Ibope: potencial de Dilma supera o de Serra

Pedro do Coutto

A pesquisa do Ibope publicada em O Estado de São Paulo de domingo, matéria de Daniel Bramati, confirma as tendências detectadas pelo Datafolha, Vox Populi e Sensus, que apontam o avanço de Dilma Roussef nas intenções de voto e o recuo de José Serra. Não pode haver a menor dúvida: são quatro os institutos que revelam o mesmo panorama. O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística assinalou que, em relação aos números de abril, a ex-chefe da Casa Civil cresceu de 32 para 37 pontos, enquanto o ex-governador paulista desceu de 40 para o mesmo patamar de 37%. Marina Silva apareceu com apenas 9.

Até aí não temos novidade. Tampouco quanto à simulação em torno da perspectiva de um segundo turno. Em abril, Serra venceria por 46 a 37. No início de junho, empatam por 42 a 42. Isso significa que Dilma ganhou cinco pontos, Serra perdeu 4. Mas não é este o aspecto novo que o levantamento apresenta e que permite uma análise mais clara numa tentativa de melhor traduzir os números.

É que na pesquisa espontânea, Roussef alcança 19% contra 15% de José Serra e somente 3% de Marina Silva, enquanto nada menos de 12% afirmaram que vão votar no presidente Lula, revelando assim não terem conhecimento de que ele não é candidato. Logicamente esses12%, quando estiverem mais bem informados, tendem a votar em Dilma Roussef, é claro. Em Serra é que não será. Essa fração situa-se nos segmentos de menor renda, onde exatamente é maior a influência de Luis Inácio da Silva. No decorrer da campanha, especialmente a partir de agosto quando começa o horário eleitoral na televisão, vão certamente reforçar as estatísticas do Palácio do Planalto.

No mesmo período, a tendência de Marina Silva é perder pontos, tanto em face de seu diminuto tempo na TV, quanto em função da clara impossibilidade de vitória de sua candidatura. Hoje, recebe manifestações românticas que lhe proporcionam 9% das intenções de voto. No Rio de Janeiro, por exemplo, ela sobe até o décimo-quarto andar. Vai descer à proporção que se tornar mais clara a sua inviabilidade nas urnas. Seus eleitores de hoje caem à metade amanhã. É sempre assim. Vão sobrar 4 ou 5%. Irão para quem? Dilma ou Serra? A meu ver, devem ir para a ex-ministra. Inclusive porque não se pode diminuir a importância da máquina administrativa federal. Por menor influência que tenha não pode ser igual a zero.

Assim, os doze por cento que se dispõem a votar em Lula somados, digamos, a uma transferência de 4 pontos de Marina Silva asseguram a Dilma Roussef um potencial maior do que aquele capaz de se unir ao candidato do PSDB. Isso sem sublinhar as tendências opostas os levantamentos de opinião pública – todos eles – vêm revelando: Dilma sobe, Serra desce.

A primeira providência da campanha de Serra é conseguir conter a descida. Pode ser, entretanto, que o episódio do dossiê contra pessoas da família do ex-governador paulista produza algum efeito em matéria de voto. Afinal de contas, o jornalista Luiz Lancetta, do comitê da campanha do PT foi demitido. Vamos esperar os reflexos. O fato é que a periferia do poder é sempre problemática, ameaçada pela presença de aloprados, fantasistas, extorquidores e ladrões.

Um outro assunto.

Meu site pessoal há vários anos na Internet, que era operado pelo senhor Estevão Salomão, não por minha vontade, encontra-se fora do ar desde o final de maio. Estou agindo para que retorne ainda este mês.

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