Impasse: Meirelles e Barbosa exigem autonomia na Fazenda

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Tanto Henrique Meirelles quanto Nelson Barbosa, cotados para assumir o Ministério da Fazenda no segundo mandato de Dilma Rousseff, vêm assegurando a pessoas próximas que só aceitarão substituir Guido Mantega se tiverem total autonomia para fazer o que precisa ser feito. Nenhum dos dois foi oficialmente convidado pela presidente reeleita para o cargo de ministro, mas ambos já começam a esboçar o que seria a gestão deles à frente da equipe econômica.

Interlocutores de Meirelles e de Barbosa asseguram que o quadro traçado por eles para a economia em 2015 é dramático. Mesmo que se dê um choque de credibilidade no governo, não há a menor perspectiva de retomada do crescimento econômico no ano que vem. A tendência é de um avanço tímido do Produto Interno Bruto (PIB), fruto dos ajustes que terão de ser feitos. A resistência da inflação exigirá novos aumentos na taxa básica de juros (Selic), que, na semana passada, passou de 11% para 11,25% ao ano. O arrocho monetário terá de vir acompanhado de um forte e efetivo ajuste fiscal, sem maquiagem nas contas públicas.

Nada do que Meirelles e Barbosa traçam como medidas prioritárias para restabelecer a confiança na economia soa como novidade. A dúvida é se esse trabalho óbvio, de resgate da credibilidade do governo, terá o aval de Dilma. A presidente tem calafrios diante da possibilidade de começar o segundo mandato com retração na atividade — o que será inevitável se o futuro ministro da Fazenda optar por corrigir os erros dos últimos quatro anos, que resultaram em recessão em 2014. Há casas bancárias de respeito prevendo que, no caso de alta dos juros e de cortes de gastos, o PIB fechará 2015 em queda. Pior: com desemprego em alta, justamente o que a petista mais teme.

SERVIÇO SUJO

Ciente das resistências de Dilma, o ex-presidente Lula vem martelando, desde que as urnas sacramentaram a reeleição da presidente, que a hora de fazer o serviço sujo é agora. Para Lula, se a petista não reverter logo o descrédito que afastou os investimentos produtivos e está mantendo a atividade no chão, ela corre o risco de se enfraquecer demais ao longo do segundo mandato. Com isso, enterrará o sonho do PT de recolocar Lula novamente no Palácio do Planalto em 2018.

Lula, por sinal, saiu ontem em socorro da pupila. Sem capacidade de reorganizar a base do governo no Congresso, Dilma pediu socorro para garantir a aprovação de projetos importantes de interesse do Executivo, como o que muda a Lei de Diretriz Orçamentária (LDO) de 2014. Depois de muito enrolar, de recorrer a todos os tipos de truques contábeis para mostrar uma saúde que as contas públicas não têm, o Planalto, enfim, reconheceu que será impossível cumprir a meta de superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida) de 1,9% do PIB.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme já afirmamos aqui, o problema para escolher ministro da Fazenda é que ninguém aceita receber ordens e se submeter aos humores de Dilma Rousseff, a suposta doutorada em Economia. (C.N.)

3 thoughts on “Impasse: Meirelles e Barbosa exigem autonomia na Fazenda

  1. Dilma e seu ministro esticaram a corda do gasto público para além do limite de tensão. Não há como continuar sustentando o baixo nível de desocupação do setor privado com empréstimos do BNDES, assim como não dá mais para sustentar o aparelhamento da máquina pública federal expandida por 39 ministérios, pois, essa forma de conduzir o gasto público (que sustenta artificialmente os números e estatísticas de cunho populista), já se mostrou insustentável.

    É só averiguar a real incapacidade do governo em formar superávit primário (sobra de recursos) para pagar os juros da dívida.

    Ora, o setor financeiro, principal financiador da dívida pública já está com o pé atrás ao constatar a incapacidade do governo honrar com o pagamento dos papéis que emite.

    Não dá mais para sustentar a embromação artificial dos números do governo, e o PT esticou a corda para colar uma imagem falsa de competência até passar as eleições.

    Conseguiu com a metade da população.

    Mas, agora vem a conta. Quer Dilma queira ou não.

    • O que tem de ficar claro é que esteve sustentando o nível da taxa de ocupação do mercado de trabalho da economia brasileira – os melhores registros históricos – foi o governo, mediante o endividamento público.

      Seja por meio da transferência de recursos ao setor privado junto aos bancos oficiais – BNDES, Caixa, BB etc. -, seja causando o aparelhamento público sem precedentes, seja suportando o desempregado através do orçamento da Seguridade Social com o Seguro Desemprego. Quem está segurado não entra nas estatísticas de desocupação.

      Só que agora o governo mostrou, definitivamente, sua incapacidade de sustentar as coisas dessa maneira, porque, simplesmente, não está sendo capaz de gerar superávit primário e pagar os juros da dívida pública.

      Simples assim.

      Pior, acabaram os efeitos da expansão do consumo sobre o crescimento do PIB, o que provocou a redução do montante arrecadado pelo governo, isto é, as receitas começaram a se tornar escassas, fazendo encolher, ainda mais a capacidade do governo fazer superávit primário.

      Então, agora a população irá enxergar os efeitos da armadilha econômica para a qual o PT nos empurrou e que estamos alertando aqui há mais de um ano, sem que a gerentona e sua equipe tomassem as medidas cabíveis.

      Agora é tarde e os remédios vão amargar o bolso do brasileiro, sem chances e alternativas.

  2. Schoss, agora veja bem, será que o distinto e rapaz alegre FDePUTADO dará cigarrinhos de maconha para sua mãe, pai, sobrinhos fumarem.???
    Quem conhece e vê diariamente drogados como este cidadão aqui, sabe os efeitos das drogas nas mentes desses jovens e adultos.
    E que esses caram querem é enfiar goela abaixo as diretrizes do ‘Clubinho do Bolinha”….
    eh!eh!eh

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