e o governo para o qual trabalha.
    Reclama de quem o chama de monstro, de insensível com a dor, o infortúnio dos brasileiros pobres. Esquece, o economista Guedes, que ele dá munição para os críticos, em cada entrevista concedida aos jornais e as televisões.
    Fala como se fosse o dono da verdade absoluta, o senhor de todos os anéis. Todas as suas previsões econômicas falharam, inclusive aquelas mirabolantes de economia de 1 trilhão.
    O presidente não aguenta mais o fracasso na condução da Economia. É fritado em fogo brando e desconsiderado pelos colegas de Ministério.
    Ele resiste, fica magoado, faz cara de chorão, ameaça sair, recebe um afago do chefe e vai em frente atormentando a gente com sua atavica arrogância de um membro da elite nacional.
    Que fazer?

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