Ibope pode levar Marta a ressurgir no PT de São Paulo

Pedro do Coutto

Pesquisa do Ibope sobre as intenções de voto para a Prefeitura de São Paulo, divulgada na noite de quarta-feira pela Rede Globo e, no dia seguinte, pelo Globo e Folha de São Paulo, apontou uma firme liderança de José Serra com 31 pontos, seguido por Celso Russomano 16 e Netinho de Paulo 8%.

De plano, os leitores indagarão em que posição figura no levantamento o candidato pó presidente Lula, confirmado pela convenção do PT, Fernando Haddad. O ex-ministro da Educação encontra-se na última colocação com apenas 3%. Está atrás de Soninha Francine, Gabriel Chalita, Paulo Pereira da Silva. Muito fraco.

Algumas pessoas dirão: E a força incontestável de Lula? Não há dúvida quanto a sua dimensão, mas a história revela que não são todos os candidatos que fazem passar a corrente do voto, em matéria de transferência. Se assim fosse, grande parte das eleições estaria decidida logo ao início, não valendo a pena nem se realizar campanhas.

Não é assim. Transferir votos é algo dificílimo, os exemplos de sucessão são raros, quanto às eleições majoritárias. Antes porém, elogiar a qualidade da reportagem de Leonardo Guandarino e Tatiana Farah, O Globo de quinta-feira.

Como maior exemplo de transferência de votos, temos o apoio de Vargas a Eurico Dutra, em 1945. O desempenho do ex-ministro do Exército estava fraco até o pronunciamento do ex-ditador. Faltavam vinte dias para 2 de dezembro de 1945. Dutra, atrás nas pesquisas, saltou para 52% nas urnas da redemocratização.

Vargas então era o senhor dos votos? Não. Elegeu o general Eurico Dutra em 45. Mas em 1947, apoiou Hugo Borghi para governador de São Paulo, e Ademar de Barros venceu o pleito disparado. O quadro paulista era outro. Getúlio seria impopular em São Paulo? Nada disso. Em 45, antigamente não havia a exigência do domicílio eleitoral e o candidato podia eleger-se por mais de um estado simultaneamente.

Vargas elegeu-se senador por São Paulo e Rio Grande do Sul. Escolheu o mandato gaucho. Elegeu-se também deputado federal por cinco unidades da Federação. Sorte dos suplentes.

Na sucessão presidencial de 50, ganhou facilmente alcançando 49% da votação. Não existia ainda a exigência de maioria absoluta. Nem de domicílio eleitoral.

Recorro a outro exemplo. No final do mandato, em 60, Juscelino estava no auge do prestígio popular. Seu governo mudara o Brasil. Muito bem. Foi a Minas apoiar a candidatura Tancredo Neves para governador. Tancredo foi derrotado por Magalhães Pinto, presidente da UDN. A diferença foi de 25 mil votos, cerca de um por cento do eleitorado mineiro da época.

No Rio de Janeiro, Leonel Brizola elegeu-se governador em 82. Em 85, transferiu seu apoio e a vitória para Saturnino Braga, prefeito da cidade do Rio. Saturnino rompeu com Brizola. Em 88, Brizola apoiou Marcelo Alencar. Outra vitória. Mas antes, em 86, o ex governador empenhou-se a fundo por Darci Ribeiro. Moreira Franco, na oposição, derrotou o candidato do PDT por 4 pontos. Uma eleição curiosa. Moreira Franco saiu com 40 pontos, chegou com os mesmos 40%. Não são todos os candidatos que reproduzem nas urnas o apoio que recebem.

Mas, no título, citei Marta Suplicy. Depois do Ibope de agora, seu nome está ressurgindo como a melhor alternativa do PT para enfrentar José Serra. Fernando Haddad, com somente 3 pontos, revela não conseguir decolar. Nem Lula conseguiu fazê-lo alçar vôo para alcançar o tucano no espaço paulista.

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