Ibope, Sensus, DataFolha, Vox Populi: “Pode-se enganar alguns, todo o tempo. Pode-se enganar todos, algum tempo. Mas não se pode enganar todos, todo o tempo”.

Essa frase conceito definição magistral, foi feita por Lincoln, em 1864, quando a cidade de Gettysburg, com toda a população morta, se transformou num cemitério. Era o fim da “Guerra de Secessão”, (que começou como luta contra a escravidão, mas passou à História com outra denominação) e da mais espantosa devastação civil que o mundo ocidental já conheceu.

Servindo para reverenciar o grande estadista e toda minha admiração por ele, deixo claro que também pode evidenciar os equívocos dos institutos de pesquisa. E não apenas no Brasil.

Existem dezenas e dezenas de exemplos a respeito dos erros sobre eleições e as previsões por escritórios pseudos especializados. Escrevo há muito tempo estudando as conclusões desses pesquisadores, mas ao contrário de muita gente, considero que não sejam equívocos cometidos por acaso. Para mim, há muita premeditação e “planejamento”.

Uma parte, sem dúvida, é consequência da dificuldade de acertar trabalhando com fatores que não podem nem ser qualificados. A outra parte vem da impossibilidade de resistir aos famosos “interesses criados”. Não podendo caminhar num terreno livre de obstáculos, “adivinha-se, acomoda-se, deturpa-se”.

E então destrói-se ou elimina-se a realidade, mantendo aquilo que não pode confirmar, mas também, por outro lado, ninguém pode desmentir. Isso é a pesquisa eleitoral, principalmente no estágio inicial, quando os candidatos não estão nem consolidados.

Gosto muito de lembrar as pesquisas das eleições de 1960 e 1968 nos EUA. O país que mais valoriza a publicidade, o marqueting e logicamente a pesquisa, é também o que mais comete erros.

Nos EUA não se lança nenhum produto sem que o mercado tenha sido avaliado em profundidade. E não apenas na questão do consumo. Na manutenção da pena de morte ou sua transformação em prisão perpétua, os governadores estão acima da Suprema Corte, só decidem depois de se convencerem dos rumos da opinião pública. Como os governadores disputam eleições e os juízes não, eles se resguardam de todas a maneiras.

Depois da eleição presidencial de 1960, quando fizeram o primeiro debate entre os candidatos, nunca mais houve eleição sem debate, estes mais importantes do que as pesquisas, muitas vezes realizadas sem as precauções necessárias e indispensáveis.

Em 1960, o vice-presidente Nixon disputou contra o senador Kennedy. (Nixon, antes já havia sido senador). Favorito, as pesquisas não deixavam brecha para a vitória de Kennedy. Davam  Nixon vencendo por margem de 5 a 6 por cento, ressalvando: “A margem de erro é de 2 a 3 por cento, para mais ou para menos”. (O que ficou sendo obrigatório em todas as pesquisas no mundo, a partir daí).

Como previam a vitória de Nixon por 5 a 6 por cento e “reconheciam que podiam errar por 2 ou 3 por cento”, ficaram completamente desmoralizados e desprestigiados com os resultados. Votaram 60 milhões de americanos. Kennedy ganhou por 120 mil votos, ou seja, 0,2 por cento, “um quinto de 1 por cento”.

(Esses números, sem os cálculos feitos por mim, estão no livro do jornalista Ted White, “Como se faz um Presidente”. Ele cobriu as duas campanhas, ficou impressionado. Pois se os institutos davam a vitória pelos números que registrei, não poderiam nem de longe imaginar que alguém pudesse ganhar por uma diferença tão pequena e imprevisível).

Em 1968 novo erro colossal. Nem consideravam o nome de Nixon, que ganhou com uma vantagem extraordinária. O New York Times, que estava contra Nixon, se “defendeu ou justificou”, com este rodapé na Primeira: “A ressurreição de Nixon, lembra a ressurreição de Lazaro”. O que fazer?

Agora, os institutos brasileiros erram (vá lá, cometem equívocos) com a mesma falta de credibilidade. Enquanto um registra (ou adivinha?) a vitória de Serra, com 10 pontos de vantagem (38 a 28), outro não faz por menos: Serra está na frente APENAS 1 PONTO, nos números apresentados, 33 para Serra, 32 para Dilma.

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PS – É evidente que alguém não acertou. Como as pesquisas foram feitas no mesmo período, e praticamente “ouvindo” o mesmo número de pessoas, inadmissível a diferença.

PS2 – O instituto que revelou 38 a 28 a favor de Serra, já conhece o vencedor, não precisa anunciar que “a margem de erro é de 2 ou 3 pontos, para mais ou para menos”. O que falou em 33 contra 32, não sabe de nada, a margem de erro “foi devorada pela própria pesquisa”.

PS3 – Outra infidelidade dos institutos. Todos procuram se proteger ou se precaver, com a expressão: “Isso se a eleição fosse hoje”.

PS4 – Como a eleição será dentro de 5 meses e alguns dias, esse levantamento badaladíssimo, não tem o menor crédito. A não ser o de vender números mais enganadores do que os preços dos supermercados.

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