Impasse em vaga do Supremo é produto da anomalia política que Bolsonaro implantou

Análise: No meio da via-crúcis de André Mendonça, tem um Orçamento |  Política | Valor Econômico

Mendonça é como a Viúva Porcina, que foi sem ter sido…

Bruno Boghossian
Folha

Pendurada há 93 dias, a indicação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal é um produto acabado da anomalia política que Jair Bolsonaro instalou no país. O tribunal tem uma cadeira vazia porque o presidente escolheu governar para falanges ideológicas, contratou a proteção de uma coalizão de aluguel e recorreu ao vandalismo institucional para exercer o poder.

O nome de Mendonça ficou travado porque só interessa a um dos lados da aliança disfuncional que mantém Bolsonaro no cargo. O presidente nunca escondeu que a indicação do ministro era o pagamento de uma dívida com líderes evangélicos.

DEPENDÊNCIAS – O problema de Bolsonaro é que ele precisa de Silas Malafaia, que endossa manobras golpistas da porta do Planalto para fora, mas também depende de Ciro Nogueira, que protege o governo com base no que é dito a portas fechadas. O centrão conhece o tamanho de seu poder e tenta forçar a troca do nome escolhido.

Bolsonaro experimenta os efeitos dos acordos mal-ajambrados que costurou para sobreviver enquanto exerce sua vocação autoritária. Quem bloqueia a indicação de Mendonça é Davi Alcolumbre, um senador que foi patrocinado pelo governo com verbas oficiais nos últimos anos e agora é comparado pelo presidente a um torturador.

As motivações podem ser nobres ou indecorosas, mas o fato é que Alcolumbre impede que Bolsonaro mande um aliado para a corte que ele tenta destruir.

TRÉGUA FALSA – Apesar de ter falsificado uma trégua, o presidente passou o ano em confronto aberto com o STF, espalhou mentiras sobre decisões do tribunal e liderou o protesto golpista que tinha o objetivo de forçar a derrubada de ministros.

Ao longo do processo, Bolsonaro fez com que Mendonça se comprometesse a abrir as sessões do tribunal com uma oração, disse que o novo ministro almoçaria com ele no Planalto uma vez por semana e deu a entender que havia combinado votos “contra as pautas progressistas”.

O próprio presidente conduz essa escolha com a mesma esculhambação com que trata o STF.

6 thoughts on “Impasse em vaga do Supremo é produto da anomalia política que Bolsonaro implantou

  1. Artigo tendencioso que peca pelo princípio.
    Se a soma de todas as desgraças alinhadas ao candidato e ao presidente fosse verdade, o mais simples seria a sabatina no senado recusar e jogar o cara na lata de lixo, ele e o presidente, ou não?
    Se valer de um artigo prenhe de narrativas para proferir impropérios contra uma simples indicação é jogada manjada, pobre e inócua.
    O Nove Dedos, Mão de Gazua indicou quem quis e não houve nenhum faniquito.

  2. O mito realmente se acredita ser um enviado de Deus à Terra, acredita que todas as suas escolhas são de inspiração divina e, assim sendo são todas ótimas. Não sei se o mito tem visões com Deus ou não, ou se segue ou escuta alguém, coisa que duvido muito. Em janeiro do ano passado nos surpreendeu com a promessa de um “ministro terrivelmente evangélico” na suprema corte, não cumpriu a promessa e entrou no caderninho preto de muitos pastores. Agora novamente vai roer a corda porque não consegue emplacar o “ministro terrivelmente evangélico” na suprema corte. A coisa a cada dia que passa fica pior para o mito, será que ele é mesmo um enviado de Deus?

  3. Só a esquerda pode escolher ministros do Supremo por motivos ideológicos. O que Lewandowiski faz lá então? E Toffoli? E Fachin?

    Alias dizer que as indicações são ideológicas, como se isso fosse crime é uma grande bobagem, pois a indicação do ministro para o Supremo por ideologia é exatamente o motivo da indicação existir.

    Não existe essa bobagem de pessoa sem ideologia, como se fosse um robô.

    A negação da politica e o discurso idiota de que o poder deve ser dado a uma elite burocrática “técnica” não eleita é um dos grandes males da nossa democracia. O velho Positivismo rançoso, se uniu ao corporativismo e ao progressismo atuais para criar essa anomalia, do Estado sem ideologia, uma mentira descarada, cujo objetivo é disfarçar justamente o caráter ideológico destes.

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