Ibope confirma: Dilma sobe, Serra desce

Pedro do Coutto

A pesquisa do Ibope divulgada na noite de sexta-feira pela Rede Globo e no dia seguinte pelo O Globo e o Estado de São Paulo, ao apontar 39 pontos para Dilma Rousseff e 34 para Serra, mais do que um diferença em matéria de intenção de voto, assinalou uma tendência evidenciada uma semana antes pelo Vox Populi. Não percebida pelo Datafolha. A tendência ascensional de uma e sentido declinante de outro.

Em O Globo, o levantamento foi comentado por Gerson Camaroti e Cristiane Jungblut. Em O Estado de São Paulo por Daniel Bramati e José Roberto Toledo. A pesquisa, na realidade, apresenta três pontos de inflexão. Dois eu já citei há pouco. O terceiro é a liderança da ex-chefe da Casa Civil em três das quatro regiões do país. Vence no Norte e Centro-Oeste; no Nordeste, no Sudeste. Só perde no Sul, formado por Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. Está na frente inclusive, portanto, no bloco que reúne Minas, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Esta região engloba 41% do eleitorado brasileiro. Nela, Dilma tem 37 contra 35 de Serra.

Logo,  Roussef avançou em São Paulo, o que é muito ruim para o ex-governador, principalmente porque Geraldo Alckmin lidera as intenções estaduais de voto com 50% contra apenas 14 do petista Aloísio Mercadante. Fica demonstrado que ponderável parcela de paulistas pretende votar tanto em Alckmin quanto em Dilma. Desaba assim  a principal base serrista.

No Rio de Janeiro não ocorre a mesma distonia. Cabral lidera disparado atingindo 50 pontos contra somente 14 de Gabeira e, ao mesmo tempo, apoia Dilma. Em Minas, Hélio Costa, que está com Dilma, livra 39 pontos contra 21 de Antonio Anastasia. Entretanto, em relação à pesquisa anterior, a margem se estreitou. Hélio Costa desceu cinco pontos, Anastasia subiu outros tantos. Ao contrário de SP e RJ, o quadro da sucessão estadual não está definido. Definido está em Pernambuco: Eduardo Campos tem 60, Jarbas Vasconcelos apenas 24 pontos.

É importante, em matéria comparativa, assinalar um aspecto não abordado pelos comentaristas de O Globo e de O Estado de São Paulo. A convergência entre as pesquisas do Ibope e do Vox Populi e a divergência de ambas em relação à do Datafolha. O VP apontou 41 para Dilma e 33 para Serra. Subida de 3 pontos para Rousseff, recuo de 2 andares para Serra. O Datafolha, no extremo oposto, revelava 37 para Serra, 36 para Dilma.

Comentando este levantamento da empresa da Folha de São Paulo, focalizei uma contradição no trabalho do Datafolha. Serra liderava na pesquisa estimulada, mas perdia na espontânea. Não podia ser. Ou uma coisa ou outra. Os números da espontânea são sempre menores do que os da estimulada. Fenômeno natural. Mas as posições dos candidatos não se invertem. Se forem contraditórias nesse plano é porque houve algum erro.

Acontece. Pesquisas não são infalíveis. Mas nem por isso devemos deixar de analisar os desacertos. Agora, como todos estão vendo, o Ibope confirma o Vox Populi e diverge do Datafolha. Tudo bem, vamos em frente. Aguardemos os novos levantamentos. Estão vindo aí.

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