Ida de Mourão à posse sinaliza que governo não está “fechando as portas para a Argentina”

Pedido de Rodrigo Maia fez Bolsonaro recuar em decisão

Jussara Soares
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro admitiu, no início da noite desta segunda-feira, dia 9, que pedidos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e de outras autoridades o fizeram mudar de ideia e enviar o vice Hamilton Mourão para a posse de Alberto Fernández na Argentina.  

Bolsonaro reforçou que adotou uma decisão pragmática, considerando as relações comerciais com o país vizinho. Segundo ele, a ida de Mourão é uma sinalização de que não está “fechando as portas para a Argentina”.

PORTA ABERTA – “Algumas autoridades falaram dessa possibilidade. Eu resolvi não ir, mas na última análise,  conversei com alguns ministros, e  achei melhor enviar para não dar a entender que estamos fechando as portas para a Argentina”, disse o presidente na chegada ao Palácio da Alvorada.

Bolsonaro confirmou que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi um dos que intercederam para que o governo brasileiro tivesse um representante na posse de Fernandéz. Inicialmente, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, seria enviado, mas, no domingo, Bolsonaro decidiu suspender a participação do ministro.

“REPRESENTAÇÃO DE PESO” –  Ficou definido que o país seria representado apenas pelo embaixador brasileiro na Argentina, Sérgio Danese. “Eu conversei com o Rodrigo Maia no sábado. Os termos da minha conversa com ele são reservados”, respondeu. “Óbvio, não estará lá o presidente, mas uma representação de peso como o vice”, disse.

Bolsonaro afirmou que foi cogitada a ida do ministro da Economia, Paulo Guedes, à posse. “No momento, iria apenas o embaixador que está lá na Argentina e, depois alguém, daqui. Cogitou-se até a possibilidade do Paulo Guedes ir. É questão de economia sim. Já está se falando há algum tempo que no tocante à economia seremos pragmáticos”, disse.

MISSÃO – Bolsonaro disse que não tem ascendência sobre Mourão, mas que o vice aceitou “a missão” de representá-lo na posse de Fernandéz.  O vice embarcou às 20h de Brasília rumo a Buenos Aires. O vice comentou a viagem antes de embarcar, dizendo que sua viagem mostra um “gesto político”. “É um gesto do presidente para que as relações voltem ao normal”, disse o vice-presidente.

De acordo com membros do Palácio do Planalto, Bolsonaro recuou sobre a participação brasileira na posse de Fernandéz após relatar a pressão de senadores e deputados, que temiam um estremecimento com a Argentina. Antes de designar Mourão, o presidente conversou com o ministro de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e o líder do governo no Congresso, Fernando Bezerra (MDB-PE) e o líder do governo na Câmara, Vitor Hugo.

PARCERIA – A Argentina é terceiro maior parceiro comercial do Brasil, depois de China e Estados Unidos, e o maior comprador de produtos industriais brasileiros, embora o comércio bilateral esteja sofrendo com a desaceleração do crescimento nos dois países.

Bolsonaro disse esperar que o novo governo “vá pelo caminho certo”, mas voltou a criticar Fernandéz, que tem como vice Cristina Kirchner. Ele e Fernández trocaram acusações mútuas durante a campanha eleitoral argentina.

IRRITAÇÃO – O presidente brasileiro — que torcia abertamente pela reeleição de Mauricio Macri, de centro-direita — ficou irritado quando o peronista postou, na noite de sua vitória, um post no Twitter felicitando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por seu aniversário e pedindo a sua libertação.

“Nos interessa (estar próximos da Argentina),  mas nós sabemos o que é o Foro de São Paulo, a política na América do Sul. Eu falei que não descansaria enquanto não houvesse liberdade e democracia em todos os países aqui. Eu espero que a Argentina vá para o caminho certo”, disse.

CONVIVÊNCIA – Bolsonaro disse ainda que, apesar da “equipe do presidente eleito”, acha que “dá para conviver” com o novo governo da Argentina. Na última sexta-feira, o presidente brasileiro ironizou o economista Martin Guzmán , colaborador do Prêmio Nobel Joseph Stiglitz que foi escolhido para ser ministro da Economia da Argentina.

Bolsonaro destacou em uma publicação no Facebook que Guzmán já recomendou um livro da economista brasileira Laura Carvalho, ressaltando que ela assessorou a última campanha presidencial do PSOL.

“O  grosso do comércio com a América do Sul é com eles. Interessa para nós e para eles também. Acho que dá para conviver. Agora, analisando a equipe do presidente eleito, a gente sabe que… alguns têm algumas restrições àqueles nomes, não pelos nomes em si, pelo viés ideológico, pela política e em especial pelo entendimento da economia da equipe deles. Mas eu espero que dê certo, estamos torcendo para que dê certo”, finalizou.

 

9 thoughts on “Ida de Mourão à posse sinaliza que governo não está “fechando as portas para a Argentina”

  1. “O novo presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse nesta terça-feira que buscará boas relações com o Brasil, apesar do recente atrito que teve com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que não foi à sua posse.

    “-Vamos manter a irmandade histórica de nossos povos, que vai além de qualquer diferença pessoal entre os que governam no momento. Vamos avançar juntos na construção de um progresso compartilhado”, declarou antes da sessão plenária do Congresso argentino.
    Fernández prometeu ainda fortalecer o Mercosul e apostar na integração regional.

    “-Vamos fortalecer o Mercosul e a integração regional”, comentou ao lado da nova vice-presidente, Cristina Fernández Kirchner.”

    -Ambos estão certos.

  2. Segundo Bolsonaro, a ida de Mourão é uma sinalização que não está fechando as portas para Argentina. O problema é se a Argentina fechar as portas para ao Brasil, considerando-se que a balança comercial entre os dois países o Brasil é muito mais beneficiado com saldos positivos.
    Bolsonaro se acha o rei da cocada preta e todos os países das Américas tem que seguir a mesma política da direita radical dele, caso contrário é considerado um inimigo. A China tem uma política totalmente contrária à do Bolsonaro. E, aí?

    • Irretocável!

      Ele gosta dos socialistas (comunistas) amigos dele.
      aras, toffoli, maia, alcolumbre, gilmar mendes, NINE, etc…
      Recentemente, China.

      Deu uma banana pro Trump, só que não.

      Fui enganado, quero meu voto de volta!
      Atenciosamente.

  3. Irretocável!

    Ele gosta dos socialistas (comunistas) amigos dele.
    aras, toffoli, maia, alcolumbre, gilmar mendes, NINE, etc…
    Recentemente, China.

    Deu uma banana pro Trump, só que não.

    Fui enganado, quero meu voto de volta!
    Atenciosamente.

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